<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312</id><updated>2011-12-24T12:04:50.903-02:00</updated><title type='text'>*whenthetvstops</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>157</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4475410427220942289</id><published>2008-10-11T15:21:00.006-03:00</published><updated>2009-03-11T22:07:25.999-03:00</updated><title type='text'>Russian boy</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O whenthetvstops acabou.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O whenthetvstops se originou, na verdade, de um outro blog. O blog era o lovelocked.blogspot.com, que depois que eu fechei alguém pegou o nome e fez um desses blogs com só uma postagem, não sei pra quê as pessoas ficam enchendo a internet com nada. O lovelocked era legal, mas era um blog de rancor e remorso. E eu, ao contrário de 99% dos pretensos novos escritores blogueiros, não acho que seja pra isso que a gente escreve, para exorcizar alguma coisa. É óbvio que tudo que você produz em arte tem alguma coisa de você, mas a boa arte não é feita exclusivamente para produzir o artista. E muito menos a persona do artista. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então eu montei o whenthetvstops. Tirei o nome do blog de uma música dos Stones, "What to do" e pensei que poderia ter um blog que fosse uma oficina literária, cuja ministrante e única aluna seria eu mesma. E assim foi, quase dois anos agora. Um monte de textos escritos, um monte de rascunhos, lembranças, muitas lembranças, os autores que eu li nesse tempo e muitos textos que tentaram, consciente ou inconscientemente, imitar os estilos deles. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Boa parte da minha vida nesses dois últimos anos está aqui e eu vou sentir muita falta. Mas ontem eu estava voltando para casa, no ônibus, meio bêbada, depois de ter ido ao Jerry's, e eu sempre tenho idéias incríveis no ônibus. "Puxa, isso daria um texto ótimo pro blog, vou escrever assim que chegar em casa." Tá certo que a maioria dessas idéias não resistia à leseira da bebida quando eu chegava em casa e despencava na cama, mas eu tinha essas idéias. Ontem não teve idéia. Foi uma noite ótima, bebi, algumas das pessoas mais legais/inteligentes que conheço estavam lá. Tudo ótimo. E eu voltando para casa, no meio de uma caganeira mental, e pensando: "puta, não tem nada."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O whenthetvstops sempre teve textos iguais, as famosas variações sobre o mesmo tema. E isso está ok quando a proposta é essa mesma. Mas acho que esgotei as possibilidades, fui até o fim da linha, e agora, quero mais do que isso. Tenho umas coisas para acertar com o Gavin, tenho um livro pra escrever, tenho minha irmã e uns planos com ela. Se alguém quiser acompanhar um pouco dessa história, vou abrir um blog novo, despretensioso, nada dessas literatices do whenthetvstops, mas só para os VIPs interessados. Quem estiver, me mande um email (tem o meu endereço no perfil). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou mais perto de Shackleton Heart agora do que em dezembro de 2006. A quem ainda está lendo: obrigada por fazer parte dessa história. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um beijo enorme&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;barbara&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4475410427220942289?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4475410427220942289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4475410427220942289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/10/end.html' title='Russian boy'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7870467912929635202</id><published>2008-10-09T17:43:00.009-03:00</published><updated>2008-10-09T22:05:18.425-03:00</updated><title type='text'>Hedonismo</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Trilha sonora: Laslo Bane, Superman (sim, a música do Scrubs) &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255265661162794994" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SO50RnXqr_I/AAAAAAAAANs/ogc4WYhp3CQ/s400/bicycle_wheel.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu ando, e não chego a lugar nenhum. A &lt;em&gt;Araucaria angustifolia &lt;/em&gt;à minha frente permanece a cinqüenta metros, eu ando e não a alcanço. Não estou sozinha nessa, o que só torna a situação ainda mais engraçada. Somos todos hamsters aprisionados em gaiolas, nos divertindo em rodas para exercitar os ratos. É mesmo assim, esse negócio de viver: a famosa corrida dos ratos, em que ninguém ganha coisa alguma. Por exemplo, eu: impressionante como meus tempos de mediocridade me trouxeram tamanha satisfação. "Você está escrevendo, barbara?" E eu respondia bem feliz: "Não, tá uma correria. Muita coisa pra fazer." Achava bom. Eu não tinha tempo para escrever, mas tinha tempo para comprar sapatos. "Você está escrevendo, barbara?" E eu respondia bem feliz: "Não. Mas estou trepando bastante." A mediocridade, (quase) paradoxalmente, aumentou minha auto-estima (que sempre foi uma merda) a níveis nunca antes imaginados. Porque as pessoas que me perguntam "você tá escrevendo?" aparecem em número muito menor do que as que perguntam "e o que você faz da vida? Você tem namorado?", e se satisfazem muito pouco quando minha resposta é "eu escrevo. E não, não tenho namorado porque, como já disse, eu escrevo". Bom, já dá pra adivinhar o resto, não? Dá pra imaginar as reações, dá pra imaginar como eu me sentia. E por isso o tempo de mediocridade era bom. Era ótimo. Eu aproveitava a vida, tanto e tão bem, quando era medíocre. Levar uma vida que me distanciava de escrever - e, por extensão, de tudo que eu mais prezava - fazia com que eu me sentisse no direito de agarrar as delícias, limpar as adegas, passar uma cantada em Dionísio e passar a noite inteira no seu covil. Só entendi agora: continuo andando, a Araucária continua à minha frente, à mesma distância - eu sou um rato e sou ridícula - estou parada mas em movimento - o sangue correndo mais rápido - tudo que tenho para sentir é meu corpo e ele me dá prazer.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Imagem: Roda de bicicleta (réplica), readymade de Marcel Duchamp. 1913. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7870467912929635202?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7870467912929635202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7870467912929635202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/10/hedonismo.html' title='Hedonismo'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SO50RnXqr_I/AAAAAAAAANs/ogc4WYhp3CQ/s72-c/bicycle_wheel.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4293007196138445529</id><published>2008-10-06T18:12:00.008-03:00</published><updated>2008-10-06T19:28:25.435-03:00</updated><title type='text'>Sobre Neal, ainda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu sempre fui uma grande fã de listas. Não, não estou falando daquele lance High Fidelity no qual pessoas ordinárias escolhem os mais sobre algum tema irrelevante. Estou falando das listas que comentei no texto passado, &lt;em&gt;Neal&lt;/em&gt;. Não raro, limpando a papelada na qual vivo como um cupim preguiçoso, acho listas antigas, das quais já nem lembrava ter tido as coisas a fazer. Mas estão lá, milhares de canetas azuis a comprar e suas variações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além das listas ordinárias, das coisas que tenho de fazer a cada dia, também sempre fui muito fã de listas a longo prazo, geralmente anuais. Na primeira semana do ano, eu fazia a longa lista, compreendendo conquistas pessoais e intelectuais e algumas coisas, até, meio bobas: "comprar um coturno" foi presença certa por três anos quando na minha adolescência, até que finalmente comprei.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto dessas listas porque indicam atividade: indicam vontade e capacidade e intenção de ação. Gosto de cumprir as tarefas designadas. Tenho um imenso prazer em escrever aquele grande "OK" ao lado do tópico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abra qualquer livro de auto-ajuda, abra qualquer seção de bem-estar das revistas femininas para mulheres contemporâneas, independentes, atuais e antenadas. Aliás, até se você abrir revistas para mulheres antiquadas vai estar lá escrito: barbara lovelock está fazendo o certo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estou fazendo o certo. Pois pessoas bem-sucedidas tem o hábito de escrever seus objetivos. E eu, que não resisto a uma pérola kitsch e a matar tempo folheando livros de auto-ajuda em livrarias de shopping, não pude deixar de me orgulhar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;He he. Eu faço tudo certo!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E então eu me deparo com a primeira lista anual de 2008, que fiz na primeira semana. Uma longa lista, 20 itens, 20 vontades, 20 objetivos. Estamos em outubro, eu não realizei nem cinco das coisas a que me propus. Mas, tudo bem, afinal, eu já tinha me dado conta de que as 20 coisas eram coisas demais a se fazer e eu, com meu estoque baixíssimo de energia, não conseguiria realizar tudo. Em julho, fiz outra lista. 10 objetivos. 10 coisas-a-fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi então setembro, o mês em que certas verdades incômodas não puderam ser ignoradas. E me fizeram reduzir a lista às minhas necessidades fundamentais e inadiáveis desse doismileoito - duas -, uma boa ação e o pagamento de uma dívida cármica. Pra sair, no mínimo, no zero a zero na rodada 2008 do jogo barbara lovelock &lt;em&gt;versus&lt;/em&gt; mundo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nunca uma lista tão básica, simples e óbvia. Necessária. &lt;em&gt;Eu fiz a lista perfeita.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E então o primeiro movimento do jogo, um tombo, e eu tenho de me deparar com o primeiro tópico da lista, e eu não sei o que colocar. Pois eu não sei o que eu quis dizer. É claro: foi um tombo. Mas eu estava lá para cair e foi tão bonito, e proveitoso, e a estrada foi tão linda! Está tudo ok e não existe espaço para tal beleza e tranqüilidade na minha lista. E então percebo que passei pelo menos dez anos da minha vida realizando uma prática que não me dizia nada, que não me servia, na qual o que mais prezo não tem espaço. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É claro que é uma prática boa. Veja só: pessoas bem-sucedidas costumam utilizá-la. Pessoas ótimas, como o Roberto Justus, a Ivete Sangalo, o Renato Aragão. Se você é como eles, e valoriza as grandes lições de vida que eles têm para dar, recomendo que escreva, com fé, no dia primeiro de janeiro de cada ano: o quanto do aumento você vai pedir para o seu chefe, qual dos city tours em Paris você vai comprar, como é o namorado que você quer que te dê um anel de brilhantes até dezembro. Mas, se você é como eu e é a pessoa que mais odeia acordar, acho que isso não vai te servir muito. Nossas vidas não se resumem a cumprir metas e conquistar impérios. Nós não temos vocação para Alexandre o Grande. Nossas vidas não comportam tópicos. Nossas vidas estão nos intervalos entre um e outro grande OK. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se também for o teu caso, rasgue suas listas e venha tomar um café comigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4293007196138445529?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4293007196138445529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4293007196138445529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/10/sobre-neal-ainda.html' title='Sobre Neal, ainda'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3858670733048120288</id><published>2008-10-02T13:30:00.004-03:00</published><updated>2008-10-02T13:47:58.675-03:00</updated><title type='text'>Neal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simplesmente incrível. Eu ando pelas ruas e passo por milhares. Todos passantes. Não sei para onde vão. Não sei para onde vou, apesar de saber bem quais são os destinos prováveis e sempre carregar uma lista de coisas a fazer no bolso da calça jeans. Todos sempre carregam uma expressão decidida, ninguém olha para os lados. A garota loira, sigo-a por cinco quadras, a constantes dez metros dela. Ela nem percebe, não olha para ninguém. Apesar de tantas pessoas, nenhum olhar. Pergunto-me para onde ela vai. Para onde ela gostaria de ir. Ela atravessa as ruas, e é como se eu não existisse. Entra num prédio comercial, espelhado, sem rastro de tijolos. A imponência do piso me impede de entrar. Dou meia-volta e continuo pela calçada, checo a lista no meu bolso. Ainda não fiz coisa alguma. Não quero fazer coisa alguma, minha vida medíocre se resume em pegar exames em laboratórios, comprar canetas azuis novas, procurar no shopping center um presente que não diz nada sobre aquilo que tenho para dar. Checo o celular, nenhuma ligação perdida. Não que eu estivesse esperando. Continuo andando ad libitum, esperando que algo extraordinário aconteça. Não vai acontecer, eu sei. Mas eu espero o dia em que as ruas se transformem em palcos, as janelas em  lentes de câmeras cinematográficas, e que todos  deixem de sair de casa para pegar exames , comprar canetas,  procurar objetos profanos.&lt;br /&gt;E queimem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3858670733048120288?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3858670733048120288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3858670733048120288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/10/neal.html' title='Neal'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7861754819684277846</id><published>2008-09-28T01:07:00.004-03:00</published><updated>2008-09-28T01:18:19.699-03:00</updated><title type='text'>Não durma ainda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todos sabem bem o que acontece sob o sol. É por isso que, contrariando qualquer sono que eu possa sentir, é à noite que a Musa chama. E quando a Musa chama, a gente atende. A gente larga a perspectiva do surreal dos lençóis e se senta na frente do computador. Certos de que não importa quanto o online diga que estamos disponíveis para deliciosas conversas silenciosas na madrugada, ninguém se manifestará. Sem ois ou goodnights. A noite abre perspectivas, pelo simples fato de não existir nada que se possa fazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não posso fazer nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É meia-noite e meia, eu penso em Sal Paradise, em Dean Moriarty, em teoria da pintura, no ecstasy que não pretendo tomar, na grande festa de música eletrônica. O portal do yahoo anuncia: ainda dá tempo de ir. Porém, eu moro na Província, em poucas horas o sol vai sair de novo e eu tenho de aproveitar que todos que amo estão dormindo para chamar os fantasmas para um duelo na varanda de casa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Estou me sentindo com sorte, desta vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7861754819684277846?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7861754819684277846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7861754819684277846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/no-durma-ainda.html' title='Não durma ainda'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6393995440714873280</id><published>2008-09-23T23:59:00.003-03:00</published><updated>2008-09-24T00:39:41.009-03:00</updated><title type='text'>Paris</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Paris, França, não Paris Hilton.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Às vezes, tudo o que eu preciso é de um prazer bobo para meu dia melhorar. Uma caminhada por Downtown no crepúsculo, uma taça de vinho tinto, um sorriso de um estranho no ônibus. As famosas pequenas coisas que, no fim das contas, é tudo o que temos para aliviar os dias pesados da poluição mental da Cidade. Mas em outros dias, tudo o que temos não é o suficiente e me vejo dilacerada. Os pequenos prazeres são pequenos demais para tantas enormes ambições. O crepúsculo denuncia o fim de uma hora útil de um dia útil que não me trouxe absolutamente nada, a escuridão se apossa da Cidade e eu espero os créditos começarem a subir. O fim de um filme de autor. Daqueles em que o herói fracassa, a mocinha morre, não há vilão. Ou o herói fracassa, não há mocinha e não há vilão. E a pergunta inexorável: se o herói fracassa, há herói? Parece-me que não. Saio por entre os prazeres bobos alheios que alguns transeuntes parecem apreciar tanto. Transeuntes e prazeres já não dizem nada. Tento pensar que amanhã será outro dia. Amanhã pode ser que tudo mude. Amanhã pode ser o dia em que vou pegar o ônibus para Shackleton Heart. Hoje, vou para casa em silêncio, permaneço em silêncio, durmo sem roncar. Antes de pegar no sono, torço. Tomara que amanhã seja um dia de Hollywood. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6393995440714873280?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6393995440714873280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6393995440714873280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/paris.html' title='Paris'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7234910664279041151</id><published>2008-09-22T10:54:00.003-03:00</published><updated>2008-09-22T11:13:05.091-03:00</updated><title type='text'>Mais alto que o som</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu coração bate sempre igual e eu já não dou muita importância a ele. Meu coração, todos sabem, não é um órgão confiável, razão pela qual passei um longo, longo tempo sem escutá-lo. Depois disso, ele começou a gritar em agonia: "hey, garota! estou aqui! batendo!" fui forçada a escutar e, como aconteceu antes de eu tentar ignorá-lo, o que sobreveio foi uma confusão incrível de sentimentos e esperanças que, achei, eu já tinha esfaqueado, amarrado e deixado sangrando em qualquer canto do sótão da minha casa. Achei que estavam todos mortos. Não estavam e a confusão foi grande, tirou o meu ótimo senso de direção, me fez olhar para fora com desejo. Desejei muito e intensamente e não consegui nada. Caralho, meu coração é uma putinha. E daí eu tive saudade daquele tempo em que meu coração era nada mais do que um empregado das minhas tripas - essas sim confiáveis, fortes, competentes. Tive saudade de ser forte. Tive saudade de não me deixar abalar. Estive conversando com meu coração sobre isso. Sei agora que as coisas nunca mais serão como antes. Sei que estou vulnerável a taquicardias eventuais. Mas por enquanto vai ficar tudo bem. Entrei num acordo: tira umas férias, acorda tarde, vai pro Taiti. Tira um tempinho pra descansar. Ele aceitou e agora, minhas tripas estão de volta, estou engatando a primeira e a gente faz de 0 a 100 milhas em um segundo. Mais alto que o som. Hoje, pela primeira vez em muito tempo, acordei pensando em mim mesma. Nada, absolutamente nada, tão maravilhoso, tão abençoado, tão insubstituível quanto o egoísmo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7234910664279041151?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7234910664279041151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7234910664279041151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/mais-alto-que-o-som.html' title='Mais alto que o som'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5757025978695137396</id><published>2008-09-17T00:37:00.006-03:00</published><updated>2008-09-17T02:01:45.947-03:00</updated><title type='text'>Back door man</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Para minha mãe.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do um zilhão de pessoas (ou, mais exatamente, quarenta e sete) que já passaram pelo whenthetvstops, apenas quatro ou cinco gostaram do que leram. Uns três devem continuar voltando aqui com alguma regularidade. Sei que alguns amigos (tenho poucos) acompanham o blog e outros não. E pros que não acompanham, tudo bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Das pessoas que não gostam do whenthetvstops, tenho certeza de que pelo menos algumas se incomodam com o fato de os meus textos serem depressivos. Geralmente, as pessoas que lêem com regularidade, amigos ou não, tendem a achar triste sim, mas continuam lendo porque acham que é visceral. Já ouvi esse adjetivo algumas vezes, referente ao blog, e me orgulho muito dele. E mais ainda porque gosto de pensar que as pessoas que visitam sempre o blog também são viscerais, e eu gosto de gente visceral. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já me perguntei muitas vezes porque eu gosto tanto de escrever sobre essas coisas depressivas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não considero que a tristeza seja um tema para mim. Tristeza é quando um negócio qualquer acontece e te machuca e você reage a isso. Perdi o namorado. snif. Perdi o emprego. snif. Meu cachorro morreu. snif. Bati o carro porque estava bêbado e vou morrer em 1500 reais. snif. Eu não escrevo sobre isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu escrevo sobre aquela pessoa que perdeu o namorado porque já se fodeu demais anteriormente e não sabe mais compartilhar sua vida com ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevo sobre aquela pessoa que tem um trabalho incrível e se pergunta no trânsito, "será que é isso o que eu tenho que fazer com a minha vida?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevo sobre gente cuja única razão para voltar para casa é porque tem que alimentar o cachorro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevo sobre as pessoas que têm tanta vontade de conhecer e amar e se divertir e sabem que se alguma coisa ruim acontecer, vão dormir na rua porque ninguém vai pagar o táxi para que voltem para casa a salvo, e por isso dirigem bêbadas por aí.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém me diz, então, se nunca passou por uma situação dessas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Posso estar errada, mas tenho a crença de que todo mundo passa por esses momentos na vida. Até a pessoa mais linda e feliz um dia volta sozinha para casa e o silêncio esmaga a sua cabeça no travesseiro. Eu acredito mesmo nisso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E daí vem a minha pergunta, por que diabos ninguém fala sobre isso? Por que toda vez que acontece comigo - em freqüência quase diária, devo assumir - eu não consigo imaginar que alguém esteja passando pela mesma coisa? E então eu saio por aí, vou ao Jerry's ou a qualquer outra pocilga e está todo mundo tão feliz, alegre e sorridente. Não posso evitar de pensar que sou alguma porcaria de monstro alienígena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu também acho que o mundo seria um lugar melhor se alguém admitisse esses momentos bobos dos quais falei. Pouparia muito sofrimento às milhares de mulheres que sentem vergonha em não terem amigos disponíveis nas noites de sábado e pouparia os homens de alguns cortes por acharem que todas as mulheres sozinhas em noites de sábado estão procurando companhia desesperadamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se eu tenho algum grande tema, é a solidão. Não gosto muito de admitir isso porque a solidão está quase tão banalizada quanto o amor, em termos de literatura. Não gosto nem de usar essa palavra nos meus textos, mas é isso. A solidão, desconfio, no fim das contas é apenas aquilo que não se compartilha. É por isso que estou compartilhando isso tudo com vocês. Porque sorrisos e alegria você pode encontrar em qualquer show de led zeppelin cover, casais apaixonados que acreditam no "até que a morte os separe" é só ir num restaurante da moda. Simpatia num momento de tristeza também não é difícil, é pra isso que inventaram a expressão "meus pêsames" pra se falar nos enterros. Mas, então, você está num dia especialmente difícil. Tentando entender porque diabos sempre é rejeitado, porque você tenta repelir o seu Dylan e é grosseira quando ele chega perto, porque em vez de desenvolver seus talentos incríveis fica se entupindo de comida ou qual a porcaria de rumo que tem de dar à sua vida. E você vai numa dessas pocilgas cheias de gente feliz que te perguntam, e aí, como você tá, o que anda fazendo, e quando você diz, porra, minha vida tá uma merda - ou seja, diz a verdade - te olham esquisito e tentam se esquivar, ou ainda, respondem com a pior frase do universo: mas você tem uma vida tão boa! pense nas crianças morrendo de fome na África. