Não durma ainda
Todos sabem bem o que acontece sob o sol. É por isso que, contrariando qualquer sono que eu possa sentir, é à noite que a Musa chama. E quando a Musa chama, a gente atende. A gente larga a perspectiva do surreal dos lençóis e se senta na frente do computador. Certos de que não importa quanto o online diga que estamos disponíveis para deliciosas conversas silenciosas na madrugada, ninguém se manifestará. Sem ois ou goodnights. A noite abre perspectivas, pelo simples fato de não existir nada que se possa fazer.
Eu não posso fazer nada.
É meia-noite e meia, eu penso em Sal Paradise, em Dean Moriarty, em teoria da pintura, no ecstasy que não pretendo tomar, na grande festa de música eletrônica. O portal do yahoo anuncia: ainda dá tempo de ir. Porém, eu moro na Província, em poucas horas o sol vai sair de novo e eu tenho de aproveitar que todos que amo estão dormindo para chamar os fantasmas para um duelo na varanda de casa.
Estou me sentindo com sorte, desta vez.