Monday, August 18, 2008

Carta aberta a você

Ando dispersa, errando as pedrinhas no chão. Ando pensando merda demais e rindo sozinha. As coisas têm estado meio solitárias por aqui, parece que todo mundo mudou os trajetos para casa. Ou talvez todos tenham mudado de casa e eu ainda não fui avisada. Talvez o meu telefone esteja quebrado. O celular sem crédito, claro. Sempre. Os correios voltaram da greve semanas atrás, mas eu ainda não mandei as cartas que por sinal ainda nem escrevi. E dessa vez, eu tenho algumas coisas para contar. Tenho que contar que despiroquei e perdi o namorado. Tenho que contar da minha nova rotina. Tenho que contar que meus amigos já não me procuram quando querem desabafar e que ando com menos vontade de sair. Pouca vontade das luzes amarelas de Downtown, pouca saudade dos jovens felizes que inundam as sextas e os sábados. Tenho ficado mais em silêncio. Tenho sentido falta de abraços. Tenho odiado todas as pessoas que conheço e seus preconceitos baratos.
Podemos ficar assim?, se a gente não andou se falando, se você não mandou notícias, se eu briguei contigo ou se sonho em te matar, se eu fui uma pessoa horrível ou uma péssima amante - não sei. Você já sabe, eu sou calada demais e rancorosa, mas as coisas não tem sido fáceis e no fim das contas, eu te amo. E é isso que importa, não é? Espero que importe, pelo menos.

Isso não é literatura, isso é uma carta. Por favor, leve tudo o que está escrito da forma mais pessoal que conseguir.

abraços apertados,

barb.