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, penso nas crianças na África e quero que você vá tomar no seu rabo. Mas você não diz isso. Sorri um sorriso amarelo para não piorar a sua solidão, e se sente mais sozinho do que nunca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que eu acho é o seguinte:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;você tem o direito de se sentir miserável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;você tem o direito de não dar beijinho de oi para qualquer imbecil que cruza o seu caminho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;você tem o direito de passar a vida inteira sem ter um objetivo fixo e imutável que vai te levar a uma aposentadoria tranqüila.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;você tem o direito de não gozar toda vez que trepa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;você tem o direito de se arrepender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;você tem o direito de não querer ser feliz e completo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e acima de tudo, você tem o direito de ser respeitado se estiver passando por qualquer dos momentos descritos, e tantos outros possíveis e igualmente depressivos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que a vida não é só essa miséria. Claro que existem amigos legais, conversas produtivas, postsecret, conexão com estranhos, orgasmos, sapatos lindos e baratos, Seinfeld, domingos chuvosos e preguiçosos, a maravilhosa expectativa de encontrar Dylan num dia de bom humor. Mas esse é o whenthetvstops, e o que eu quero é entrar no seu quarto e te dizer, você não é um monstro alienígena. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246847982710707954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SNCMcPfyVvI/AAAAAAAAAM4/YkxHdbwUj2A/s400/faithhumanity.jpg" border="0" /&gt;E, talvez, me convencer de que eu também não sou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5757025978695137396?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5757025978695137396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5757025978695137396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/back-door-man.html' title='Back door man'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SNCMcPfyVvI/AAAAAAAAAM4/YkxHdbwUj2A/s72-c/faithhumanity.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4701909559417450301</id><published>2008-09-14T22:20:00.005-03:00</published><updated>2008-09-14T22:54:05.229-03:00</updated><title type='text'>Comunicado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu odeio as preocupações mesquinhas às quais se dá tanta atenção. Eu odeio tanto o fato de que as coisas funcionam do jeito que funcionam. Eu odeio tanto que certas pessoas sejam tão imbecis e cretinas. Eu odeio que as pessoas que eu amo sejam machucadas. Eu odeio essa gente, odeio. Odeio que ignorem e que achem que sabem alguma pôrra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sei que tudo isso parece óbvio, mas não é. Se fosse óbvio, não aconteceria com tanta freqüência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero que aqueles que eu amo sejam muito felizes, cada um da forma que concebe a felicidade, o que varia muito. Quero que cada um seja feliz à sua maneira apesar de todo o lixo desse mundo asqueroso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero muito que isso aconteça e quero muito acreditar que as felicidades sejam possíveis. Quero também provas de que são, e rápido, agora, pra ontem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desculpem a falta de eloqüência mas eu não quero ser eloqüente. Só quero deixar registrado tudo isso. E também que eu desejo o melhor para todo mundo, o que em nenhum caso implica em mentir e engambelar os outros. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;abraços amargos&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;barb.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4701909559417450301?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4701909559417450301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4701909559417450301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/comunicado.html' title='Comunicado'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7446149718088118169</id><published>2008-09-13T00:57:00.004-03:00</published><updated>2008-09-13T01:49:53.217-03:00</updated><title type='text'>Find your way around Chinatown</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Eternal nothingness is fine if you happen to be dressed for it. &lt;/em&gt;Woody Allen&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Lavando os pratos na tarde de sábado, bem-alimentada, pensando na vida e na não-vida, nas vidas que não são minhas. Tudo está bem por aqui. A grande histeria passou, faz dias que não vejo Dylan, dias também sem messenger. Tudo está certo por aqui, coisas demais para fazer e nenhuma preguiça. Lavando os pratos de um almoço parcialmente bem-sucedido, o que está de bom tamanho considerando minha falta de habilidade no fogão. Lavando os pratos. Todo dia. Preparar comida, comer, limpar a sujeira que a comida faz. Todo dia, às vezes quatro vezes entre meia-noite e meia-noite. Por quê? Por que tanto trabalho para comer? Para ter o que cagar? &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Andando na rua, Sarah me conta a história que já ouvi vezes demais: algo deu errado. Algo sempre dá errado e fazemos a mesma pergunta. Não por quê e sim de quem é a culpa. Quem é o culpado? Para quem iremos apontar o dedo dessa vez? E sempre a mesma resposta. X fez algo comigo, e eu não esperava - porque apesar de sempre alguma coisa dar errado, nós nunca esperamos que dê errado. Passamos a porcaria da vida inteira esperando que exista alguma coisa que dê certo, que seja 100%, que seja ótima. Toda vez, alguma frustração. E a culpa é de X, que estava segurando a arma, mas a culpa é minha por estar no caminho da bala. X fez algo comigo, e não hesitarei em apontar o dedo para ele, mas a culpa também é minha, que tive expectativas com relação a X. Revolto-me: do meu lado da Cidade, ter expectativas é uma coisa negativa. Parece-me cruel demais: como pode ser ruim esperar que alguém seja bom e generoso? Todavia sei, apesar da indignação, que ninguém deve esperar isso. Esperar é ser otário. Será que a gente não aprende? Somos como os viciados em jogo. Sabemos que a chance de ganhar é de uma em um zilhão, mas toda semana estamos prontos a fazer a nossa fezinha.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Drew é incapaz de se sentir infeliz por muito tempo e adoro essa característica dela. Pergunto por aquele seu amigo que não conheço, mas do qual já gosto por antecipação. Está apaixonado, ela me diz. O pior é que ele é meio impulsivo, acho que dessa vez pode até casar. Sério?, pergunto incrédula. Sim, ela responde, ele é exatamente como eu. Nós dois sempre quisemos encontrar alguém, amar de verdade, ter companheirismo e a coisa toda. Como nunca conseguimos, aproveitamos a vida de solteiro da melhor forma possível: saímos, nos divertimos, conhecemos pessoas. Mas no fundo, somos românticos. Ainda queremos que a felicidade entre em casa arrombando a porta. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Respiro bem fundo, Drew assume um olhar distante e silencioso. Observo a cena e o local tão familiar ao nosso redor. Acho que os desejos nunca mudam, seja lá o que forem; um casamento, dinheiro, um porre interminável, um orgasmo infinito. Não temos o que queremos e ainda por cima andamos pela lama. Sentimo-nos obrigados a continuar a manutenção de nossas vidas ordinárias, comemos, nos apaixonamos, acreditamos em finais felizes que estão sempre ali, um metro além do horizonte. Porém, tenho a impressão de que não sou mais uma romântica completa. Vivo, como todos, em função do final feliz, mas tudo em que consigo pensar é na silhueta do cemitério no ponto mais longínquo que minha vista alcança. Na verdade, eu sempre quis viver para sempre. Mas como nunca consegui, pretendo aproveitar a vida de mortal da melhor forma possível.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7446149718088118169?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7446149718088118169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7446149718088118169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/find-your-way-around-chinatown.html' title='Find your way around Chinatown'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8088779008215099080</id><published>2008-09-09T14:20:00.003-03:00</published><updated>2008-09-09T14:37:52.113-03:00</updated><title type='text'>Kimberly</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um tempo em que eu achava que tudo era possível. Eu era uma criança e acreditava que minha mania de mexer nos lábios era apenas uma idiossincrasia infantil, que passaria assim que meus peitos crescessem. Era uma vez um tempo em que o futuro era tão misterioso quanto agora, só que eu o enxergava como uma luz muito forte que me cegava, ao invés desse poço profundo no qual estou pendurada vendo a corda arrebentar. Era uma vez um tempo em que eu esperava ansiosamente por algo que nunca tive. Era uma vez aquilo que já não tenho há tanto tempo, e agora também não quero mais ter. Esperança. Esperança de que um dia eu teria noites de aventuras, de que as noites seriam repletas de orgasmos. Esperança de que um dia eu falaria e seria entendida. E respeitada. E amada na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Não sei quando perdi a esperança, mas estimo um processo deveras curto há alguns anos. Aprendi a verdade: que pessoas tristes não merecem ser amadas, pobres são feios demais para serem desejáveis e que minha tristeza era uma doença, mas nenhum tratamento valeu de nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez minha Barbie, que se chamava Kimberly, era secretária e namorada do Jaspion, só que o Jaspion se chamava Eric e não era japonês, nem superherói. Passei a infância inteira brincando que aquele Jaspion era o namorado da Kimberly. Nunca fiz questão de ter um Ken. Não queria e não podia comprá-lo então. Não quero um Ken agora. Não quero e não posso ter um também. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8088779008215099080?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8088779008215099080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8088779008215099080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/kimberly.html' title='Kimberly'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-177897916813706364</id><published>2008-09-08T16:12:00.002-03:00</published><updated>2008-09-08T16:28:48.224-03:00</updated><title type='text'>Um dicionário dos sonhos, por favor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que significa quando você sonha com a música These boots are made for walking? Vontade de cometer genocídio de românticos? Sinal divino para botar em prática as vinganças? Resultado da retomada das lições de gangsters em milhares de filmes do fim de semana?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode ser. Por via das dúvidas vou para Downtown amanhã, dar uma olhada nas liquidações de fim de inverno. Talvez eu ache botas legais. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-177897916813706364?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/177897916813706364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/177897916813706364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/um-dicionrio-dos-sonhos-por-favor.html' title='Um dicionário dos sonhos, por favor'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2373834523177067906</id><published>2008-09-05T19:13:00.006-03:00</published><updated>2008-09-05T19:55:27.471-03:00</updated><title type='text'>In advance of the broken arm</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;arm.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ele sempre reclamava da impessoalidade da Cidade. De andar pelas ruas de Downtown sem encontrar nunca alguém que olhasse para cima. Cultivou durante anos uma nostalgia infundada, por algo que nunca conheceu. Dizia que tinha uma forte tendência a fazer tudo nos moldes antigos, a acreditar em rotinas bucólicas e românticas (que ninguém nunca viveu). Ele acreditou no meio de seu ódio que uma outra vida, uma vida diferente, era algo ao alcance dos curtos anos em que sua vida se constituiria. Demonizou a modernidade e toda a sua histeria. Xingou os amigos próximos e a monstruosidade daqueles que amava. Disse que não via sentido em estar tão sozinho no meio de tanta vida.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;stroke.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Apesar de saber do absurdo das suposições que alimentava sobre algo que nunca existiu, eu reconhecia em sua angústia uma versão particular da minha. Fez com que eu visse beleza em seus olhos e acreditasse em anjos que protegiam meu sono.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;advance. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A impessoalidade que tanto odiava foi a fonte do seu desprezo, quando precisei de sua atenção. Pensei por um momento em invalidar toda a beleza enquanto mentira e destruir tudo o que senti. Eu tinha a opção de sempre: mirar as pálpebras inchadas no espelho e me culpar, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;oh barbara, como você não percebeu a pistola embaixo do colchão&lt;/span&gt;. Mas não. Pra ser sincera, estou meio de saco cheio de lamentar noites de sono bem dormidas; seja lá quais foram as falsidades que as tornaram possíveis, noites bem ou mal dormidas, em quaisquer camas, sempre  acabam naquelas manhãs de mentiras das quais pelo menos por enquanto não estou disposta a abrir mão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2373834523177067906?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2373834523177067906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2373834523177067906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/in-advance-of-broken-arm.html' title='In advance of the broken arm'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3303787313622914821</id><published>2008-09-03T20:13:00.004-03:00</published><updated>2008-09-03T20:28:12.789-03:00</updated><title type='text'>wide open</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estou trabalhando nos planos de dizer tudo. De aprender a falar quando você está perto. Você nunca esteve tão longe. O pôr-do-sol teve uma cor diferente hoje, e eu sabia que não podia ser você, mas quando o carro virou a esquina e era da mesma cor do teu, desviei meu olhar do livro que estava lendo instintivamente.&lt;br /&gt;Eu sempre acreditei que o que queria era quebrar teu coração. Na verdade, ando trabalhando bastante para que você possa quebrar o meu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3303787313622914821?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3303787313622914821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3303787313622914821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/09/wide-open.html' title='wide open'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4289653951316797334</id><published>2008-08-27T01:12:00.004-03:00</published><updated>2008-08-27T01:22:47.980-03:00</updated><title type='text'>Esfarrapada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Desta vez, eu não cometi o mesmo erro. Ou quase. Disse tudo, mesmo que na hora errada. Mas ainda ficou uma coisa para trás, a última frase, a acusação derradeira. Bem aquela que me faz querer pegar o telefone e discar seu número. Sempre desisto ao encostar no fone. Algumas coisas não devem ser ditas, mas quando a noite está silenciosa demais, essa última acusação é como uma última bala no tambor, a última chance de falar, a única chance de me sentir conectada a alguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O seu telefone não vai tocar, não falarei coisa alguma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria em vão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4289653951316797334?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4289653951316797334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4289653951316797334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/esfarrapada.html' title='Esfarrapada'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5465984682107375947</id><published>2008-08-24T01:19:00.007-03:00</published><updated>2008-08-24T01:59:16.901-03:00</updated><title type='text'>Exquisite</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sozinha em casa no sábado à noite, imagino o que está acontecendo no mundo. Penso em meus amigos e nas pessoas que conheço sem que elas saibam quem sou. Até arrisco uma voltinha no orkut, mas não dura mais do que cinco minutos. Não estou inspirada para bisbilhotar a vida dos outros; aliás hoje, pela primeira vez em muito tempo, eu não quis mexer em algum entulho. Até estranhei, onde estava aquela sensação horrível de culpa? Onde estava a dor por ter sido rejeitada de novo? Onde estava o arrependimento? E a pergunta mais inacreditável da História, onde estava o desejo, a vontade de ser abraçada, o querer a cumplicidade, o morrer por aqueles lábios? Eu não sei. Hoje não precisei de você, nem da sua lembrança porca, nem da raiva que tenho da sua ignorância. Amanhã, pode ser que tudo volte a ser a auto-flagelação rotineira, mas por enquanto ainda é noite de sábado e eu prefiro pensar na curta distância entre aqueles que se amam como o vazio por excelência. Nesta noite, não quero passar batom. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5465984682107375947?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5465984682107375947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5465984682107375947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/exquisite.html' title='Exquisite'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6344544328663399011</id><published>2008-08-20T20:16:00.004-03:00</published><updated>2008-08-20T20:31:30.175-03:00</updated><title type='text'>qwerty</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As coisas simplesmente acontecem, e raramente do jeito que achamos que deveriam acontecer. Alguns preferem comparar os eventos ao ideal imaginado e acabam definindo o mundo pelo que ele não proporciona, pela distância entre a realidade e o estado ideal. Outros preferem não comparar nada, aceitando os limites da vida e evitando qualquer tipo de idealização. Ainda há aqueles que encaram a realidade e a idealização como dimensões separadas, porém intercambiáveis. Os primeiros são eternos insatisfeitos; os segundos, conformados; os últimos, os autênticos sonhadores. É impossível passar pela vida sem pertencer a pelo menos dois desses grupos. Em comum há o fato de todos conhecerem muito bem o significado da palavra &lt;em&gt;frustração&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6344544328663399011?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6344544328663399011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6344544328663399011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/qwerty.html' title='qwerty'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5425438166040212283</id><published>2008-08-18T00:25:00.005-03:00</published><updated>2008-08-18T00:49:21.863-03:00</updated><title type='text'>Carta aberta a você</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ando dispersa, errando as pedrinhas no chão. Ando pensando merda demais e rindo sozinha. As coisas têm estado meio solitárias por aqui, parece que todo mundo mudou os trajetos para casa. Ou talvez todos tenham mudado de casa e eu ainda não fui avisada. Talvez o meu telefone esteja quebrado. O celular sem crédito, claro. Sempre. Os correios voltaram da greve semanas atrás, mas eu ainda não mandei as cartas que por sinal ainda nem escrevi. E dessa vez, eu tenho algumas coisas para contar. Tenho que contar que despiroquei e perdi o namorado. Tenho que contar da minha nova rotina. Tenho que contar que meus amigos já não me procuram quando querem desabafar e que ando com menos vontade de sair. Pouca vontade das luzes amarelas de Downtown, pouca saudade dos jovens felizes que inundam as sextas e os sábados. Tenho ficado mais em silêncio. Tenho sentido falta de abraços. Tenho odiado todas as pessoas que conheço e seus preconceitos baratos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podemos ficar assim?, se a gente não andou se falando, se você não mandou notícias, se eu briguei contigo ou se sonho em te matar, se eu fui uma pessoa horrível ou uma péssima amante - não sei. Você já sabe, eu sou calada demais e rancorosa, mas as coisas não tem sido fáceis e no fim das contas, eu te amo. E é isso que importa, não é? Espero que importe, pelo menos. &lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Isso não é literatura, isso é uma carta. Por favor, leve tudo o que está escrito da forma mais pessoal que conseguir. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;abraços apertados,&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;barb.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5425438166040212283?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5425438166040212283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5425438166040212283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/carta-aberta-voc.html' title='Carta aberta a você'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6981030212923354879</id><published>2008-08-14T00:41:00.005-03:00</published><updated>2008-08-14T00:57:21.541-03:00</updated><title type='text'>Desculpem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Culpe o mundo. Culpe a cidade pequena de onde você veio. Culpe o clima e a chuva que não te deixou sair de casa. Culpe o frio pelo vento gelado e culpe o calor pelo suor. Culpe as distâncias e os ônibus lotados que tem que pegar. Culpe o governo pelas taxas e o trabalho pelo salário ruim. Culpe a velhice e a previdência. Culpe mamãe e papai, culpe o tempo. Culpe a infância mas mais do que tudo a adolescência, culpe a escola. Culpe os amigos de infância e culpe as mudanças que se impõem sem trégua. Culpe a conexão ruim. Culpe seu namorado por não ligar e culpe o homem que você ama por não dar a mínima por você existir. Culpe a mentira que está nas coisas e culpe as palavras que usaram para descrevê-la. Culpe a doença e culpe o remédio que te fode o corpo, culpe o remédio que não funciona porque você não quer tomar. Culpe o estado de coisas. Culpe a tevê e suas estrelas, culpe a astrologia. Culpe o seu filho por não poder sair de casa, culpe a louça na pia. Culpe o jogo e suas regras. Culpe tudo o que conseguir, aponte o dedo mas não toque, pois se você o fizer, os objetos da culpa serão parte de você. E todos sabemos que apenas os imbecis culpam os espelhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6981030212923354879?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6981030212923354879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6981030212923354879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/desculpem.html' title='Desculpem'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6627438675284887469</id><published>2008-08-10T14:57:00.006-03:00</published><updated>2008-08-10T16:27:15.292-03:00</updated><title type='text'>No topo do mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Abro os olhos e a parede branca me encara. Não vejo nenhum relógio mas sei que é tarde. Sei que hoje será um dia perdido, monótono, bobo até; e isso não me incomoda. Fico um longo tempo na cama, já acordada. Sem vontade de comer ou fumar. Preguiça. Ressaca. Penso neles e nas manhãs de domingo em camas alheias. Apesar do tédio da Cidade já são tantas histórias, e tão intrincadas. Tantos toques e tantas vezes a solidão compartilhada nesses mesmos toques que deveriam saná-la. Lembro-me de acordar antes, eu sempre acordo cedo em lugares onde, em princípio, eu nem deveria ter dormido. E as visões magníficas, as cenas mais lindas da história da humanidade: homens bonitos dormindo. Eu os observava sem o menor rastro de paixão e com a certeza da minha sorte. Eu sou uma mulher de sorte. Tenho sorte em ter dormido nessas camas e tenho sorte de ter a minha. É bom acordar sozinha. Um fantasma sai da parede, insinua sua face lívida e encosta seus lábios nos meus. &lt;em&gt;Acabou, querida. Acabou&lt;/em&gt;. Levanto-me e caminho até a cozinha, tomo um copo d'água, muita sede. A casa está silenciosa e vazia, e poder escolher qual disco vai inaugurar meu dia faz com que eu me sinta muito, muito feliz. