Tuesday, September 23, 2008

Paris

Paris, França, não Paris Hilton.
Às vezes, tudo o que eu preciso é de um prazer bobo para meu dia melhorar. Uma caminhada por Downtown no crepúsculo, uma taça de vinho tinto, um sorriso de um estranho no ônibus. As famosas pequenas coisas que, no fim das contas, é tudo o que temos para aliviar os dias pesados da poluição mental da Cidade. Mas em outros dias, tudo o que temos não é o suficiente e me vejo dilacerada. Os pequenos prazeres são pequenos demais para tantas enormes ambições. O crepúsculo denuncia o fim de uma hora útil de um dia útil que não me trouxe absolutamente nada, a escuridão se apossa da Cidade e eu espero os créditos começarem a subir. O fim de um filme de autor. Daqueles em que o herói fracassa, a mocinha morre, não há vilão. Ou o herói fracassa, não há mocinha e não há vilão. E a pergunta inexorável: se o herói fracassa, há herói? Parece-me que não. Saio por entre os prazeres bobos alheios que alguns transeuntes parecem apreciar tanto. Transeuntes e prazeres já não dizem nada. Tento pensar que amanhã será outro dia. Amanhã pode ser que tudo mude. Amanhã pode ser o dia em que vou pegar o ônibus para Shackleton Heart. Hoje, vou para casa em silêncio, permaneço em silêncio, durmo sem roncar. Antes de pegar no sono, torço. Tomara que amanhã seja um dia de Hollywood.