Losin' end
Todo domingo uma dúvida aponta um revólver para a minha cabeça: como foi que sobrevivi por mais uma semana? Como diabos um raio não caiu na minha cabeça, como foi que nenhum dos assassinos que com que cruzei na rua não me matou, como escapei ilesa de tantos tiroteios? Como pode que o mundo não tenha me abortado? Então penso nas probabilidades que começam a se descortinar a partir de amanhã. Sempre tenho um plano b que não depende de ninguém. Se tudo der errado, se eu for uma falha na superfície da Terra, se eu for uma espinha na pele impecável de uma modelo, eu sei o que fazer. Se aqueles que amo me machucarem demais e mais uma vez, se eu enjoar definitivamente da solidão, se eu confirmar minha incompetência para existir, eu sei o que fazer. Por enquanto Bruce continua cantando baixinho do lado esquerdo do meu travesseiro. Repasso mentalmente todos os planos b e depois tento ouvir bem o que ele está me dizendo. A chance de que Bruce seja o último homem que irei escutar parece bastante real, quase certa, posso tocá-la sem nem ao menos esticar o braço, uma chance pequena e plúmbea que parece se encaixar perfeitamente nas linhas do destino da minha mão.