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6627438675284887469?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6627438675284887469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6627438675284887469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/no-topo-do-mundo.html' title='No topo do mundo'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7676542746370884520</id><published>2008-08-08T00:09:00.008-03:00</published><updated>2008-08-09T00:53:02.719-03:00</updated><title type='text'>Indian summer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;eu andava na praia, descalça, os pés na água fria. pensando em tudo e em absolutamente nada, revendo amigos antigos na memória, com a certeza de não carregar nada, tinha deixado todos os presentes em casa. na lembrança, tudo fica ainda melhor, maior, mais louco, o amor amplificado. pensava em meus comparsas e em como há tanto tempo deixamos de nos procurar. pensei em como a minha vida pode ser resumida nos convites que fiz e recebi, tantas vezes recusados. o céu estava nublado, mas podia ser que o céu abrisse em tempo de se ver ainda o pôr-do-sol. tantas coisas a se fazer, e uma vaga disposição a adiá-las em nome do sol que não sai há dias. há dias demais. não tenho mais o sol na lembrança. eu andava pela praia seguindo a linha da maré, olhando sempre para o leste, rumando sempre o norte, uma certeza infundada de que seguindo reto por dentro do mar eu encontraria as Índias. as minhas. do outro lado do mar, uma vontade grande demais para ser mentira, a vontade de que exista Shackleton Heart. continuo andando na mesma direção, mas em certo momento me volto para oeste, afinal o oeste é meu ponto de referência. é onde moro. um montinho na superfície impecavelmente lisa de areia chama minha atenção e vou até ele. as penas despenteadas, o bico já meio enterrado na areia. imóvel. silencioso. um pingüim morto. esta é a verdade inexorável: alguns pingüins morrerão numa praia fria e cinzenta. alguns pingüins param no meio do caminho e nunca chegarão ao eterno verão equatorial. volto para a água e sigo andando. urubus não demoram a achar pingüins mortos e eu não estarei por perto quando eles forem trinchados. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7676542746370884520?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7676542746370884520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7676542746370884520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/indian-summer.html' title='Indian summer'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-998557589940907487</id><published>2008-08-03T17:44:00.003-03:00</published><updated>2008-08-03T17:55:23.892-03:00</updated><title type='text'>Detroit</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As distâncias aumentam e todos se utilizam de métodos ligeiramente diferentes para a manutenção da minha dependência. Acham que me enganam. Não sabem que, uma vez que começo a desconfiar, destruo silenciosamente tudo o que já foi beleza. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Desculpem. Sinto-me mal, mas não há arrependimentos aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-998557589940907487?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/998557589940907487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/998557589940907487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/detroit.html' title='Detroit'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-9190012368727338414</id><published>2008-08-02T16:57:00.009-03:00</published><updated>2008-08-08T01:02:17.564-03:00</updated><title type='text'>Manhã de mentiras</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Cuidado com os seus desejos. Eles podem se realizar.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Consegui me reconhecer em cada uma de suas pequenas idiossincrasias: a posição da cabeça cravada no ombro, as pernas esparramadas pela enorme cama, o jeito de puxar as cobertas que sempre o deixava com a nuca e uma parte das costas desprotegidas. Um homem muito bonito, sem dúvida alguma. Era manhã, eu não tinha fome nem ressaca, a chuva batia no vidro da janela e eu pensava naquele outro cara, em como ele dormia. Pensei com saudade na nossa forma especial de performar romances. Ele me chutou de sua cama, e então eu ali. Era manhã. Eu já o havia amado, ele dormia e eu o observava em silêncio e em paz. Existia um certo vazio na minha indiferença. Existia um certo orgulho em pensar em outro cara enquanto estava ali. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-9190012368727338414?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/9190012368727338414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/9190012368727338414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/08/manh-de-mentiras.html' title='Manhã de mentiras'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2201457860353542045</id><published>2008-07-17T23:31:00.004-03:00</published><updated>2008-07-18T01:06:50.275-03:00</updated><title type='text'>Heartbreaker</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Come pick me up, take me out, fuck me up, steal my records. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Episódio 1.&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando acordo, estou virada para a parede. Os quadros pendurados nela me dão ânsia. Eu pintei os quadros, anos atrás, anos demais. Bonitos, mas o tempo que estão pendurados na parede e o desgaste que meu olhar ocasionou não deixam dúvidas: são pinturas sem alma, deveriam ser aniquiladas, protegidas do julgamento ímpio do tempo, que não deixou espaço para tanta cor. "Se te incomodam tanto, pendure outros no lugar", dizem. Já eu acho que o mundo está saturado de imagens e, pelo menos ao acordar, prefiro uma parede branca.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma parede nua. Destes quadros já não quero mais nem os buracos para a fixação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Estou cansada. Passei meia madrugada esperando a Ligação de alguém que já nem me interessa mais, como os quadros. Mas eu espero. Tenho esperado há meses e o telefone nunca tocou. Ok, estou sendo dramática: o telefone tocou sim, mas não era a Ligação, não a Ligação com éle maiúsculo, tive ligações com éle minúsculo (várias), algumas que nem mereciam o movimento do ar causado pelo barulho dos toques, e até mesmo recebi algumas ligações em caixa alta e com artigo, assim: A LIGAÇÃO. Por melhores que fossem essas últimas, não eram a Ligação. Não era um quadro antigo ligando. Não eram os fantasmas com os quais gostaria de acertar as contas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não dói muito não, é só chato. É só uma farpa que não consigo tirar da palma da mão. A pele começa a se restaurar em torno da farpa e ela fica mais e mais presa. Na maior parte do tempo não faz nenhum mal, só que às vezes o telefone toca e quando pego o fone, é bem o local da farpa que entra em contato com o plástico do aparelho. Incomoda e às vezes atrapalha a conversa, que até pode ser A LIGAÇÃO. Não consigo me concentrar com a dor aguda na extremidade. Quando faz frio eu sinto bem mais a sua presença. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já tentei várias coisas. Já tentei ignorar tudo o que aconteceu. Já tentei tirar com alicate, e até mesmo procurei madeiras diversas para aumentar o número das farpas, assim essa seria apenas mais uma, eu as confundiria e ela perderia o significado. Não deu nenhum resultado. Não se escolhe pai e mãe e não se escolhe aquilo que entra na pele. O controle que temos sobre o que nos atinge é ínfimo, é tão pequeno que chega a ser ridículo. Minha resposta tem sido ainda mais, tem sido desproporcional. É só uma farpa. É só uma letra maiúscula em Ligação. Não consigo retirá-la e não consigo esquecer que ela está ali. É quase um exercício de narcisismo: naquelas tardes preguiçosas de domingo, olho para a farpa por horas, repasso mentalmente as circunstâncias que a fizeram chegar até ali. Para cada evento, um arrependimento. Para cada arrependimento, algo que eu gostaria de dizer. Ainda. Depois de todo esse tempo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dylan, you son of a gun, você sabe que estou esperando. Por que não pega a droga do celular e me dá um toque? Sei que não fui a melhor das mulheres, mas não precisa nem gastar um centavo dos teus créditos. Me dá um toque que eu ligo de volta. Largue mão dessa cara blasé e das suas indiretas de que já está fora disso faz tempo. Conheço teu tipo e sei que não sou nada perto do mar de sluts com quem você costuma sair, mas também sei que agora você está sozinho em casa, coçando o saco, fazendo nada. Desliga a tevê e me liga. Por favor. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O celular toca uma vez. Corro para atender, mas o visor acusa: ligações perdidas: 1. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2201457860353542045?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2201457860353542045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2201457860353542045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/07/heartbreaker.html' title='Heartbreaker'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1850888429439075760</id><published>2008-07-16T00:04:00.005-03:00</published><updated>2008-07-16T01:05:04.984-03:00</updated><title type='text'>... e foguetes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os cadernos têm sido freqüentados, o blog não. Existe alguma coisa no redator do blogger que parece me intimidar nestes dias, e eu não sei exatamente o que é. Cheguei a imaginar que fosse a combinação bege e branca do design. Ou que talvez só estivesse mesmo pouco inspirada. Mas fica ali o fantasma, o blog que abro de vez em quando para procurar algum texto, e tenho voltado aos antigos, tenho remexido nos arquivos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns textos ainda fazem muito sentido. Tomek ainda atormenta as três minas e estou naquelas fases de empilhar histórias dentro do armário do meu coração. De alguma forma, não consigo terminar nenhuma relação que tenha iniciado nos últimos tempos, sempre fica algo para trás, algo não dito. Odeio isso. Odeio assuntos pendentes que me seguram no passado e me impediriam de andar para a luz se eu morresse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que a situação não começou há pouco tempo. Tenho desde sempre histórias que vão e voltam e mais ou menos uma noite por mês que tomo uma ducha só para poder chorar em paz. No entanto, nada demais. Sempre chega uma hora no banho em que o fantasma da conta de água sussurra mais alto do que o fantasma das paixões passadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas enche o saco. Principalmente porque essa noite do mês sempre é a conseqüência do surgimento de uma nova história, com coisas não-ditas, pequenos segredos bobos, alguns xingamentos presos na garganta. Então volta tudo e eu choro retrospectivamente. Eu poderia ter dito isso ontem, eu poderia ter chamado aquele cara semana passada, eu poderia ter aberto o jogo com minha amiga há dois meses, eu poderia ter feito tudo diferente com Gavin.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso tem nome: arrependimento, que nada mais é do que a capacidade de lamentar um erro antes de cometê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho certa vergonha de me arrepender, pois o arrependimento assim definido parece um atestado de burrice. Sei, no entanto, que antes de ser burrice o arrependimento é só uma das conseqüências nefastas da inércia, da qual é muito mais difícil escapar. Não consigo usar essa dificuldade como desculpa. Eu não me desculpo. Só sei me culpar e talvez por isso me arrependa tanto, e saiba me arrepender tão bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava conversando com um sujeito um tempo atrás, comentei que eu me arrependia muito e sempre e ele achou uma idiotice. Perguntei se ele nunca havia se arrependido e ele respondeu com um seco e objetivo 'não'. Eu já havia sacado que ele não tem vocação para o arrependimento, o que compensa com um talento raro para a arrogância. É uma das coisas nele que sempre me deixou intrigada, não consigo imaginar como ele leva sua vida desse jeito, mas antes que pudesse me aprofundar nas investigações sobre a questão ele sacou que eu estava me retraindo, escondendo o jogo, não contava coisas o suficiente, não abria o mínimo, e como obviamente não se sentia atraído pelo meu talento para o arrependimento (quem se sentiria?), resolveu se afastar antes que eu tivesse a coragem de vomitar as estrelas que eu possuo e que assegurariam salvação eterna a nós dois. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele, na versão &lt;em&gt;barbara arrependida lamenta&lt;/em&gt;, é personagem de parte desse blog, mas quase que o tema principal do caderno. As poucas pessoas que sabem que ele existe dessa forma para mim são unânimes em dizer que eu deveria tomar uma atitude e vomitar as estrelas de uma vez, fechar o caso e a ducha, e acham que eu não faço isso por medo de ser rejeitada, medo de vomitar as estrelas e ele dizer não à minha salvação, o não seco e objetivo com o qual ele parece ter tanta familiaridade. Em parte, isso é verdade: tenho medo de ser rejeitada, sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas acho que tenho ainda mais medo de ele aceitar as estrelas, gostar dos meus talentos vis, entender a melhor parte de mim. Estou acostumada a pensar no arrependimento, no tédio, na depressão como pontos certos na lista dos meus talentos. Escrever mais um talento nela - &lt;em&gt;ser amada &lt;/em&gt;- é impensável, seria um mistério grande demais para mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1850888429439075760?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1850888429439075760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1850888429439075760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/07/e-foguetes.html' title='... e foguetes'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2504486652897394101</id><published>2008-07-06T01:08:00.006-03:00</published><updated>2008-07-06T01:21:17.004-03:00</updated><title type='text'>Um desejo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este silêncio me incomoda como uma edição atrasada do chá das cinco. Este silêncio, se bem interpretado, pode te dizer mais do que todos os livros de filosofia. Este silêncio me mata não por sua existência, mas sim porque sei muito bem o que ele significa. Como os tomates que esperam ansiosos na gaveta da geladeira ou uma garrafa aberta na mesa da cozinha. Este silêncio me contou todos os segredos do universo e os reconheço nas meninas que sempre viram seus torsos para aqueles que negam o pouco que elas precisam. Queria que um dia uma dessas meninas aprendesse a ser blasé, virasse os olhos, guardasse o fogo. Gostaria que um dia uma dessas meninas aprendesse a dizer não. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2504486652897394101?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2504486652897394101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2504486652897394101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/07/um-desejo.html' title='Um desejo'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1203401468558520221</id><published>2008-06-16T00:25:00.009-03:00</published><updated>2008-06-16T01:12:20.652-03:00</updated><title type='text'>Paris</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Paris Hilton, não Paris, França. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou ótima em arquitetar planos de fuga, já pensei diversas vezes em virar bandida por causa disso. Também sou boa em organizar gavetas e armários e gosto do backstage mais do que do gargarejo e talvez do próprio palco. Mas esse último é só especulação, nunca subi no palco, nunca estive sob os holofotes, e por isso gosto tanto das fofocas de Hollywood. Espanto-me ao perceber que estes caras que têm todas as atenções e grana pra cacete têm também talento para fazer merda, estragar tudo e sair mal na foto. A capacidade de cagar no pau é algo que conecta a humanidade, é Deus em sua versão mais primitiva. Mas é claro que existe uma diferença fundamental: se eu estragar tudo definitivamente, não tenho muitas chances além de me entupir de remédios ou de pular do andar sete e meio da universidade. Já aqueles que alimentam as fofocas podem estragar tudo definitivamente e passar uma temporada numa clínica comendo e dormindo bem, ou então construir um parque de diversões no quintal de casa. Às vezes, a possibilidade de continuar vivendo depois da possível destruição do meu mundo me faz querer o palco e invejar aqueles que nunca ficam no escuro pois o sol é uma lanterninha perto da luz dos flashes. Quando penso, porém, em como sou pouco fotogênica, acho melhor simplesmente lutar para que no meu nicho de anonimato urbano eu conserve ao menos uma cama quente e o dinheiro da próxima refeição.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1203401468558520221?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1203401468558520221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1203401468558520221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/06/paris.html' title='Paris'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2322333228117996679</id><published>2008-06-08T18:26:00.004-03:00</published><updated>2008-06-08T22:04:47.716-03:00</updated><title type='text'>Losin' end</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todo domingo uma dúvida aponta um revólver para a minha cabeça: como foi que sobrevivi por mais uma semana? Como diabos um raio não caiu na minha cabeça, como foi que nenhum dos assassinos que com que cruzei na rua não me matou, como escapei ilesa de tantos tiroteios? Como pode que o mundo não tenha me abortado? Então penso nas probabilidades que começam a se descortinar a partir de amanhã. Sempre tenho um plano b que não depende de ninguém. Se tudo der errado, se eu for uma falha na superfície da Terra, se eu for uma espinha na pele impecável de uma modelo, eu sei o que fazer. Se aqueles que amo me machucarem demais e mais uma vez, se eu enjoar definitivamente da solidão, se eu confirmar minha incompetência para existir, eu sei o que fazer. Por enquanto Bruce continua cantando baixinho do lado esquerdo do meu travesseiro. Repasso mentalmente todos os planos b e depois tento ouvir bem o que ele está me dizendo. A chance de que Bruce seja o último homem que irei escutar parece bastante real, quase certa, posso tocá-la sem nem ao menos esticar o braço, uma chance pequena e plúmbea que parece se encaixar perfeitamente nas linhas do destino da minha mão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2322333228117996679?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2322333228117996679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2322333228117996679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/06/losin-end.html' title='Losin&apos; end'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2862204665572303316</id><published>2008-06-06T22:01:00.007-03:00</published><updated>2008-06-07T00:26:38.710-03:00</updated><title type='text'>Atlantic City</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei direito o que me incomoda, se são minhas noites solitárias sobre as quais construo minha fama ou se é tudo que minhas noites podem significar. Não tem resposta e eu não posso fazer nada quando por alguma razão resolvo me ausentar um pouco, e o que recebo é aquela frase  quase sussurrada, &lt;em&gt;eu sinto sua falta&lt;/em&gt;. Talvez algum dia eu também vá sentir. Talvez um dia todas as ameaças ao meu novo refúgio, o frágil castelo que ergui no meio da Cidade, sejam levadas a termo e eu acabe de volta ao lugar onde comecei. Talvez o castelo seja implodido e eu acabe percebendo que tudo foi apenas a ilusão em que eu sempre quis acreditar. Talvez tudo isso aconteça e eu lamente o fato de um dia ter deixado o meu lugar no balcão do bar, talvez eu lamente ter aberto a boca, talvez tanta coisa. Por enquanto estou bem, fora estes sussurros, &lt;em&gt;eu sinto sua falta&lt;/em&gt;. Eu sinto sua falta também. Mas não dá mais: eu estive aqui esse tempo todo, escutando atenta e esperando que alguém colocasse a mão nas minhas costas e dissesse que eu fazia sentido, enquanto todos faziam tudo que não era eu fazer sentido. Agora eu preciso ficar longe, eu tenho um castelo de cartas em Downtown e tenho uma passagem que ganhei para Atlantic City. Você me diz que nas cartas do meu castelo não existe um ás e eu sei que estou sendo injusta e apressada. Mas não posso deixar de entrar no ônibus só porque você está me perdendo, perdendo o seu plano b, a garota reserva, a última opção caso todo o resto dê errado, e eu entendo, todo o resto não pára de dar errado e você não quer acordar sozinho mais uma vez. Sinto muito, Atlantic City me espera e eu vou ter que te dizer não. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2862204665572303316?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2862204665572303316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2862204665572303316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/06/atlantic-city.html' title='Atlantic City'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-942783050007195173</id><published>2008-06-02T00:10:00.004-03:00</published><updated>2008-06-06T21:51:02.524-03:00</updated><title type='text'>unsaid#2</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ontem antes de sair de casa joguei fora todos as páginas dos poetas provincianos que falavam de amor. Ao chegar em casa hoje, era reconfortante saber que não havia mais rastro daquelas mentiras bobas dentro das pastas, dentro dos armários, já que há muito não estavam dentro do meu coração, esse órgão ridículo e mentiroso. Voltei para casa a pé, a manhã cinzenta, e um peso que não está nas minhas costas. Não precisa estar. Mesmo com todas as facas e facadas que carrego. Voltei para casa a pé, estava perto de Downtown, e tive tempo suficiente para pensar e preparar o inferno das paredes de casa. Regurgitei as lembranças tão amargas de noites anteriores e cuspi aquilo que deveria nunca ter entrado em mim. &lt;em&gt;Pelo tempo em que andei não senti culpa&lt;/em&gt;. Não que tenha sido fácil. Mas que foi mais simples do que eu poderia esperar, ah isso foi. Porque quando decido não carregar em mim toda a dor dos corações alheios - esses órgãos ridículos e mentirosos - a vida parece um jogo em que aqueles que têm a habilidade de cometer faltas sem serem notados são os que ganham. Os sentimentos se reduzem a estratégias bem pensadas. Talvez eu precise de mais perspicácia. Ontem mesmo, antes de jogar fora as páginas dos poetas provincianos que falavam de amor, eu conversava com a minha amiga dos olhos verdes pelo telefone e me peguei num passo em falso; ela apontou a estratégia de alguém e eu disse "não, imagina, ele não faria isso". Não seria essa uma versão possível do velho e frustrante "acho que dá pra confiar nele"?. "Eu confio nele". Eu confiei no que ele me disse e ele estava certo enquanto o assunto eram os meus hematomas e não os dele. Mas quando chega a minha vez de dizer que fiz a coisa certa, de que existe algo acontecendo agora, então é o meu taco de beisebol que acerta alguma coisa: é precisamente minha paixão pela rotina o que me torna tão atrativa; minha previsibilidade, minha chatice até; isso é o que faz com que a Cidade torça e colabore para minha inércia. Porque o mundo pode estar girando mais rápido que o som, a Cidade pode estar caindo em tremores de terra que a escala Richter não daria conta, mas eu estaria lá, como sempre. Atraentemente previsível, inerte, chata. Alimentando o tédio, o descaso, a falta daquilo que ferve. E então algo acontece, o chão em que piso se abre, eu não sei mais o que fazer, tão inesperado, tão diferente, tão &lt;em&gt;bonito&lt;/em&gt;, as coisas estão mudando no eixo da Terra e sim, o eixo da Terra sou eu. E eu não preciso ferver. Eu me afasto. Eu levanto minha cabeça porque o que vislumbro ao mudar de ponto de vista é maior do que a culpa e eu me dou um direito de ser um pouco feliz, me dou o direito de não pensar se mereço. Eu apenas engulo com prazer aquilo que o mundo me oferece. É o que sempre faço. Engoli por tanto tempo o tédio; agora é bom sentir outro gosto. