Monday, September 22, 2008

Mais alto que o som

Meu coração bate sempre igual e eu já não dou muita importância a ele. Meu coração, todos sabem, não é um órgão confiável, razão pela qual passei um longo, longo tempo sem escutá-lo. Depois disso, ele começou a gritar em agonia: "hey, garota! estou aqui! batendo!" fui forçada a escutar e, como aconteceu antes de eu tentar ignorá-lo, o que sobreveio foi uma confusão incrível de sentimentos e esperanças que, achei, eu já tinha esfaqueado, amarrado e deixado sangrando em qualquer canto do sótão da minha casa. Achei que estavam todos mortos. Não estavam e a confusão foi grande, tirou o meu ótimo senso de direção, me fez olhar para fora com desejo. Desejei muito e intensamente e não consegui nada. Caralho, meu coração é uma putinha. E daí eu tive saudade daquele tempo em que meu coração era nada mais do que um empregado das minhas tripas - essas sim confiáveis, fortes, competentes. Tive saudade de ser forte. Tive saudade de não me deixar abalar. Estive conversando com meu coração sobre isso. Sei agora que as coisas nunca mais serão como antes. Sei que estou vulnerável a taquicardias eventuais. Mas por enquanto vai ficar tudo bem. Entrei num acordo: tira umas férias, acorda tarde, vai pro Taiti. Tira um tempinho pra descansar. Ele aceitou e agora, minhas tripas estão de volta, estou engatando a primeira e a gente faz de 0 a 100 milhas em um segundo. Mais alto que o som. Hoje, pela primeira vez em muito tempo, acordei pensando em mim mesma. Nada, absolutamente nada, tão maravilhoso, tão abençoado, tão insubstituível quanto o egoísmo.