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-942783050007195173?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/942783050007195173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/942783050007195173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/06/unsaid2.html' title='unsaid#2'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1518194046236942717</id><published>2008-06-01T15:39:00.006-03:00</published><updated>2008-06-06T21:52:08.254-03:00</updated><title type='text'>drama queen (unsaid#1)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu poderia culpar o céu cinza por esse domingo asqueroso, o clima seria a justificativa perfeita para um dia que nada promete. Senti-me assim tentada a procurar subterfúgios mas não acredito neles o suficiente: não consigo distribuir responsabilidades e por isso às vezes me perco, transitando entre as posições de vítima e culpada, eu sempre uma silenciosa e calma drama queen. Eu nunca vou dizer que a culpa é sua, a menos que eu queira te fazer mal - o que acontece, mas não com tanta freqüência -, a menos que eu queira me fazer bem, e rápido, machucar aqueles que amo e então lançar-lhes aquele olhar cínico e altivo, ahhhhh: por vinte segundos eu tenho poder sobre você. E este é todo o poder que eu tenho, se desvanecendo em 19, 18, 17, 16,... e neste domingo seco e frio em que a minha maior sorte é ter saído de casa com cachecol, eu tento fazer planos, eu tento parar de esperar que alguma coisa aconteça, eu tento recomeçar o dia com um café, eu tento me convencer de que as noites passadas não foram erros, eu tento pensar de novo o que tenho pensado tanto nos últimos tempos, eu penso meu deus! como tenho sorte! o que acontece comigo é mais difícil do que ganhar na loteria! como tenho sorte! e sei que estou certa e mesmo assim, não consigo dar o sorriso maroto no final do pensamento, hoje o dia está parado e não tem remédio, eu tenho sorte sim mas não há sorte no mundo que possa me fazer virar a cara para os abismos que circundam aqueles que amo e que tantas vezes quero machucar, e tantas outras vezes não quero, mas machuco assim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1518194046236942717?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1518194046236942717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1518194046236942717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/06/drama-queen.html' title='drama queen (unsaid#1)'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1090905544357850117</id><published>2008-05-26T00:35:00.006-03:00</published><updated>2008-05-26T01:39:46.262-03:00</updated><title type='text'>La Grande Jatte</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seus olhos verdes estavam escondidos pelas lentes escuras dos óculos e era impressionante a gente se encontrar ali. Eu nem teria visto - na maior parte do tempo, tenho o péssimo hábito de ver apenas aquilo que procuro (e às vezes nem isso). Ouço sua voz me chamando pelo apelido, "barb", ela é a única que me chama assim. Portanto, uma ótima surpresa num domingo tedioso e inerte no qual só saí da cama porque tinha de trocar os lençóis. Conversamos bastante, até anoitecer. A conversa é agrádável apesar dos assuntos dos quais tratamos serem bastante amargos. Pisco vagarosamente e ela sabe que esse é o sinal mais veemente da minha tristeza. Ela não comenta. Apenas me deixa falar e não me recrimina. Amanhã temos que levar aquilo que geralmente se chama de vida, e antes de ir embora ela me deseja boa sorte, "boa sorte, barb", ela diz, usa de novo meu apelido pelo qual ninguém me chama, "barbara" é como escuto vocativos, variando entre secos ou doces e me pergunto por que ela não me chama assim também. A resposta vem rápido na minha mente. Pisco vagarosamente. Ela tem um grande coração, um coração que não foi ferido por mim. Sobre os de todos os meus outros amigos, aqueles que me chamam "barbara", não posso fazer o mesmo comentário.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1090905544357850117?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1090905544357850117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1090905544357850117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/05/la-grande-jatte.html' title='La Grande Jatte'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7160027429008357576</id><published>2008-05-24T22:20:00.012-03:00</published><updated>2008-05-25T23:59:44.944-03:00</updated><title type='text'>Except temptation</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para todos aqueles que foram Lord Henry Wotton para mim.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A primeira coisa que sinto ao recobrar a consciência é o gosto de sangue mas não procuro fendas. Abro os olhos e as pálpebras pesam como se eu acordasse pela primeira vez. Por um momento fico desorientada ao perceber o grande quadro azul na parede branca, mas logo me vem à memória a história de como cheguei até ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu me lembro de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Viro-me para o outro lado e pela porta entreaberta consigo ver para além do corredor aquele que ocupava o outro travesseiro da cama, fumando ao lado do fogão no qual uma chaleira começa a apitar. Ele bate as cinzas dentro da pia, distraidamente. A luz do sol entra pela janela alta e deduzo que ainda é manhã. Por enquanto estou safa. Sei que não vai durar muito, lembro-me da noite anterior e tento especificar o momento em que apertei o botão que ligou a bomba-relógio. Posso ouvir seu tique-taque e agora não tem mais nada que eu possa fazer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanto-me e procuro as roupas que ele colocou, com certeza depois que eu dormi, em cima da cadeira no canto do quarto. Visto a blusa e a calcinha e saio do quarto com o sutiã na mão. Encontro minha bolsa na estante da sala e guardo o sutiã nela. Procuro em vão meu maço na bolsa. Vou até a caixa de madeira na primeira prateleira da estante da sala, abro a tampa e tiro um cigarro de dentro. Sento-me no sofá e acendo, espero que tire o gosto de sangue da minha boca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O cheiro forte do café começa a encher o ambiente. Respiro devagar e tento desvendar o mistério: qual é afinal a cor do fio que se corta para que a bomba não exploda? Eu possuo um alicate para cortar o fio? E se o fio for o dedo de Deus, existirá um alicate? Bato as cinzas na taça suja de roxo seco, ainda na mesa de centro. Passo a mão no rosto. Não posso desligar nada, não possuo alicates ou senhas e agora só me resta esperar a explosão. Meu coração acelera e eu tenho vontade de fugir, ou morrer, não sei dizer direito. Eu lembro tudo e não tenho desculpas para o que fiz... desespero-me, deve haver uma forma e -&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;bom dia, barbara&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Percebo pela forma como ele diz meu nome que não posso estar enganada. O tom de intimidade que ele usa não deixa mentir o que se passou entre nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;tudo bem?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele está apoiado no batente da porta com uma mão e segura uma xícara com a outra. O vapor faz desenhos preguiçosos no ar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;é bem cedo ainda... não quer dormir mais um pouco?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sol ilumina seu rosto, criando alto contraste entre as luzes brancas e amarelas e as sombras negras. A luz parece entrar nas suas íris e consigo perceber as variações de cor em seus olhos, apesar da distância considerável entre nós. Paro de pensar. Não escuto mais o barulho da bomba. Balanço a cabeça negativamente, respondendo a pergunta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;passei um café... quer uma xícara?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Balanço a cabeça afirmativamente, ao que ele vira as costas e volta para a cozinha. Assim que some de vista, volto a amargar o grande erro. O ritmo regular da bomba volta a soar em fade in. Não há saída. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele volta com outra xícara cheia e senta ao meu lado no sofá. Não olho em sua direção. Tomo um gole vagaroso do líquido preto. Ele acertou no açúcar. Sei que está me observando fixamente desde que voltou à sala. Continuo olhando para a frente e para o nada. Sei que ele sabe que estou evitando olhar para ele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;tá se sentindo culpada?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meu coração começa a bater muito forte, respondo um sim com a minha voz matinal que parece a voz de um monstro da cripta. Ele chega mais perto e coloca o braço em torno de mim. Encosto minha cabeça em seu peito, meu coração se acalma e de novo paro de escutar a bomba. Continuamos a tomar o café em silêncio. Ele termina antes de mim, tira seu braço do meu ombro e coloca a xícara na mesa de centro. Então, torna a olhar para mim. Com força e delicadeza simultâneas, toca meu rosto e me beija. Levanta-se em seguida, leva a louça de volta para a cozinha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Levanto-me e quase cometo a hipocrisia espontânea de perguntar onde é o banheiro. Consigo frear o instinto de fazer pergunta tão falsamente ingênua, eu lembro tudo, eu sei. Quando fecho a porta do banheiro atrás de mim, o barulho da bomba parece se amplificar na acústica dos azulejos. Observo minha imagem no espelho. A maquiagem borrada, os longos cabelos castanhos desgrenhados, os olhos brilhantes, a frase da noite anterior ressoando em eco dentro da minha cabeça, 'você é linda'. Escuto a voz dele através da porta, de novo meu nome naquele tom macio de intimidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;barbara, se quiser tomar banho, deixei a toalha azul aí pra você.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuo fitando meu reflexo e tenho ganas de gritar a verdade que em breve todos saberão: meu nome não é Barbara, não sou bonita nem jovem. Meu nome é Dorian Gray e de toda a minha vasta, precisa e soberana memória, a única coisa que se perdeu foi a localização do retrato que há mais de século Basil Hallward pintou de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7160027429008357576?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7160027429008357576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7160027429008357576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/05/except-temptation.html' title='Except temptation'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8606629357468033822</id><published>2008-05-16T12:59:00.007-03:00</published><updated>2008-05-21T08:33:35.126-03:00</updated><title type='text'>Pequeno ensaio sobre a casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Há alguma coisa errada", pensei, "quero ficar muito tempo fora de casa". Eu estava certa; meu kipple-ized heart não me deixava encarar as paredes brancas que por tanto tempo abrigam meus sonhos idiotas de receber amor e meus arrependimentos tolos por dar ódio. Eu procurei então ficar anestesiada o mais que pudesse, alongando as noites, ouvindo os problemas alheios, esperando com todas as forças da minha pressão cardíaca que o dia nunca amanhecesse - e, se isso fosse impossível, que pelo menos o dia seguinte me trouxesse o frio e a chuva que tanto aprecio. Meus desejos não são atendidos, o que não me era novidade nenhuma. Sempre acabava lendo as anotações mentais que diziam que nada disso teria resultado. Mas no começo dá certo. Dá certo porque se aproximar das pessoas parece fascinante. Só que quanto mais perto você chega, mais perto está do soco inglês que veste a mão, mais perto dos recalques e tristezas que eu prefiro chamar de idiossincrasias. No fim não me restou alternativa além de pegar o madrugueiro e esperar que as paredes brancas não me recriminassem por chegar tão tarde, ou que não me cuspissem no olho a verdade: já não dá mais certo, agora adiar é somente perda de tempo. Minhas paredes parecem igrejas barrocas, com anjos pelados e santas virgens demoníacas que são o meu maior pesadelo. Eu esperava não tropeçar nos móveis e deitar na cama, e que o sono viesse rápido, bem rápido, que eu não escutasse o ranger das portas e os tijolos estralando por causa do encolhimento pelo frio. No começo dá certo, mas sempre a velha insônia, que tira férias mas não morre. E quando os fantasmas se despregam das paredes e começam seu discurso veemente, nenhum lugar é seguro. As multidões se tornam vazias, os lugares e pessoas que amo e odeio mostram o quanto podem ser hostis, e não me resta alternativa além de encarar as paredes do cárcere privado da minha consciência, os livros não lidos em cima da escrivaninha, o teclado do computador que há tanto tempo não escuto. Eu preciso voltar para casa, para descobrir que os velhos sonhos de amor continuam lá, brigando por seu espaço por entre a culpa, preciso descobrir que ainda há sangue e ele lentamente está passando de vermelho a azul, eu preciso rever os sorrisos solitários no espelho do banheiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo dia, na minha longa jornada em ônibus urbanos, eu passo por uma casa abandonada, provavelmente da primeira metade do século passado. O mato alto crescendo no jardim e o que um dia foram bonitas janelas agora fechadas com tijolos. Eu sempre penso que é engraçado, como a charada do buraco - quanto mais se tira maior fica. Casas são como corações: precisam de consertos e reformas de vez em quando, mas só se conservam quando usadas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8606629357468033822?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8606629357468033822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8606629357468033822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/05/pequeno-ensaio-sobre-casa.html' title='Pequeno ensaio sobre a casa'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4900040097003596956</id><published>2008-05-08T23:27:00.008-03:00</published><updated>2008-05-10T15:17:40.204-03:00</updated><title type='text'>Kleenex</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conheço bem a cena, mas desta vez a conheci como espectadora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O dia está tranqüilo, esteve tranqüilo, daqueles dias em que a gente simplesmente sabe sem precisar de certezas, sabe que ninguém foi assassinado, nenhum motoqueiro imprudente caiu da moto. A Cidade em estado apático no meio da fase depressiva, e a gente sabe que vai chegar em casa. Aumento meu aprendizado de gourmet de terminal enquanto o último ônibus que me levará de volta aos meus pijamas não chega. Sete horas. Não vou conseguir lugar para sentar. Desisti de tentar ser ninja, apenas agüento minhas pernas fatigadas, entro no ônibus e me posiciono, só mais quinze minutos, vinte no máximo. O ônibus fecha suas portas e então eu reparo, no meio de senhores e garotinhas, a mulher com os olhos vermelhos e as pálpebras inchadas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu reparo, eu conheço. Eu sei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A pessoa mais próxima a ela olha para o outro lado e a pessoa sentada logo à sua frente não vai erguer a cabeça e olhar para cima. Ninguém mais vê. A jovem morde os lábios, a jovem agoniza em silêncio, não sei o que fazer, sei que não há nada a se fazer. Continuo a observá-la, ela olha em volta sem rastro de esperança de que ela não esteja tão invariavelmente sozinha; ao mesmo tempo seu olhar é de desespero e ela procura alguém que a conforte. Sem surpresas: ninguém cruza o caminho do seu olhar vermelho e das valas úmidas em seu rosto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não paro de olhar. As lágrimas param de escorrer por um minuto, ela tenta se recompor. Ela tenta se convencer de que o índice pluviométrico de hoje é maior do que o do ano passado inteiro, então tenta parar mas acaba se resignando, uma vez que se joga sal nas nuvens não adianta tentar algum convencimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela se volta para mim em sua procura desesperada e vã. Não sei se estou fazendo certo, não sei se ela quer que alguém note que ela chora, não sei se ela pensa que sou algum tipo de invasora, não sei se quer dividir sua solidão com uma desconhecida. Eu apenas gostaria de lhe dizer, e se não houvesse a lei implícita do silêncio das multidões, eu lhe contaria que uma semana atrás eu estava exatamente no lugar em que ela está, contaria que andei de ônibus por três horas e não parei de chorar, contaria que nunca choro por tristeza, somente por raiva ou solidão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu ponto se aproxima e eu chego a seu lado, já que ela está do lado da porta. Abro a bolsa e tento procurar um presente para ela, o pacote de Kleenex que comprei na semana passada na minha travessia úmida pela Cidade. Não consigo encontrar. Devo ter esquecido em casa. Não há mais nada que eu possa fazer - nunca houve - e se eu pudesse lhe falar alguma coisa, eu lhe asseguraria de que gostaria de lhe dar lenços porque sei que o que irrita no choro não são as lágrimas mas sim a coriza. Eu também tentaria dizer que uma semana depois de hoje as coisas vão ser diferentes e tudo vai estar melhor, mas penso sobre minha vida e percebo que nada está melhor depois da minha crise de lágrimas em ônibus urbanos. Então eu acho que eu apenas diria a verdade, garota, em uma semana seus olhos vão estar secos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pode parecer pouco, mas para mim é um grande conforto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4900040097003596956?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4900040097003596956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4900040097003596956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/05/kleenex.html' title='Kleenex'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6874274220345255172</id><published>2008-05-05T13:03:00.004-03:00</published><updated>2008-05-16T13:30:34.492-03:00</updated><title type='text'>End session</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Curitiba é minha e me deve uma vida.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu nunca consegui lidar bem com a frustração. Talvez porque, como deve pensar Mr. Venturi, a coisa certa a se fazer seja tantas vezes a mais simples e óbvia. A coisa certa é perfeita, fora o fato de que poucas vezes dá certo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No mais, tudo... certo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ando pelas ruas num flanerie tresloucado de olhos inchados. As ruas são um grande alívio para pessoas como eu, para quem o suicídio é muito pouco para os sonhos megalomaníacos: a morte é pouco, o suicídio é fraco. A situação ideal é não existir, e é essa a sensação que tenho ao andar nas tardes da Cidade. Você pode chorar ou ter um derrame ao modo daquele conto do Fake Vampire, ninguém vê, e se vê não liga, todos os habitantes da urbe tranqüilizados pelo fato de não terem de se importar. Sei que essa é uma razão pela qual as pessoas não gostam das cidades. Reclamam de não falarem com seus vizinhos de prédio. Não entendem que é uma questão de sobrevivência não conhecer bem a pessoa que te escuta trepar no teto dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas hoje é um dia sem hippies e eu não precisarei escutar nenhuma reclamação. Posso apenas andar por Downtown, massageando minha tristeza, odiando engravatados que tomam Coca Diet, comendo salgados gordurosos para ver se passa essa dor de cabeça que me dá sempre que choro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;História engraçada: quando estava com Gavin e o via pela manhã, nós cordialmente nos beijávamos, eu sentia um gosto diferente na boca, que não era gosto de comida nem de saliva. Até que um dia, chorando sozinha (provavelmente por causa dele), eu senti aquele mesmo gosto. Toda manhã aquele gosto de tristeza em nossos beijos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguém já reparou que toda vez que escrevo histórias como quem conversa no bar estou tentando fugir de alguma coisa? Acho que não. Acho que ninguém reparou em porra nenhuma. Se bem que eu estava no bar anteontem e a pessoa mais improvável reparou que eu estava estrebuchando como um peixe quando o pescador o tira do mar pela rede. Eu estava lutando pela vida, escrevendo frases de Rocky Balboa no braço com a caneta das contas porque eu precisava continuar viva, eu precisava me mexer, e eu não conseguia sair do lugar, nãonãonão, eu estou sufocando, estive sufocando quase minha vida toda, eu estou sufocando e estou sem ar e meu esterno dói e os cigarros servem para me lembrar que EU TENHO PULMÕES, EU TENHO mas pelo jeito que ando fumando, não por muito tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei o que vou fazer em meia hora, quando meus três reais em internet acabarem e eu precisar voltar às ruas e ao sol, ensaiando para voltar para minha casa e as paredes que me conhecem melhor do que qualquer amor jamais vai conhecer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estou cansada. Acordo cansada e fico cansada até anoitecer, minha consciência carrasca arrastando minha carcaça pela rua, até a noite em que eu não quero dormir, porra, eu nunca quero dormir, eu quero ver tudo e viver tudo e conhecer todas as danças e problemas e sorrisos sinceros de todas as pessoas. Então eu ligo a música bem alto, e eu danço e conheço a minha dança e meus devaneios e meus sorrisos sinceros de quando sorrio sozinha e meus problemas, bem, com esses eu já tenho que conviver toda vez que o sol nasce, então tento abandoná-los quando o sol se põe. Não dá muito certo não, é um plano ruim, mas é o meu plano e eu vou com ele até onde der. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estou cansada, humilhada, culpada, envergonhada. Cansada da vida, humilhada por feios e burros que comem o rabo da minha sereia, culpada por tanta merda que eu fiz para os outros, envergonhada pelas merdas que fiz por mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda assim minha consciência me arrasta para fora da cama todos os dias... e ela é cruel pois sabe que não existe nenhum sentido nessa luta toda além de acabar. E, se às vezes ela me faz levantar para evitar uma derrota feia por nocaute, às vezes me faz tropeçar nas minhas pernas, LONA, às vezes ela me fode porque sabe que ela não é o suficiente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E então, nessa manhã de merda, nessa porra de Cidade que cheira a vômito depois dos clássicos de futebol, eu pergunto para minha imagem refletida no retrovisor do ônibus -&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;quando é que vou sair do luto pelo meu velho coração morto?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6874274220345255172?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6874274220345255172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6874274220345255172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/05/end-session.html' title='End session'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4105669969732098893</id><published>2008-05-03T00:18:00.005-03:00</published><updated>2008-12-11T06:18:18.489-02:00</updated><title type='text'>Coração</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SCXaz-TBEQI/AAAAAAAAAJ4/S5jQW1EDD14/s1600-h/heart02.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198801931300049154" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SCXaz-TBEQI/AAAAAAAAAJ4/S5jQW1EDD14/s400/heart02.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198802270602465554" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SCXbHuTBERI/AAAAAAAAAKA/XHmFZ32s4fo/s400/heart03.gif" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;color:#33ff33;"&gt;&lt;em&gt;Três dias. Esse é o tempo em que fiquei confabulando textos, e tentando escrevê-los, e digitando palavras e excluindo os rascunhos que, agora, apertando o botão do mouse, penso que tiveram sorte em não serem concluídos. No mais, não muito mais. Cagadas usuais sempre, de vez em quando cagadas incríveis. Arrependimentos nos dois casos e a certeza de que agora não dá mais para fugir. Não dá para esquecer que do meu livro, do qual falo há cinco anos, só tenho o título. Não dá para fingir que ando bebendo como um camelo porque acho divertido. Não dá para dizer que ainda tem um charme em fumar quando na manhã seguinte meu peito pesa com fumaça de quarenta cigarros. Não posso mais alegar que minha postura medonha é apenas uma idiossincrasia inofensiva. Não dá mais: eu preciso tomar uma atitude, eu preciso fazer alguma coisa, mas só consigo sentar no bidê, observar os restos da minha vida espalhados no chão do banheiro, não adianta remendar meu coração, as lágrimas escorrem sem perceber, eu não sei o que fazer, não sei.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#33ff33;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5198803730891346210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SCXccuTBESI/AAAAAAAAAKI/VUlzil3Y1Wc/s400/heart04.png" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagens e design da postagem: Eliseu Raphael Venturi   //raphaelventuri.blogspot.com&lt;raphaelventuri.blogspot.com&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4105669969732098893?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4105669969732098893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4105669969732098893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/05/corao.html' title='Coração'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/SCXaz-TBEQI/AAAAAAAAAJ4/S5jQW1EDD14/s72-c/heart02.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7867287931381617009</id><published>2008-04-25T13:16:00.008-03:00</published><updated>2008-04-25T13:40:12.622-03:00</updated><title type='text'>Boa tarde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não sei bem qual é esta vontade que me aponta um revólver para a cabeça em determinadas tardes. Entendo bem meus textos das madrugadas, meu horário preferido desde sempre, entendo que depois de dias estafantes de muita correria e tédio eu sinta vontade de escrever, que para mim é uma atividade de organização. Eu organizo mentalmente as experiências sob o sol, procuro entendê-las e retratá-las de uma forma que pareça que minha vida não é tão ordinária quanto o cotidiano da Cidade faz parecer. Escrever pode ser, assim considerada, uma possibilidade de construir uma ficção da minha vida; sei que construo farsas. Alguém já disse que o primeiro personagem que o escritor inventa é ele mesmo, portanto todos os nomes nas lombadas dos livros são alteregos, e é impossível inventar pseudônimos. Acho que todo nome exprime realidade, assim como todas as outras palavras que são escritas com iniciais maiúsculas ou minúsculas. As madrugadas me são dedicadas às paixões platônicas, inclusive às paixões platônicas pelo meu trabalho, pelos livros que leio, pelos seriados de tevê. Entendo isso, posso formular a vontade de escrever durante o silêncio, quando sei que a Cidade ou dorme ou está bêbada demais para pensar. Mas e então, me cospe essa vontade vespertina, &lt;em&gt;barbara lovelock, você precisa dizer alguma coisa antes do sol se pôr&lt;/em&gt;. Eu tento escapar. Eu tento pensar que tenho mais o que fazer, afinal, são agora perto de duas da tarde e eu não arrumei a cama, eu não almocei, eu ainda não penteei o cabelo. Não consigo organizar nada de tarde. Não aconteceu nada ainda. &lt;em&gt;barbara lovelock, senta esta pôrra deste rabo na cadeira e escreva&lt;/em&gt;. Mas eu ainda não tenho nada a organizar! &lt;em&gt;barbara lovelock, eu sei que seus dedos coçam, anseiam pelas teclas&lt;/em&gt;. Mas o que posso dizer se ainda não tenho nada a comunicar? &lt;em&gt;puta que pariu, barbara, se existe a vontade é porque existe alguma coisa que ainda não foi dita&lt;/em&gt;. Não vai sair nada que preste, já vou avisando de antemão. &lt;em&gt;escute esse nó na garganta, criatura! você vai, e precisa dizer algo! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A luxúria das palavras me convence. Sento e começo a escrever, as palavras saem com facilidade, num exercício de metalinguagem que desta vez, me parece um pouco mais perto da realidade do que meu esforço habitual de construir ficção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luxúria, você estava certa. Há ainda muita coisa a ser dita, e eu quero dizer. Se escrevo nas tardes, é por frustração do exercício da voz, do contato, da vida. Se escrevo nas tardes, é porque estou na mais inescapável solidão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7867287931381617009?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7867287931381617009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7867287931381617009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/04/boa-tarde.html' title='Boa tarde'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5111106805437517764</id><published>2008-04-25T00:32:00.008-03:00</published><updated>2008-04-25T00:52:55.255-03:00</updated><title type='text'>Ímpar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um bilhão de boas idéias passando pela minha mente e tudo em que consigo pensar é: eu falhei. Olhem para os arquivos de April 2008, olhem para as noites ridículas e pessoas mais ainda, olhem para tudo, olhem em volta. April 2008 denuncia o começo de uma morte invariável, ainda não irreversível, mas doída. Entre tantos sofás, eu penso na minha vocação de terceira ou quinta roda. Eu sou, sem dúvida, ímpar. Um número sem par. E não pensem que me vanglorio disso - se ainda me restasse alguma vantagem sobre esse número, eu diria. Eu cuspiria em notas em todos os jornais da Província. Eu andaria sobre os saltos mais altos, mais amedrontadores que qualquer homem jamais viu. Mesmo assim tudo o que tenho é o Vômito Sagrado do Destino se preparando para terminar de esvaziar o estômago de Deus; as meninas continuam altas nos seus saltos médios; os sofás continuam vazios apesar de todas as demonstrações de afeto. Eu desisto. Puxo e jogo a toalha da mesa sem que os pratos se movam, tão habilidosa. O mundo continuará a alimentar a superlotação dos cemitérios, e eu já não ligo. A quinta roda é sempre a roda dispensável, a que está no porta malas, a que está lá caso tudo dê errado. Apenas escute o que estou dizendo: se tudo der errado, eu vou te deixar na mão. Eu prefiro tomar cerveja sozinha como sempre faço a me excitar num jogo com você. Eu voltarei sozinha para casa entre um muro de traficantes, entre uma blitz policial, entre radares e câmeras de filmes hollywoodianos que os grandes roteiristas americanos nem poderiam imaginar. Eu sou o número ímpar, eu não tenho par, mas é o seguinte: DESISTO OFICIALMENTE DO AMOR. AGORA NADA PODE ME PARAR.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5111106805437517764?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5111106805437517764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5111106805437517764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/04/mpar.html' title='Ímpar'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1835034187434582723</id><published>2008-03-30T17:01:00.003-03:00</published><updated>2008-03-30T17:30:20.612-03:00</updated><title type='text'>An idle man-about-town</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para aqueles que possuem a incrível capacidade de se apaixonar&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não tenho mais por que mentir. As razões desapareceram, e tudo porque: eu não coloco mais meu coração em questão. Não tenho mais por que negar que a vida me passou a perna, mais de uma vez, e eu ainda não tive forças para levantar. Continuo rastejando por aí, não como uma desejável Crawling Queen Snake who rules her den, mas como alguém que perdeu a localização de um ferimento e agora sofre com a dor sempre que respira. Eu ainda não levantei e sei que isso faz mal para todos que me cercam. E para mim também. E não é que eu não queira levantar. Eu quero levantar, quero confiar no meu tornozelo ainda que o tenha torcido, e depois de levantar e olhar o mundo de cima como nunca antes (pois nunca abri os olhos em cima da montanha, nunca larguei a barra de segurança da montanha-russa) voar em flaneries com a certeza transcendental de que meus pulmões agüentam a poluição da Cidade. Eu quero. E eu adoraria também voltar a escrever cartas de amor ridículas. Vocês ainda não sabem, mas foi assim que decidi escrever: escrevia porque queria dar amor. Não deu muito certo, como vocês podem verificar nos arquivos. Hoje rastejo por camas que não são minhas e escrevo cartas sobre o que falta nelas. Perdi muitas habilidades que tinha. Perdi a flexibilidade. Perdi a capacidade de olhar para frente e acreditar em dias ensolarados. Eu sei muito bem o que se esconde atrás do sol. Tenho muito medo dos meus medos que o sol ilumina e do passado com o qual apenas eu me importo. Eu não posso mais escrever cartas de amor porque perdi a eloqüência do apaixonado. De tanto doer pela falta de amor petrifiquei-me. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas me deixe tentar uma última vez:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;obrigada por ter dito aquilo, diga de novo. eu quero te rasgar e fotografar tuas tripas. eu quero te arrastar num flanerie comigo. eu quero que você me traia e se arrependa e volte para os lençóis que enquanto eu viver nunca perderão meu cheiro. eu quero escutar a tua voz do outro lado da linha, quero estremecer ao ver teu telefone no identificador de chamadas, eu quero conquistar a tua mãe. eu te quero tanto e quero te dar tudo até que eu morra do vazio de você, eu quero que você me coma e jogue os restos aos cachorros. eu quero te amar tanto que não sobre nada de mim. obrigada por ter dito aquilo, obrigada por ter prestado atenção -&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sabe, quando eu escrevo no blog, sempre há uma esperança um pouco pueril de que eu vá ser lida. Mas nesse caso não posso fingir, não há interlocutor, minhas cartas de amor são mudas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1835034187434582723?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1835034187434582723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1835034187434582723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/idle-man-about-town.html' title='An idle man-about-town'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4285611779508485608</id><published>2008-03-28T11:51:00.004-03:00</published><updated>2008-03-28T12:08:27.898-03:00</updated><title type='text'>2000+2+[6=0]</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um colega meu da faculdade falou algo muito sábio quando estava no último ano: "se eu soubesse que a faculdade seria assim, não teria feito". Tenho certeza de que se alguém chegasse para a barbara lovelock com dezessete anos e contasse que os próximos anos seriam o que foram, barb teria cortado os pulsos. (Ainda não havia o Paraíso de Rivotril no armário da cozinha). Agora, no entanto, me foi negado o desejo de morte... apesar de todas as decepções e frustrações e vínculos cortados eu tenho aqueles outros vínculos, aquelas decisões e tudo o que investi em sonhos e vinganças. Agora eu tenho assuntos a resolver, agora eu amo algumas pessoas, agora eu carrego espíritos dentro de cicatrizes. Agora eu tenho que destruir algumas vidas assim como destruíram a minha. Agora eu viajo pesada e bagagens não combinam com a morte. Agora eu tenho um compromisso com não desistir de provar para esta vida asquerosa que eu sou maior do que ela, que eu posso me livrar das correntes da Cidade, que eu posso ser a melhor amiga de Deus e posso gozar ao som dos sinos da Catedral no domingo de manhã.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda que eu olhe para esses anos desde os dezessete e não enxergue nem a sombra de uma razão para acreditar que tudo isso seja possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4285611779508485608?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4285611779508485608'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4285611779508485608'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/2000260.html' title='2000+2+[6=0]'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2607920358304487422</id><published>2008-03-27T23:13:00.010-03:00</published><updated>2008-04-20T15:02:19.700-03:00</updated><title type='text'>Em homenagem às duas pontas de uma coincidência incrível</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Escuto agora uma música que não escutava há muito tempo. Na verdade, a última vez foi quando escrevi um texto aqui, não lembro direito qual. Dediquei ao compositor e ao intérprete da canção. Agora não sei, devo ter apagado o texto na minha penúltima crise de depressão. Sempre que fico deprimida apago e jogo coisas fora. Depressão é desprendimento, acima de tudo desprendimento de mim mesma. É um descaso incrível com minha vida naquilo que ela tem de mais individual. Eu posso continuar trabalhando e estudando e lavando a louça e regando as plantas quando estou deprimida. Mas se eu estiver num momento livre, no qual posso escolher por mim, não existe nada que me tire da cama. As lágrimas escorrem sem eu nem ao menos franzir a testa, sem piscar o olho. Fico tão alheia a mim mesma que quase realizo uma viagem astral. Não me sinto em mim mesma. Não me sinto em lugar algum. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por que esse papo cretino e mal escrito agora, barbara lovelock? sei lá, bola. estou precisando conversar e você é a amiga mais próxima, mesmo considerando que a meu ver, você nem é humana. mas tudo bem. estou vendo cento e quarenta e sete ouvidos em você, deve me servir. acho, na verdade, que nem quero escrever bem hoje. só quero escrever, essa coisa que tem acontecido tão pouco em meio a tantos travesseiros mofados porque eu andei esquecendo de abrir a janela do quarto e os fungos ancestrais estão tomando conta de tudo. de novo, e de novo e de novo: quando acho que finalmente consegui exorcizar algum demônio, sempre acabo percebendo que na verdade eles (os demônios) só se esconderam para enganar o padre que conduz a cerimônia. sempre voltam e me pegam distraída, e acaba acontecendo, uma determinada afeição por velhos causadores de dor, aquela velha vontade de deitar num peito depois de gozar, o sorriso cretino quando uso a senha de um amigo antigo para ver aquela foto mais bonita do orkut, e as velhas lamentações, as velhas lamentações: infelizmente, a estas alturas sou forçada a admitir que não posso superar a falta de amor. Ainda mais infelizmente tenho de me forçar a entender e a sentir que essa falta também não pode ser resolvida. E antes que você abra a boca para fazer um comentário cretino, sim eu sei que você pensa que isso é um exagero afinal, essa é a história mais comum do mundo, é mais antiga do que Deus, e se ninguém morreu por causa disso eu devia mais é ficar quieta, certo? &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu penso que essa é a única razão pela qual as pessoas morrem. Pode dar o nome que quiser, mas eu vejo aquele olhar resignado comum aos muito idosos e às mulheres grávidas, aquela resignação de quem sabe que vai ter de abrir mão da vida, e ninguém está vendo, ninguém percebe, gente cretina chega para bolinar as barrigas das mulheres como se estivesse acariciando outra pessoa e ninguém quer nem chegar perto das barrigas dos velhos, é aquele olhar que dói e eu entendo o que realmente significa a solidão, a bandeira que os imbecis dos escritores balançam quando prestam suas contas artísticas nos intervalos entre machucar mulheres e festejar a vida com porres. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enfim. Continuo escutando os ratos, vendo seus movimentos ágeis entre o teto e o chão e conheço gente que mataria por uma habilidade como essa. Eu conheço muita gente que largou mão e por mais que finja, sabe muito bem que não tem nada. Geralmente, são os que mais se levam a sério e insistem em defender a honra que não têm e colecionar gostos que não conseguem entender. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém tem uma pista do que eu tenho de escutar de gente assim, ninguém desconfia desses aprazíveis humanos normais. Oras barbara lovelock: eles têm problemas e defeitos como todo mundo. Sim, claro, quem não os têm? Mas certas pessoas têm problemas e defeitos e um brilho especial no fundo dos olhos castanhos. Outras pessoas têm problemas e defeitos e uma forma única de encher copos de cerveja. E existem pessoas que têm problemas e defeitos e um jeito hollywoodiano de apertar os lábios quando pensam sério. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E tem gente que tem problemas, defeitos e um ponto final que é um silêncio desconcertante e vazio que cheira como a morte. Não dá pra ter idéia do que eu escuto de gente assim, destes insetos, como diria um dos meus chapas. Eles são vampiros da solidão alheia, se alimentam das carências dos outros e se vangloriam quando conseguem vencer, pela bebida ou pelo cansaço, alguém que tenha qualquer tipo de talento. Eles podem parecer bonitos em sua solidão calma, mas quando eu chego perto é aquele vodu de decomposição que diz: eu não estou sozinho, eu estou na espera, como um pescador que faz silêncio perto do lago para não espantar os peixes. Eles sabem muito bem, bem demais, que suas vozes são horrivelmente planas, suas idéias mais planas ainda. Por isso não andam em bandos, tentam fazer crer que têm algo em comum com os escritores imbecis que são tão admirados por suas bandeiras e pelas feridas que causam. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Insetos também não andam com outros insetos, não lhes interessa andar com os iguais porque conhecem a própria mediocridade e por conseguinte a do outro. Porém, eles se conhecem e se reconhecem e prestam atenção, em silêncio, nos movimentos que seus semelhantes fazem. Dois motivos: como este meu chapa me contou, se algum deles conseguir alguém vivo, isso prova que os outros também podem. Depois, porque a estratégia de conquista pode ser reaproveitada. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se você tem algum tipo de qualidade, abra os olhos e o bolso e compre um inseticida o mais rápido que for humanamente possível. Mas você não é humana, desculpe. O inseticida foderia com esse negócio que você diz que é vida. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou dormir agora, bola. Pode dar risada das coisas que eu contei, se é que estava ouvindo. Pode dar risada da coisa imbecil que vou fazer antes de dormir, que é dar mais uma vasculhada no orkut daquele que tem a voz incrível que eu escuto com o clitóris da minha garganta. Pode dar risada e continuar fingindo que é feliz enquanto franze a testa em ódio. Aproveite a festa que é me ver sem franzir a testa e mesmo assim as lágrimas continuam a cair. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Update 20.04.2008: olhando agora, a "coincidência incrível" na verdade é bem ordinária.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2607920358304487422?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2607920358304487422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2607920358304487422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/e.html' title='Em homenagem às duas pontas de uma coincidência incrível'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7456904267807494728</id><published>2008-03-22T11:29:00.005-03:00</published><updated>2008-03-28T01:48:19.253-03:00</updated><title type='text'>Key</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Para C.B.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;Eufórica, como há muito não. Um sorriso permanente na cara, o retrato da felicidade e uma mordida de cobra no traseiro. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cama está com a depressão do meu corpo. Santa-sexta-feira, desperdiçada entre a cama e o play. Minha cabeça é uma tv descontrolada, os canais mudam sem parar e eu não estou apertando nenhum botão no controle remoto. Todos os canais exibem filmes de terror. Os filmes são a minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ele continua falando baixinho, não sei quando adquiriu essa merda de hábito asqueroso. Finge que é educado. Finge que se importa. Eu faço a mesma coisa, sem tanta competência. Até sei que não estou enganando ninguém, mas se estivesse sendo sincera teria o mesmo feedback, então que se dane.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Investigo as vidas de garotas genuinamente bonitas e alegres pelo Google. Conheço mulheres que as invejariam, mas isso está muito além das minhas forças; mulheres genuinamente bonitas e alegres são abstratas para mim, são extraterrestres, não as entendo e não entendo suas existências. Sou de um tipo diferente do delas, um tipo que tem os intestinos no lugar do coração e o coração varrido no canto da sala porque não deu tempo de levá-lo com a pá para o lixo, o programa da tv voltou do intervalo antes que eu pudesse fazer isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ele tem 19 anos e lavaria a minha roupa. Eu já estive em seu lugar e entendo esse tipo de conexão. Sinto-me diferente estando do outro lado da história. É mais confortável, sem dúvida. Enquanto ele se oferece para lavar as roupas eu olho para fora, tento ver de relance alguém que não o faria, não quer lavar roupas e não quer que eu as lave também. No mundo ideal, nós não precisaríamos de roupas.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentada na frente da tv, tento reordenar meus pensamentos. Enquanto pressiono os botões no controle remoto, sem procurar programa algum, penso que os acontecimentos poderiam ter tomado um rumo bem diferente e pior e tento me confortar com isso, focar as pequenas coisas boas. Então a tv me prende a atenção. Teria tudo sido pior se ele aparecesse por lá, e então agora, sozinha no sofá, ele aparece para me amedrontar: é um soft porn na tela, o cara é igual a ele e a atriz igual a ela. Assisto toda a trepada imaginando que eles estão fazendo exatamente isso exatamente agora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Pareceu armação mas eu somente eu havia esquecido. Esqueci porque agora não faz a mínima diferença. Sua presença não faz diferença. Seu desejo não faz diferença. Não lhe daria um foda-se, por isso consigo sorrir amigavelmente, conversar banalidades e ser delicada na hora de dizer não.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou para o quarto, entro sem acender a luz e evito os espelhos dos corredores. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tudo é tão claro, e enquanto ele fala percebo que até os Melhores têm seus momentos de fraqueza e mediocridade. Fico um pouco envergonhada de fazer parte disso. Eu quero participar apenas das boas festas, entende? Ao mesmo tempo, me compadeço. Entendo bem o que é não ser amado. Entendo também as compensações que são feitas por essa razão, embora não as pratique mais. Cansei de causar sofrimento assim, cansei de sofrer por essa razão, e agora jogo limpo nesses casos. Limpo demais: não espero nada em troca. Nem as mentiras cordiais que nos ensina a Etiqueta do Desejo. Vejo que não receberei nada em troca no caso em questão. Outra pessoa receberá. Fico feliz por ele, um dos Melhores. Merece ser amado. Merece alguma compensação. Vou embora sozinha.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No quarto a tv na minha cabeça continua descontrolada em meio às lembranças de tantos sorrisos. Cada canal merece uma lágrima. Torço para pegar no sono rápido. Quase torço para não acordar mais. Torço para que a essas horas da madrugada todos já estejam dormindo. Torço para que ninguém esteja se divertindo enquanto eu encharco o travesseiro. Torço para pegar no sono rápido. Quase torço para acordar apenas se a manhã seguinte for melhor - em vão. Sei o que a manhã seguinte me reserva e sei que não tenho poder sobre o sono. Ou sobre a programação da tv no fim de semana, ou no meio da semana, ou no fim ou no começo do ano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Estou agora escutando música muito alta porque isso faz a tv parar. Eu preciso que ela pare. Minha vida depende disso. Eu preciso. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7456904267807494728?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7456904267807494728'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7456904267807494728'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/key.html' title='Key'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1873579014271851542</id><published>2008-03-22T10:50:00.002-03:00</published><updated>2008-03-22T10:56:31.764-03:00</updated><title type='text'>Esta é a única coisa que faço que vale a pena</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1873579014271851542?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1873579014271851542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1873579014271851542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/esta-nica-coisa-que-fao-que-vale-pena.html' title='Esta é a única coisa que faço que vale a pena'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7720852397302714859</id><published>2008-03-21T20:32:00.011-03:00</published><updated>2008-03-21T20:48:22.751-03:00</updated><title type='text'>Custo-benefício</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em alguns jogos eu entro para perder. Conheço o funcionamento das coisas e sei bem em que posição vão me colocar. Não existe direito de escolha, ou pelo menos eu não tenho o direito de escolha. Eu entro, jogo e perco. No fim estou cansada e dolorida e tenho um pouco mais de conhecimento das regras - o que significa que a cada jogo aprendo novas formas de perder. As formas de perder são infinitas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns jogos eu posso ganhar. As formas de ganhar são restritas e exigem um conhecimento apurado das regras, que desenvolvi com relativa facilidade. Pequenas estratégias então me garantem vitórias rápidas e certeiras. O pássaro é atingido e eu me divirto em ver sua queda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns jogos não preciso nem jogar para vencer. Tenho certos trunfos, certos truques inegáveis que são o mais próximo que chegarei da perfeição. Não procuro, no entanto, atingir ninguém. Brinco com aqueles que me desafiam como gatos brincando com suas presas antes de comê-las. Mas eu não como. Não pretendo machucar. Sei que talentos são perigosos e se abusar posso acabar com uma bala no meu pé. Não pretendo me machucar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo machucar, não pretendo me machucar e, contrariamente ao que muitos pensam, não sou nem um pouco fã da dor. Somente aceito que cada jogo tem seu custo. Todos sabem que no fim da noite a banca sempre ganha e mesmo quando estou com sorte não esqueço que eu não sou a banca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7720852397302714859?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7720852397302714859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7720852397302714859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/custo-benefcio.html' title='Custo-benefício'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5006617871753291587</id><published>2008-03-17T22:53:00.005-03:00</published><updated>2008-03-17T23:11:48.553-03:00</updated><title type='text'>Save your soul</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tratar pessoas como dinheiro, procurar casamentos nos erros alheios, ir para a cama com estranhos, pagar drinks a mulheres solteiras, esperar os equívocos dos colegas para poder apontar o dedo, sorrir imbecilmente a crianças pequenas, comprar o mito da mulher independente, comprar o mito da mãe de família, procurar a trangressão através do mais grotesco moralismo, aproveitar-se do talento de viver do melhor amigo, usar ironias como um drogadito que assalta uma loja de conveniência com um revólver de plástico. Engraçado como as pessoas não percebem que um fio da fantasia se prendeu em algum lugar e a cada passo que andam suas roupas descosturam mais e mais. Engraçado como as pessoas não têm a menor idéia do quão vagabundos são seus disfarces.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5006617871753291587?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5006617871753291587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5006617871753291587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/save-your-soul.html' title='Save your soul'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4562140244211609528</id><published>2008-03-16T22:34:00.011-03:00</published><updated>2008-03-16T23:05:59.009-03:00</updated><title type='text'>Doze por oito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Não chegue mais perto", ele dizia enquanto me acariciava com sua mão direita, "e eu não vou te machucar". Eu entendi; ele queria salvar meus pulsos que - pensei - se resistiram às tentativas das facas de cozinha resistiriam até ao inferno. Ele, porém, não sabia de nada disso. Foi enganado pela fragilidade do aspecto da pele, ou talvez as luzes da madrugada não colaborassem. Seja qual for a razão, não havia desconfiança em seu tom de voz, ele nunca adivinharia os níveis fatais de mercúrio que são bombeados pelo meu coração a cada minuto. "Não chegue mais perto". Eu poderia ter chegado mais perto. Eu queria. Eu adoraria me afundar naquelas perspectivas banais de novo, ser seduzida pela lógica ilógica da paixão. Se eu me esforçasse, conseguiria: minha mente é forte e poderia induzir tais estados extraordinários de percepção, sei o quanto o tesão é perseverante. Besteira. Eu poderia até tentar me enganar de novo, me deixar levar. Só que eu não caio mais nessa: meu coração pode até denunciar taquicardias ao vê-lo, mas eu não esqueço que quanto mais forte a batida, com mais vigor o mercúrio se aloja em cada célula. Estou cansada de procurar motivos para me enganar. Posso até pensar sentir amor, mas quando sua mão direita me larga, minha única certeza é de que a única coisa que consigo sentir é esta mágoa ancestral, da qual não recordo a origem mas sei bem para onde vai me levar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4562140244211609528?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4562140244211609528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4562140244211609528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/doze-por-oito.html' title='Doze por oito'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1834253688655803947</id><published>2008-03-14T01:10:00.005-03:00</published><updated>2008-03-14T12:00:13.089-03:00</updated><title type='text'>Quando se vê humanidade demais nas ruas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ando dispersa. A fase maníaca da Cidade me provoca isso, e agora posso testemunhar nos bancos dos ônibus e na luz laranja que indica a parada solicitada no próximo ponto. De Norte a Sul, tantas ruas ligadas pelo asfalto intangível. Você já sentiu o asfalto? Já tocou o asfalto ou se contenta em vê-lo na distância do banco do carro? Você já enxergou o asfalto para além das indicações pintadas da sua faixa? Uma das grandes vantagens de ser pedestre é poder desrespeitar a faixa e andar em qualquer direção, aproveitando as ruas que, longe de serem apenas passagens, são a única ligação entre as casas de portões sempre fechados, as salas de estar de portas sempre trancadas. Eu tenho apreciado o asfalto. A cada dia sua uniformidade faz mais sentido, especialmente agora em que os eventos são vomitados em cachoeiras do Destino. Eu ainda não tive tempo de separar os elementos que foram comidos e regurgitados e digeridos parcialmente durante a fase depressiva da Cidade. Vejo algumas partes quando o fluxo diminui mas estão lá, os velhos pedidos de botecos sujos e de restaurantes caros. Não que eu precise dizer quais pedidos são vomitados nas partes da Cidade em que desrespeito as faixas. Mas vejo o salmão e os restos de sushi viajando pelas sarjetas, ao meu lado, invadindo as calçadas que me são tão familiares. É a fase maníaca de novo, e a gente já sabe o que acontece. Fora esses resquícios de outra realidade, fora os ritmos alterados, não há nenhuma novidade. A fase maníaca reorganiza a digestão e a excreção, mas são as mesmas velhas histórias impregnando o ar com o vodu das entranhas. É o mesmo suor de anos atrás. É a mesma crise. Ando dispersa, até um pouco perdida. É somente uma questão de tempo, sei que certas coisas permanecem. A estas pessoas que insistem em poluir a paisagem urbana, o Vômito Sagrado do Destino parece melhor e mais aprazível do que a água. É só esperar a próxima massa úmida. Os covardes preferem dormir a sair na chuva. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1834253688655803947?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1834253688655803947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1834253688655803947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/quando-se-v-humanidade-demais-nas-ruas.html' title='Quando se vê humanidade demais nas ruas'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-621671552790740289</id><published>2008-03-09T17:19:00.003-03:00</published><updated>2008-03-09T17:28:36.289-03:00</updated><title type='text'>Impiedosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;apesar de seus gestos delicados e voz doce. Ela escolhia as palavras até das frases mais simples como se fosse mover uma peça de xadrez. E ela não errava uma jogada. Conhecia trucagem e não pisava em falso, tinha controle absoluto dos saltos que a erguiam acima de qualquer humanidade. Eu só olhei para cima em direção aos seus olhos uma vez, ao que ela respondeu com um sorriso simpático com a boca fechada, decerto escondendo a língua de cobra. Bonita, e como toda beleza, perigosa. Sua índole, calculada como um compromisso de limpezadepele sábadotrêsemeia, poderia abortar qualquer dúvida. E eu gostei dela, instintivamente. Assim como todos em volta. Assim como todos que não conseguiam deixar de olhar para sua boca. Assim como aqueles a quem ela chamava amigos. Eu gostei dela instintivamente, porém preferi manter distância. Sei muito bem que instinto não é algo que conta no jogo em que ela aposta. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-621671552790740289?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/621671552790740289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/621671552790740289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/03/impiedosa.html' title='Impiedosa'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3154753196944789143</id><published>2008-02-27T21:13:00.005-03:00</published><updated>2008-02-27T22:32:19.623-03:00</updated><title type='text'>dorflex blues</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;minha cabeça dói e esse é o mal do meu século - minha cabeça está cansada de doer e não tem mais solução, nem ao menos ainda é considerado um problema. eu já tentei yoga e os exercícios que jack mcfarland vive ensinando sobre levar uma boa vida, you know he knows I know he knows what that means. sempre que tomo dorflex torço para que vá me derrubar, que eu vá cair no sofá a fim de assistir a telenovela e acabe fechando os olhos e dormindo - COMO SE ISSO FOSSE NATURAL! oh querido ninguém, oh bem-vindo nada, minha cabeça dói e esse é o mal do século, eu sou a mártir da Cidade, tão demodé assim, este catolicismo laico que é o cimento das pedras do asfalto. eu sei que vocês não estão entendendo, mr. nobody &amp;amp; mr. nothing, então me deixem colocar de outra forma: eu estou fora de moda, representar qualquer coisa está tão out, sendo açoitada pelo Yellow Bastard que se convencionou chamar de Mundo, ou Vida, ou Deus, mas eu não vou gritar. &lt;em&gt;Eu não valho uma pedra brita que seja. &lt;/em&gt;eu resisto ao sexboogie das farmácias. eu respeito os lacres das caixas de Rivotril. eu reconheço e entro nos paraísos dos suicidas e só respeito quem se mata com armas de fogo. &lt;em&gt;Eu só acredito no fogo e na água. &lt;/em&gt;minha cabeça dói e eu torço para que passe durante a noite, com olhos entreabertos que parecem fechados nas fotos e no espelho. &lt;em&gt;Eu sou a quintessência da dor, o único interlocutor do asfalto, a alquimista que transforma o céu limpo em correntezas de chuva. &lt;/em&gt;eu sou maior que a morte, mas por enquanto só quero que o mal do século pare, por algumas horas, por alguns minutos, por três segundos. &lt;em&gt;Hoje à noite faço qualquer negócio.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3154753196944789143?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3154753196944789143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3154753196944789143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/dorflex-blues.html' title='dorflex blues'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3873803056061703428</id><published>2008-02-25T14:43:00.001-03:00</published><updated>2008-02-25T14:44:45.540-03:00</updated><title type='text'>Grandes novidades II</title><content type='html'>Eu odeio o mundo em geral e desprezo as pessoas em particular. Isso não é tristeza.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3873803056061703428?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3873803056061703428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3873803056061703428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/grandes-novidades-ii.html' title='Grandes novidades II'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1395847969008988627</id><published>2008-02-20T23:58:00.009-03:00</published><updated>2008-02-21T00:09:07.866-03:00</updated><title type='text'>IPD</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje certos eventos soltos e frases perdidas ouvidas entre os intervalos das conversas fizeram sentido e isso não mudou nada, mas meio que mudou tudo. Comecei o dia como começo todos os dias. Lamentei a existência ou ao menos determinadas formas dela. Imaginei (im)possibilidades alternativas enquanto a vida não batia na porta e me pedia para sair com as mãos para cima. Quando isso aconteceu, surgiu na forma mais rara, os tiras mais invisíveis, que andam sempre à paisana; era a Insight Police com as pistolas carregadas. Eu saí com as mãos para cima e a cabeça ainda mais ao alto: as alternativas se resumiam às impossibilidades. Como não percebi antes? &lt;em&gt;O jogo já estava perdido muito antes do que eu imaginava&lt;/em&gt;. Sorri; sem saber, andei fazendo a coisa certa. O jogo já estava perdido quando comecei a imaginar - mas eu, na ignorância de evidências óbvias, acabei indo pelas estatísticas. QUANDO VOCÊ NÃO SABE A RESPOSTA CERTA DA QUESTÃO, SEMPRE ESCOLHA A LETRA B. O jogo já estava perdido, eu não sabia e decidi não arriscar. &lt;em&gt;Garota previdente&lt;/em&gt;. A opção b dizia, &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"b) fique sempre bem calada." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1395847969008988627?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1395847969008988627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1395847969008988627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/ipd.html' title='IPD'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-38068600752198732</id><published>2008-02-20T01:29:00.006-03:00</published><updated>2008-02-20T01:52:58.090-03:00</updated><title type='text'>Querida Miss Sidle,</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu olho em volta e vejo as cores brilhando nos vestidos, as luzes refletidas nos metais que circundam as faces das meninas. Não posso deixar de me espantar com a beleza. Olho nos espelhos alheios, nos dos banheiros espaçosos de clubes de campo, nas janelas dos carros, e tudo o que vejo são borrões de esquizofrênicos que há muito perderam seus talentos. Oras, sempre soube que existem reflexos nos quais não se pode confiar. O que não impediu que eu tentasse me encontrar em pescoços que não os meus, invejando as vozes de cantoras negras ou as imagens das brancas nas propagandas da mtv. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabou, eu sei. Excluí ou fui excluída das vozes, das páginas dos autores que conheci, dos versos de poemas medíocres. Fui excluída até das histórias que eram minhas por direito, aquelas nas quais eu deveria interpretar protagonistas, substituíram minha voz por gravações e minhas imagens por dublês com peitos maiores que os meus. É por isso tudo que não tenho um Oscar na estante, é por isso que não consigo afundar o pé no acelerador. Quebraram meu braço numa vingança bem planejada e acabaram tirando muito mais de mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O lance é que talvez eu seja resgatada como você, depois de milhas molhadas de suor e chuva ácida no deserto, mas eu não posso parar de andar, não tenho a opção de me render à desidratação, pois todos riem dos espelhos que carrego sem ver neles uma oportunidade de salvação. Sara, se eu não encontrar a estrada, nunca serei salva, pois helicópteros nunca seriam chamados para a minha busca. Tudo o que me resta é continuar andando para, com sorte, sentar à beira do asfalto, onde um caminhoneiro bêbado e generoso talvez enxergasse meu corpo cansado e o permitisse no banco do carona até a próxima cidade. Enquanto isso, fico feliz por você ter aberto os olhos e encontrado o nome do Cara, fico feliz mesmo que tudo o que te reste agora é um gesso e a certeza de que você não pode se divertir como os outros, correndo em círculos em carros sem os vidros que nunca refletiram a tua imagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-38068600752198732?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/38068600752198732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/38068600752198732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/querida-miss-sidle.html' title='Querida Miss Sidle,'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-379359717666241957</id><published>2008-02-14T20:58:00.007-02:00</published><updated>2008-02-15T01:32:39.956-02:00</updated><title type='text'>Big Brother</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sonhei nesta madrugada que estava no Big Brother. Mas não era uma casa: estávamos presos dentro de uma piscina vazia. No meio dela, havia um chafariz desligado e uma escada que levava a seu topo, de modo que podíamos subir, mas somente até o nível do chão. Eu subia e me sentia no mastro de um navio. Não lembro o que havia para fora da piscina, o que sabia é que queria sair dali. Tentava escalar as paredes, em vão. Pulava esticando os braços e as mãos o mais alto que podia mas não alcançava a borda e deslizava na superfície lisa. Tinha a certeza de estar sendo vigiada, mas eu não sabia por quem. Não sei quem eram meus companheiros de programa. Não lembro de falar com eles nem de olhar para suas caras. Eu fui a única que subiu no chafariz. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu gostaria de discordar de Jack e dizer que sonhos são apenas irrealidades, mas quando acordei a palma de minha mão estava esfacelada, minhas digitais tinham dado lugar à carne e litros de sangue secavam nos lençóis. O pior é ter a certeza de que não consegui sair da piscina. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-379359717666241957?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/379359717666241957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/379359717666241957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/big-brother.html' title='Big Brother'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1359934143921370664</id><published>2008-02-12T20:49:00.000-02:00</published><updated>2008-02-12T21:00:00.340-02:00</updated><title type='text'>PDA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O período que antecede a tristeza é egoísta. Eu me recolho e manifesto descaso e impaciência com o que não me diz respeito. O período da tristeza é ainda mais egoísta. Tomo as palavras alheias sobre os assuntos mais distantes como um ataque pessoal. Todas as vidas parecem acusar que não são a minha, o que é suficiente para que eu as despreze. Quando eu estou triste, faço questão de querer somente aquilo que é meu. Mas não me movo; não manifesto. Pois tristeza é quando excluo tudo o que não é meu e o que me sobra é nada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1359934143921370664?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1359934143921370664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1359934143921370664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/pda.html' title='PDA'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3215104099959658650</id><published>2008-02-11T13:20:00.000-02:00</published><updated>2008-02-11T13:26:43.926-02:00</updated><title type='text'>Vendendo órgãos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;dói demais para se colocar em palavras? talvez. ainda assim, é divertido tentar. mais divertido do que esperar ligações de telefones quebrados. mais divertido do que alimentar uma auto-estima satisfatória e doentia. mais divertido do que esquecer. e bem, bem mais divertido do que fingir que não tem nada demais por aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3215104099959658650?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3215104099959658650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3215104099959658650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/di-demais-para-se-colocar-em-palavras.html' title='Vendendo órgãos'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3244610005341063407</id><published>2008-02-10T21:25:00.000-02:00</published><updated>2008-02-10T21:37:41.316-02:00</updated><title type='text'>Precisa e exata</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não há céu na Cidade, apenas um grande telhado sem laje, de forma que quando olhamos para cima, é a estrutura de sustentação das telhas que salta à vista. E a gente se acostuma a perceber o crepúsculo na mudança de tonalidades nas cores dos prédios. A gente se acostuma a esquecer estrelas. Os pulmões se acostumam à fumaça e ao esmalte. Portanto, não houve surpresa hoje quando o dia amanheceu e continuou noite. Meus olhos podem ver: eu sei do meio-dia, eu sei da claridade, eu sei da hora do almoço. Mas minhas tripas sentem: a certeza que nasce em noites perfeitas é mais forte que um vampiro. Não acaba com o sol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3244610005341063407?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3244610005341063407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3244610005341063407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/02/precisa-e-exata.html' title='Precisa e exata'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-541187135410583899</id><published>2008-01-27T23:36:00.000-02:00</published><updated>2008-01-28T01:13:41.583-02:00</updated><title type='text'>Anônimos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para fulano e sicrano &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela não me esperou dizer alô para desandar a falar sobre seu novo caso. Já estava no meio do relato do primeiro encontro deles quando tive que interromper.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual é o nome dele?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oras, não que isso realmente interesse. Já sei, pelas indicações que ela deu, que não existe a menor chance de conhecê-lo. Mesmo assim, tinha que saber&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;qual é o nome dele.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entro no messenger e pela primeira vez em meses o nome dele está ali, do lado direito do bonequinho verde de vodu com um reloginho que indica que ele está ausente, ou volta logo, ou está em horário de almoço (se é possível já que são onze e meia da noite). Só por aí já sei uma coisa de sua vida: em algum momento das últimas três horas (tempo que fiquei fora) ele esteve em casa e entrou no messenger, tempo suficiente para mudar seu nome de tela, do apelido sarcástico que estava antes para o apelido que agora leio, que é a abreviação de seu nome e é como o chamei pela primeira vez no dia em que fomos apresentados de forma belamente abrupta e talvez um pouco casual demais. Não importa quantas fotos eu visse no seu profile do orkut, são apenas aquelas quatro letras que indicam que ele existe, que corresponde a alguém de verdade, alguém que conheço, já vi e toquei. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Peguei a pá no depósito no meu pâncreas e comecei a encher aquele buraco que se abria no meu peito quando dava uma da madrugada e eu sabia que não existia mais nenhuma possibilidade de ele chegar. Era bem antes da uma hora e ele já estava ali, e a aliança no seu anelar esquerdo indicava que eu não deveria nunca mais esperar por ele, nem que ele chegasse, nem que ele estivesse do meu lado e me visse e desse beijinhos de cumprimento na minha bochecha. Enchi o buraco no meu peito com sofreguidão resignada e uma terra podre e infértil cheia de resíduos de decomposição de tantas esperanças anteriores. Era a mesma história de novo e tudo tinha corrido como sempre correu. Eu ainda era a coveira. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela continuou a falar sobre seu novo caso com nome e sobrenome. Contou todos os detalhes tão emocionantes quanto previsíveis, como deve ser todo bom primeiro encontro. Contou até se fartar e esmiuçar tudo quanto havia ocorrido. Quando terminou, lembrou-se de que talvez eu pudesse ter uma história, e perguntou sem esperar resposta:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E você, como tá?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na mesma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não ficou mais sabendo do Fulano?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não, ele não ligou mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- E o Sicrano?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Casou mesmo. [e menti] Vi no orkut. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu poderia ter esmiuçado minha história até os últimos detalhes. Poderia ter contado os nomes e sobrenomes das minhas dores. Mas não o fiz, nem para ela, nem para você. Quem foram fulano e sicrano, os originais, eu não faço idéia. O que sei é que dizer ou escrever seus nomes e sobrenomes, ou mesmo somente um apelido, faria a cova esquentar e espalhar seu cheiro pútrido, faria com que eu sentisse aquela presença pulsando como na noite que passamos juntos. Agradeço mentalmente aos tais fulano e sicrano enquanto penso que este é o problema com as palavras: elas tornam tudo real demais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-541187135410583899?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/541187135410583899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/541187135410583899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/ela-no-me-esperou-dizer-al-para.html' title='Anônimos'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8631530370329750950</id><published>2008-01-25T00:44:00.000-02:00</published><updated>2008-01-25T01:03:01.161-02:00</updated><title type='text'>Eu consigo sentir, mas não devo tocar</title><content type='html'>&lt;em&gt;Para uma amiga &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela apareceu na minha casa, com a cara de sempre, mas com alguma coisa inevitavelmente avariada na forma como seus olhos deixaram de brilhar. Como uma boa amiga, eu fingi que não havia nada de errado. Fingi que não estava vendo um buraco negro no movimento do ar enquanto ela falava e tentei achar graça em algumas coisas, ri das piadas e das desgraças. Mas não havia nada de engraçado na velha rosa que secava sem que se pudesse deduzir qualquer intempérie climática. Eu sabia que o problema era na raiz da roseira, sendo comida pela secura do concreto da armação da Cidade. Não havia nada que eu pudesse fazer; bem sei que a força das calçadas não pode ser controlada, não resta nada além do conformismo de saber que já não adianta procurar culpados. À rosa vermelha que animava sua bela insanidade, não posso desejar nada além de um bom adeus. Apenas torço para que o tempo de luto pelo apodrecimento do vermelho não se alongue tanto a ponto de impedir que o jardim volte a ficar florido, desta vez com a calma desiludida e anciã das rosas brancas. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu sinto muito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8631530370329750950?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8631530370329750950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8631530370329750950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/eu-consigo-sentir-mas-no-devo-tocar.html' title='Eu consigo sentir, mas não devo tocar'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1229343905302528043</id><published>2008-01-21T21:23:00.000-02:00</published><updated>2008-01-21T21:58:56.559-02:00</updated><title type='text'>Para o melhor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O celular tocou com o barulho de mensagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Minha filha já nasceu! É linda."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não duvido nada. É assim que as coisas funcionam: crianças nascem no verdadeiro milagre de fazer existir uma coisa que não existia. Mais absurdo ainda: a coisa é um &lt;em&gt;ser humano&lt;/em&gt;. Um ser humano lindo, ainda sem a capacidade de enxergar, de falar ou de entender. Conheço várias pessoas que sentem falta da falta de capacidade. Não consigo entender, nem nos piores momentos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto sentem falta, o silêncio da noite fria de verão da Província é interrompido por crianças-lobas que uivam nas brincadeiras noturnas. Eu gostaria de sorrir, mas não tenho força para tanto nos músculos da face. Então apenas por hoje eu vou me abster de ouvir música muito alta e dançar sozinha no meu quarto. Sento na frente do computador e espero sem esperar que alguém entenda que estou fugindo do assunto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As crianças-lobas continuam uivando. Devem também ser lindas, com aquele cheiro insípido de crianças que é o que todos desejamos ao tomar banho e limparmos o cheiro que denuncia que somos, finalmente, seres humanos com a capacidade de enxergar, falar e entender.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O entendimento fede a sovaco e gangrena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além de aceitável porque inevitável, tenho certeza de que é para o melhor que fedemos. A beleza do frescor é fácil e óbvia. Leva tempo e muita dor para entender a beleza que se esconde na acne ou em fezes saudáveis, e talvez precisássemos de mais de uma vida para entender os lugares-comuns dos quais fugimos. O sublime dos tiques nervosos que é a essência da graça das imitações. A paixão de sofrer em silêncio a visão de uma paixão que nos ignora. O prazer de ler um livro que cospe a verdade em nossos olhos ou de ver a casa limpa depois de um dia cansativo de faxina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fique tranqüilo: eu não vou chegar ao assunto. Não cuspirei nenhuma verdade porque especialmente hoje a verdade não me apetece, nem um pouco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Transfiro minhas preocupações a outrem e afirmo: não duvido que sua filha seja linda. Apenas duvido que alguém que não conceitue dor pode ser realmente belo. Aposto todo o dinheiro de Deus que a beleza de um recém-nascido não é nada se comparada à beleza do corpo arregaçado da mãe que, com tranqüilidade monástica, se prepara para abrir mão de sua vida em nome do ser humano que não existia, e agora começa sua corrida da carne e dos excrementos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1229343905302528043?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1229343905302528043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1229343905302528043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/para-o-melhor.html' title='Para o melhor'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-11118896304995487</id><published>2008-01-19T19:24:00.000-02:00</published><updated>2008-01-19T19:47:16.000-02:00</updated><title type='text'>A violência do belo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Todas as caixas de segredos foram abertas mas isso não fez a diferença. Esse é o espírito da cultura das celebridades: todos os segredos que todos faziam tanta questão de manter encobertos viram a essência da diversão. O escândalo como prática corrente, a banalização do privado, a estetização da alma inestetizável. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como nunca antes (embora eu não tenha conhecido nenhum antes, conheço apenas o agora), faz-se necessária a construção de novos altares para novos mártires. E faz-se necessário que surjam novos mártires. Esse é o desafio do século que se descortina: inventar uma nova forma de backstage para palcos cujas cortinas foram arrancadas pelos arruaceiros que se descortinam em páginas virtuais, em fotos mal-tiradas, em vídeos amadores de sexo, em canções pop. Esses boçais que ao violentar as fronteiras do bom-gosto em suas roupas de prostitutas de l.a. acabaram por infringir as leis sagradas da ética hard rock. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Frente a tal situação, todos os caminhos se confundem e as placas nas estradas não são suficientes para indicar o caminho. É preciso desbravar. Abrir trilhas pelo concreto, destruir a facadas as armações de aço. Pintar o Centro Histórico com o branco modernista e deslocar a mobília oitocentista. É preciso respeitar os fluidos do corpo à maneira coprofágica e jogar o lixo orgânico apenas pela privada. Entender que a filosofia zenconsumista é o que leva os chineses a já não desejarem as sacolas de plástico. Esquecer o estigma que as mulheres manifestam mensalmente, sem bombardeá-lo com hormônios e banheiros unissex.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para os que desejam a eternidade nas páginas virtuais das próximas enciclopédias, eis o que eu diria: o anonimato da esterilidade do suor é a nossa única saída. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-11118896304995487?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/11118896304995487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/11118896304995487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/violncia-do-belo.html' title='A violência do belo'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7039370453132220668</id><published>2008-01-15T23:55:00.001-02:00</published><updated>2008-01-16T00:25:52.484-02:00</updated><title type='text'>O cão dentro de casa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu tive a grande sorte de conhecer o grande amor e a grande decepção bem cedo. Tornei-me esse ser insuportável, rancoroso e descrente que todos insistem em tomar por certo. Não me incomodo. Foi conhecendo o grande amor tão cedo que aprendi que não deveria tentar atender as expectativas de ninguém. Sei com toda a força que possuo que não importa o quanto eu me esforce, nunca será o suficiente. Nunca alguém vai passar a mão na minha cabeça e sorrir, "boa garota!", desse jeito com uma exclamação no fim da sentença. Apenas um cara passou a mão na minha cabeça. E isso foi somente porque ele tinha acabado de bater a cinza do cigarro em cima de mim. De novo: não me incomodo - dessa vez, de não ser tratada como um poodle que acabou de voltar da tosa e não perturbou as visitas na sala de jantar. Não ligo porque tudo o que recebi em troca dos meus esforços para não perturbar foi um "cala a boca", como se manda calar a boca um poodle que late atrás de uma porta fechada. E de tanto ouvir isso, aprendi a calar a boca. A ficar quieta e não correr pela sala de jantar procurando o colo do meu dono. Hoje eu fico de fora da festa, não incomodo e não me incomodo. Aprendi bem cedo que para pessoas como eu, tudo o que resta é tentar dormir enquanto as risadas comem soltas no cômodo ao lado. Por sorte, aprendi também que se não posso desejar o colo, sempre existe um sapato caro que é esquecido debaixo da cama quando o anfitrião se troca para o jantar. Pode não ser a idéia de diversão que tanto se apregoa, mas é uma enorme felicidade, um êxtase cósmico, mastigar o couro para, quando a festa termina, escutar os gritos enquanto como os restos do grande jantar na cozinha. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7039370453132220668?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7039370453132220668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7039370453132220668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/o-co-dentro-de-casa.html' title='O cão dentro de casa'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8096743265991557165</id><published>2008-01-12T02:11:00.000-02:00</published><updated>2008-01-12T18:41:29.286-02:00</updated><title type='text'>Confissão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;eu tenho me preocupado com meus problemas por tanto tempo que nem consigo imaginar como seria ter o poder de mudar vidas, salvá-las, ou acabar com elas; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu me recusei a ver tantas coisas por tanto tempo que agora sinto as suas sombras, mas não consigo defini-las; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;quebrei todas as promessas que já fiz a mim mesma e geralmente consigo transvestir tudo com as roupas vagabundas do progresso pessoal, mas não existe uma certeza que não se torne dúvida quando o espelho não consegue disfarçar os vincos das secreções sujas da minha face;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;seduzida pelos encantos do sofá, gostaria de me retirar de tudo, completamente;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu tenho me preocupado com meus problemas por tanto tempo que esqueci que um dia tentei mudar vidas, salvá-las, acabar com elas;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;esqueci por tempo demais que o único problema real é minha incapacidade de mudar minha vida, salvá-la ou acabar com ela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8096743265991557165?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8096743265991557165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8096743265991557165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/confisso.html' title='Confissão'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-69015834497426492</id><published>2008-01-07T01:04:00.000-02:00</published><updated>2008-01-07T01:48:34.930-02:00</updated><title type='text'>Melodramática</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O tempo passa às vezes sem o espelho o denunciar. Como aquela garota atravessando a rua na minha direção. Só Deus sabe o quanto ela ainda é jovem, apesar de sua carteira de identidade acusar muitos anos a mais. Aquele cara também, você nunca acertaria a sua idade. Eu diria que ele parece muito mais jovem do que é. Tenho quase certeza de que o resto do mundo diria que ele parece muito mais velho, e eu me justificaria dizendo que meu erro se deve à essa inocência calejada de quando ele sorri. Entenda, ele é um doce. Do tipo mais raro: aquele que as mãos dizem acabado e gasto pela vida. O tempo passa às vezes sem o espelho o denunciar. Ou às vezes, o tempo é demais para caber em espelhos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passa, e eu aprendo a deixar a mim mesma para trás. Tento dar risada das babaquices que fiz, dos cortes que levei. Procuro no espelho alguma coisa que me indique viva e pratico sorrisos para ensaios fotográficos que nunca vão acontecer. Os retratos sempre se acabam. Queimados em fogueiras em quintais do interior quando o amor acaba. Por isso não guardo fotos de ninguém. Quero acreditar que histórias desaparecem à medida em que o tempo passa, sem espelhos para o denunciar, enquanto eu fico em casa e aumento o tempo dos intervalos em que verifico as ligações no celular. Até o dia em que eu me esqueço de lembrar das vozes que tanto gostaria de ouvir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo que sorrateiro demais para ser percebido, o tempo passa. Um dia acordei e encontrei um monte de celulite na minha perna, estrias compridas nos peitos e notas de um real amassadas no zíper da carteira. Do espelho de bolsa só sobrou um caquinho mínimo. Nesse dia, eu torci para não ver o tempo passar mas o velho fígado reclamou como apenas um velho fígado reclamaria. Olhei no espelho e eu parecia a mesma pessoa do dia anterior. Da semana anterior. Dos meses e anos anteriores. Foi então que considerei que alguma coisa estava errada. Ou o espelho, ou o tempo, ou minha vista. Não sei quem é o culpado dessa grande ilusão, mas já decidi nunca mais confiar em nenhum deles. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-69015834497426492?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/69015834497426492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/69015834497426492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/melodramtica.html' title='Melodramática'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3429768148179970038</id><published>2008-01-04T20:45:00.001-02:00</published><updated>2008-01-04T21:20:56.455-02:00</updated><title type='text'> fale de novo, barb, eu não escutei das últimas 24859 vezes que você falou </title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;alguns dizem da vida cíclica mas eu tendo a não acreditar. não compro idéias de nenhum tipo. como aquele sujeito que ontem me veio com seu grande pensamento que eu li na internet anteontem. acontece, porém, de às vezes a gente andar pelas ruas com alguém que a gente não ama. acontece. do mesmo jeito que as pessoas se apagam depois de faiscarem ou que as garotas sempre voltam atrás, nós sabemos que sempre existem segundas, terceiras, infinitas chances quando o assunto em pauta são os que nos fazem rir. ou os muito bonitos. ou os que parecem mecânicos de los angeles. acontece também de eu saber a verdade e ao dizê-la, ver minhas chances de segundas chances com as garotas terminadas até a próxima ligação desesperada, &lt;em&gt;oh barb, ele diz que gosta mesmo de mim&lt;/em&gt;. homens tiram grande vantagem da memória curta dessas menininhas. qualquer comportamentalista com base em testes de laboratório não teria pudor em afirmar a mentira: &lt;em&gt;é um comportamento inscrito no cromossomo bucetal que foi desenvolvido na pré-história, quando as mulheres perceberam que quanto menos falassem mais conseguiriam os mimos masculinos que o homem primitivo buscava para elas no topo da árvore mais alta da selva ou no fundo das cavernas habitadas pelos Primata vangloriae&lt;/em&gt;. já disse: não compro idéias de nenhum tipo. não me venha com sua imensa carteira e o prada na droga dos seus pés gigantescos me dizendo que agora as coisas são diferentes. se nos retornos existe alguma prova não é a da vida cíclica mas a de que você me toma por burra. &lt;em&gt;esse é um comportamento inscrito no cromossomo penial, desenvolvido na pré-história, quando os homens tomaram o silêncio das mulheres como o modo ideal de vida e esse foi o início do comércio, com os homens trocando os galhos mais altos e saborosos da Restaurantae expensivus por uma caverna limpa quando voltassem no fim do dia. &lt;/em&gt;meu telefone sempre toca na semana seguinte, &lt;em&gt;oh barb, é genético, não posso evitar&lt;/em&gt;. alguns dizem da vida cíclica. eu digo que esse é o tipo da coisa que não vai mudar. VOCÊ NÃO ESTÁ CRESCENDO. VOCÊ NÃO É UMA PESSOA MELHOR. e isso não é uma idéia. é apenas uma impressão de alguém que pode até sentir o calor como se fosse o sol abrasador de los angeles, mas sabe com a pré-história de todos os seus cromossomos que não importa quantas visões temos, seattle nunca sai de dentro de nossas tripas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;não acontece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3429768148179970038?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3429768148179970038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3429768148179970038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/fale-de-novo-barb-eu-no-escutei-das.html' title='&lt;em&gt; fale de novo, barb, eu não escutei das últimas 24859 vezes que você falou &lt;/em&gt;'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3024077395850816515</id><published>2008-01-03T22:43:00.000-02:00</published><updated>2008-01-04T00:18:00.755-02:00</updated><title type='text'>Ossos, tripas e sangue vertendo do ofício</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Passou muito rápido: ele em seu big fancy car. Regata branca, óculos escuros, barba de quarenta dias e um cigarro queimando no canto da boca. Eu abominaria muitas dessas coisas (especialmente a regata branca), mas seus braços magrelos e fortes - ah, eu os conheço bem - acentuavam a impressão, antes dispersa, que hoje vi com clareza: um mecânico. Ele parece um mecânico. Sua visão me deu a ligeira impressão que desejaria ter em todas as horas de todos os dias; senti por breves segundos que o mormaço da Província era o sol abrasador de Los Angeles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À moda de um defunto, eu o conheço por fotos. Conheço cada ângulo seu e sei que mesmo seu pior é lindo. À moda de Marge Simpson lendo romances para donas-de-casa, eu devaneio sobre as possibilidades restritas de encontro. No entanto, apesar de demasiadamente bonito, sua presença me traria uma grande amargura como somente as decepções mais profundas trazem. Ele teria, por exemplo, uma voz horrível. Certas pessoas foram feitas para existirem como defuntos que você admira nas fotos indefectíveis, e se os conhece, é para aprender: ninguém é indefectível. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claros como a seção de economia do jornal de segunda-feira, sigo o rastro dos meus amigos. É fácil quando se conhece os caminhos usuais ou a forma de denunciar os caminhos diferentes. Sei qual dos meus amigos deixa perfume e qual deixa pegadas de um enorme tênis Nike. Também é fácil descobrir a partir de que ponto não posso mais segui-los: seus indícios particulares ficam mais fortes e sentidos. É precisamente aí que acaba a bile que faço de rastro e me serve de mapa. Já tentei segui-los por mais tempo, mas seja lá onde for a casa de doces que eles encontraram, não é a casa de doces que eu procuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo assim fico feliz por eles. Eu tenho essa capacidade. Deve ser o meu trunfo. Afinal, tudo indica que apesar do tudo eles gostam de mim. Então penso que talvez - enfatizo a noção de possibilidade em &lt;em&gt;talvez &lt;/em&gt;- eu não seja uma pessoa tão má. Talvez.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em homenagem às imensas distâncias, eu escrevo. Aprendi, tarde demais para denotar inteligência, que escrever é trabalho duro. E. H. e os furúnculos no meu traseiro, resultantes da posição sentada, me ensinaram que bons textos são apenas palavras articuladas por juntas fortes e que inspiração é outro nome para esperteza, a capacidade de duvidar que as coisas se resumem às suas especificidades. Escrever é trabalho duro e por aqui, nenhuma musa inspiradora dá conta do recado. Embora eu escreva sobre e para elas, as musas não são capazes de esgotar o estoque de foguetes azuis que explodem nas minhas tripas. É por isso que as musas passam rápido demais em seus carros ou desativam seus fotologs, mas eu continuo cultivando os furúnculos, no trabalho duro de comunicar alguma coisa a alguém. Às vezes, alguns alguéns entendem do que estou falando. Eles sabem que um shoobi-doobi-da-ah pode demover um homem da idéia de suicídio. Sabem da imensa solidão que se esconde debaixo das cobertas sempre que as noites terminam em manhãs. Desses eu sigo os rastros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A outros alguéns, basta resumir meu trabalho duro em uma alegação de tristeza. Imagino que fujam daqui, como os cães fogem dos fogos de artifício, de volta às suas felicidades. Sei que estão certos em não me escutar e fico feliz que a tristeza da qual falo possa ser evitada. É então que penso que talvez - enfatizo a noção de possibilidade em &lt;em&gt;talvez&lt;/em&gt; - eu não seja uma pessoa tão boa. Porque tenho certeza, mesmo sem provas irrefutáveis, de que aqueles que escolhem me ignorar vão ter um dia ruim, uma grande decepção, um quase orgasmo. E pode até ser rápido como a minha sensação de Los Angeles, mas eles sentirão a tristeza como uma faca. Talvez até lembrem de algo que leram de mim. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E isso foi tudo o que aprendi: escrever é trabalho duro, como todos os atos de vingança.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3024077395850816515?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3024077395850816515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3024077395850816515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2008/01/ossos-tripas-e-sangue-vertendo-do-ofcio.html' title='Ossos, tripas e sangue vertendo do ofício'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2349908091230700193</id><published>2007-12-20T14:55:00.000-02:00</published><updated>2007-12-20T19:56:17.030-02:00</updated><title type='text'>Fora da Província</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Flat Hotel Bar. Setembro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A garota em saia e maquiagem espera por nada entre sofás e garrafas de cerveja. Embora conheça algumas pessoas no bar, está inexoravelmente sozinha enquanto todos conversam, felizes e estridentes. Não é um problema, no entanto. O bar começa a esvaziar e todas as chances que poderiam cruzar seu caminho estão apagadas, então ela apenas apóia os pés na mesa de centro e torna a encher seu copo, tranqüila e sem olhar para os lados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Três garotas se sentam nos sofás em volta. Claramente não se encaixam no ambiente estiloso: estão em calças de boca larga, os cabelos compridos sem franja. Começam a conversar sobre escola. Sem dúvida, pedagogas, professorinhas de criancinhas. O que elas estão fazendo ali? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma delas olha para nossa &lt;em&gt;heroína&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você tá bem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A garota se surpreende com a pergunta, mas não demonstra, numa atitude blasé nem um pouco forçada. Balança a cabeça e responde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Elas parecem entediadas como quem espera a hora de ir embora. A garota sozinha pega mais uma cerveja. A professorinha que lhe fez a pergunta olha para a heroína, que se oferece para encher o copo. A professorinha aceita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, para surpresa quase indisfarçável da heroína, a professorinha vira a cerveja, toma tudo de um gole. Ela torna a perguntar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você tá bem mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A heroína sorri com o canto dos lábios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;em&gt;Chocolate Factory Lounge. Dezembro.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Wednesday samba no Lounge. A heroína está com dois amigos, mas sobe sozinha ao andar superior para ir ao banheiro. Não tem fogo, e no caminho encontra uma garota com cabelo de the L word, com um isqueiro. Ao chegar ao banheiro, seu tubo de tabaco Laramie não está nem na metade. A mesa ao lado das portas está vazia, e ela se senta para acabar o cigarro com calma. Um indie novinho, geração posterior à sua, entra no banheiro e ao sair, dirige-se a ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você tá sozinha aí?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela pensa na resposta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Mais ou menos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ah, ok. Se estivesse ia chamar você pra sentar ali com a gente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A heroína continua sentada apreciando o Laramie. Uns minutos depois o indie volta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você não quer sentar com a gente mesmo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela abre um largo sorriso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Na verdade, só estou esperando esse cigarro acabar, para ir ao banheiro e depois descer. Mas obrigada por convidar. Sempre saio sozinha e ninguém nunca fala nada. Obrigada mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É foda, coisa de Provinciano. Eu sou da Primeira Capital, e é bem diferente mesmo. Mas então depois a gente vai dançar um samba lá embaixo, feito?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda com seu largo sorriso, a heroína responde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Feito.&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;The sweet girl with all her sweet talk.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andando pela Cidade, a heroína olha em volta e nenhum olhar na multidão encontra o seu. Não existe absolutamente nada que possa fazer a respeito disso. Ela não se preocupa, numa atitude mental blasé autêntica. Olhando para cima, pode ver a silhueta dos muros pré-históricos tapando o sol. Mas não importa o quanto as sombras tomem as ruas pelas quais anda, ela não vai desistir de provar sua única certeza, maior até do que a certeza da morte: a vida é diferente fora dos muros da Cidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2349908091230700193?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2349908091230700193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2349908091230700193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/fora-da-provncia.html' title='Fora da Província'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2326321039034010569</id><published>2007-12-16T00:39:00.000-02:00</published><updated>2007-12-16T01:08:17.243-02:00</updated><title type='text'>Se você se aproximar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De início, eu pensei que fosse apenas a mutilação ordinária decorrente da falta de amor. Pensei que ela havia se desdobrado na falta de atenção e de brilho que a ausência de paixão imprime a todas as coisas vivas, até o ponto em que apenas as pedras da calçada fazem sentido. Por fim, pensei que o medo infantil fosse o resultado lógico da falta de todas as emoções que fazem as batidas do coração valerem a pena. Mas agora acho que me enganei. &lt;em&gt;O buraco é mais embaixo&lt;/em&gt;. Agora as calçadas andam respirando e cutucando minhas costas quando estou distraída. Agora meu iPod é, sem sombra de dúvida, meu melhor amigo. Agora toda a inspiração que fazia até o ser humano mais reles ser uma Musa Em Potencial tornou-se apenas a visão enfadonha dos mortos andando pelas ruas até um lugar vazio que o ar passando por suas cordas vocais insiste em emitir o nome de casa. Então eu, escutando a música, num devaneio como tantos outros tantos antes tantos anos de esperança de um verdadeiro sorriso, agora os devaneios invadem o ar dos meus pulmões que passa pelas minhas cordas vocais e então eu digo o devaneio no ar material AH, ELA É TÃO BONITA. Abro os olhos, assustada na consciência retardada do que fiz enquanto Elvis se manifesta pelo meu melhor amigo. Olho em volta e os olhos dos viajantes do ônibus noturno me perscrutam. &lt;em&gt;Eu devaneei em voz alta.&lt;/em&gt; QUER UM ÚLTIMO CONSELHO DE ALGUÉM QUE DESCONFIA DE CONSELHOS? Não me pergunte como estou. Eu posso devanear na sua cara e dizer a verdade.;: &lt;em&gt;ando com um medo sincero de estar ficando louca&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2326321039034010569?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2326321039034010569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2326321039034010569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/se-voc-se-aproximar.html' title='Se você se aproximar'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-504656607289183567</id><published>2007-12-11T02:33:00.000-02:00</published><updated>2007-12-11T02:38:56.621-02:00</updated><title type='text'>Ao vivo, o mensageiro das janelas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Febre em duas mil toneladas de ferro e aço e há décadas que o carregamento de armas está para chegar na Cidade, mas a Cidade não quer saber de balbúrdia. É por isso que tudo anda tanto em tons de cinza, mesmo com o sol a pino da uma da tarde - horário de verão, o que isso deve significar além das garotas levando suas bucetinhas para passear. Por enquanto continuo andando sozinha, falta de opção completa. Eu não ligo, mesmo. Por exemplo, veja esses jovens parecendo se divertir tanto, não duvido que estejam mesmo tendo &lt;em&gt;the time of their lives&lt;/em&gt;. Mas eu não sou um deles e nem desejo ser. Eu não acho que música seja uma trilha sonora que existe em função da minha vida e das minhas dores de cotovelo. Não acho que caras como Brian fizeram aqueles minutos felizmente intermináveis para eu subir no palco e parecer magra. Não acho que a diversão venha da negação da regra ou da mente vazia, por isso só posso me divertir sozinha. Por isso quando estou acompanhada é dos jovens mais velhos do mundo. Parece pouco mas para pessoas como nós, a impossibilidade de diversão exclui e nos impele para noites de sábado assistindo o Supercine. O Supercine faz sentido, ao contrário da diversão burra dos jovens. Mas não pensem que eu não gosto dos jovens. Adoro-os. Comeria esses neófitos da vida num jantar fino, morderia a delicada cútis das meninas, cheias de corretivo agridoce para disfarçar as marcas das espinhas. Separaria a pele gordurosa dos meninos para descartá-la e comeria apenas a pesada carne enquanto seus olhos claros boiariam por entre as pedras de gelo do meu martini. Entendam, eu passo as noites de sábado a assistir o Supercine, depois das tardes ensolaradas na frente do computador, pensando, pensando, pesando - minha idiossincrática forma de diversão. Até mesmo posso me comunicar por janelas que piscam em laranja. Até mesmo converso com alguns dos jovens que eu comeria. Escuto seus motivos banais de depressão. Encorajo-os a espremer as laranjas para curarem a ressaca que parece nunca terminar. Dou risada pelas janelas &lt;em&gt;hahahahahahaha&lt;/em&gt;, eles respondem rindo &lt;em&gt;hueahuheahuhauehuah&lt;/em&gt;. Fingimos nos importar uns com os outros, mas na verdade, estamos de pijama, fedendo a sono e sovaco, ponderando as vantagens de levantar para cagar. Aos sábados, eu não penteio o cabelo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-504656607289183567?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/504656607289183567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/504656607289183567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/ao-vivo-o-mensageiro-das-janelas_11.html' title='Ao vivo, o mensageiro das janelas'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-9149464481399310073</id><published>2007-12-09T03:26:00.001-02:00</published><updated>2008-02-24T02:12:24.226-03:00</updated><title type='text'>No Yankee Hotel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;quarto 202 &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas das coisas mais importantes deixaram de ser ditas, e eu tenho uma desculpa na ponta da língua: eu precisava proteger. Num ímpeto de preservar os sorrisos e as mãos dadas, eu não disse que pensava na conta da mercearia quando a gente trepava. Também não disse que por trás da sua pose de inteligente e sagaz, o que eu via era alguém que nunca saiu do bairro onde nasceu. Deixei de dizer que o seu charme me parecia, por vezes, patético. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas das coisas mais importantes deixaram de ser ditas, porque seriam dolorosas. Contei bonitas mentiras no lugar. Eu disse que te amava. Eu disse que minha vida só fazia sentido quando você estava por perto. Derramei lágrimas depois de cheirar a sua roupa na sua frente quando você foi embora, mas tudo o que senti foi o sabão em pó que usei para lavá-la. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas das coisas mais importantes deixaram de ser ditas em nome da rara felicidade de quando estávamos juntos. Nunca te contei que naquele dia em que te bati só estava louca para ir para casa porque debaixo do vestido sexy eu estava usando uma calcinha encardida. Ou que aquele poema meloso que te entreguei foi escrito pela minha vizinha. Nunca te contei que saí com seu amigo e que nos últimos tempos, eu só não te largava para não deixar de vê-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram coisas importantes e você preferiria tê-las escutado, em nome da certeza da minha sinceridade. Lá no fundo, eu gostaria de te falar tudo isso ao vivo e te pedir perdão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais no fundo ainda, sei que não me arrependo e a razão pela qual não abro o jogo é que me divirto com os segredos que guardo apenas para mim. &lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Esse texto foi apagado do blog, salvei nos arquivos, depois de publicá-lo na referida data. Acabei de mudar seu final. Ainda não gosto dele. Mas é uma forma de dizer a verdade sem dizê-la. Todos os meus textos são; mas como esse tem como tema dizer as verdades, seria muito covarde apagá-lo.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mas mais do que isso, não posso negar que me divirto ao dizer essas verdades específicas sem dizê-las. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-9149464481399310073?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/9149464481399310073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/9149464481399310073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/no-yankee-hotel.html' title='No Yankee Hotel'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1951819685949212659</id><published>2007-12-09T02:43:00.000-02:00</published><updated>2007-12-09T02:55:40.266-02:00</updated><title type='text'>Grandes novidades: um aviso mais ou menos pessoal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parece que todo mundo anda muito sabido e espirituoso. Todo mundo enche a boca para me corrigir quando falo do meu ódio por alguma coisa: "você sabe, o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. O ódio e o amor são sentimentos muito próximos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu, que sou educada, não respondo. Mas se respondesse, eu diria:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;NÃO DIGA, SHERLOCK.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouvi essa frase pela primeira vez há cinco anos, e considerando que vivemos num mundo onde o ódio é uma prática disseminada, as pessoas estão bem cientes do fato por vocês atestado com tanto vigor de &lt;em&gt;pensadores&lt;/em&gt;. Isso já é um puta dum clichê, seus cafonas. Pensem bem antes de mandarem esse psicologismo barato para cima de alguém. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1951819685949212659?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1951819685949212659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1951819685949212659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/grandes-novidades-um-aviso-mais-ou.html' title='Grandes novidades: um aviso mais ou menos pessoal'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3473727444045729283</id><published>2007-12-06T22:26:00.000-02:00</published><updated>2007-12-07T00:27:37.333-02:00</updated><title type='text'>Água</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha bota está furada. Percebo quando desço do ônibus e habilmente abro o guarda-chuva, cujas hastes cedem ao hábil vento. Empurro as hastes mas não dá nenhum resultado: quando endireito uma, a outra entorta. Decido procurar um lugar para me abrigar enquanto tento fazer a coisa direito, e atravesso a rua até o ponto do outro lado. Olho para o chão e percebo o asfalto inundado. Só faltavam os peixes. Pulo o mais longe que consigo tentando evitar o contato com toda a água e, em vez disso, o pulo levanta litros de água, me fazendo parecer uma estátua numa fonte por dois segundos. Minhas meias se encharcam. Meu guarda-chuva está virado para cima, formando uma espécie de tigela que armazena chuva em cima da minha cabeça, enquanto todo o resto dela - da chuva - vem de todas as direções, bem na minha cara, lavando as lentes dos meus óculos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha bota está furada. Ando por toda a Downtown com os pés congelando e embora eu ame a chuva, é extenuante. Cumprindo funções de um lado para outro, em todas as quadras, piso em todas as poças que as depressões do asfalto criaram mas até que, depois dos primeiros cinco minutos, não faz tanta diferença assim. O couro já está todo molhado, mais ou menos uniformemente. Não existe mais a diferença de temperatura entre o seco e o molhado. Existe apenas o calor dos meus pés evaporando com a água quando da estiagem. Eu ando por Downtown até a chuva não incomodar mais. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha bota está furada e esse cara não parece ligar. Sempre achei que ele fosse do tipo que ligaria. Sentado ao meu lado, imaginei que apenas por esporte ele fosse dar em cima de mim. Mas talvez não fosse apenas esporte. Ele me diz que já me viu por aqui antes, alguns dias atrás. Eu me lembrava bem dele, mas você já esperaria: eu sou do tipo que lembra; não ligo para botas furadas. Ele, em compensação, não tinha nenhum motivo para lembrar. Mas me disse que eu estava lá alguns dias antes e descreveu minha roupa: você estava com essa bota, e com essa calça também, eu acho, mas a calça estava por fora. Também estava com uma blusa preta e as unhas pintadas de vermelho. Ele estava tão certo, que eu não poderia fazer nada além de virar o copo de cerveja para disfarçar meu queixo caído de espanto. Agradavelmente conversamos mais, e, com alguém tão atento, não poderia ser de outro jeito. Ele me dá um convite para uma festa nessa noite e diz que adoraria me ver lá. Eu não ligo que ele me abrace quando se despede.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha bota está furada e secando na varanda. Agora que é noite, parou de chover. Eu não vou sair de casa e sei exatamente o que estou perdendo: as poças tão logicamente desaparecendo, a música tão desesperadamente tocando, as pessoas tão lindas sorrindo. Eu sei exatamente o que estou perdendo e embora me lamente um pouco, sei que estou fazendo aquilo que é direito. Há algum tempo aprendi que não devia me aproximar demais dos garotos doces. Pelo bem deles e pelo meu. Eu vou ficar em casa, me recuperando da leve ressaca da cerveja do meu queixo caído, entre as invariavelmente secas paredes da minha exclusiva prisão, tomando litros e litros da morna água do meu potente filtro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao engolir, penso que por mais que eu goste de chuva, o que eu queria mesmo era o gelo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3473727444045729283?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3473727444045729283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3473727444045729283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/gua.html' title='Água'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5663031029168771636</id><published>2007-12-05T14:20:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T14:51:35.572-02:00</updated><title type='text'>Notas para Becky</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi em algum lugar que o escritor iniciante tem que se desnudar. Só assim dá certo. Ele tem de se levar ao extremo. Dar a cara a tapa mesmo sabendo que vai levar uma coronhada. Eu não poderia concordar mais com tudo isso. Todos os textos de médio para ruim que já escrevi nesse blog ficaram nesse estado deplorável porque eu não tive a coragem de dizer o que eu realmente tinha para dizer. Sem colhões para apontar o dedo para a cara da vida, vou saindo pela tangente. Tentando construir metáforas para dizer sem dizer. O escritor iniciante não pode fazer isso. O escritor iniciante tem de gritar na cara do melhor amigo, &lt;em&gt;morra, imbecil&lt;/em&gt;. O escritor iniciante tem de saber dar um bom chute no saco da dor. O escritor iniciante tem de confessar que ainda é virgem, não ficar elogiando a punheta. O escritor iniciante tem de sempre procurar a verdade precisa, seja lá o que isso signifique. E eu não tenho feito isso 100% do tempo, por isso tantas frases sem sentido, tanta evasão daquilo para onde eu deveria estar correndo, por isso tantos erros. E tanto medo de que algum dia alguém entenda perfeitamente do que diabos eu estou falando, e eu leve a coronhada certeira daquele que entender que eu estou revelando segredos. Eu tenho medo da coronhada. Mas não tenho e não quero mais a saída fácil das figuras de linguagem ou do lugar-comum do lirismo. Não existe meio-termo ou meias-palavras. Ou a coronhada, ou a cova.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5663031029168771636?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5663031029168771636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5663031029168771636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/notas-para-becky.html' title='Notas para Becky'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-614145571095673948</id><published>2007-12-03T23:57:00.000-02:00</published><updated>2007-12-05T14:50:41.557-02:00</updated><title type='text'>Carrara</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mundo se forma nas dobras da matéria enquanto minha mente explode embaixo de um sol mortífero e ainda, é preferível ter os miolos espalhados pela grama, entre excrementos de centenas de cães, à frieza do ar condicionado e da luz apropriada. E olhe que eu não sou a maior fã de domingos ensolarados. Eu tenho razão, à minha maneira. À minha maneira, prefiro a fumaça do cigarro à do carvão assando a carne do churrasco. À minha maneira, faz sentido que a fumaça se espalhe partindo de um pequeno ponto no espaço, à maneira do mármore trabalhado como se fosse pano ou a pele torcida das barrigas das garotas gordas que se abaixam para pegar a moeda de vinte e cinco centavos que caiu no chão. A pele de um inverno sem bronzeado. Eu encosto no mármore como se fosse o torso de um homem e com a reverência de um aprendiz no ateliê de um grande mestre renascentista. Eu tenho razão. À minha maneira, contemplo as garotas se levantando com destreza, puxando a blusa curta para baixo, disfarçando as gorduras. Elas andam com seus cães por um vasto jardim e assim que saem do meu campo de visão, volto a tocar o torso de um homem de mármore de um passado desvanecido. Eu não toco ninguém há talvez tempo demais pois há tempo demais o sol não dá trégua. Eu suspiro  ao perceber o fato inexorável das tardes de domingo: o mármore, simulacro de pele, é a única coisa viva que tocarei em muito tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-614145571095673948?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/614145571095673948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/614145571095673948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/12/carrara.html' title='Carrara'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6120344459358883097</id><published>2007-11-27T22:20:00.001-02:00</published><updated>2007-11-27T22:23:45.051-02:00</updated><title type='text'>Constatação</title><content type='html'>O relógio do meu computador anuncia:&lt;br /&gt;vinte e três horas e vinte e nove minutos&lt;br /&gt;do dia quatorze de abril&lt;br /&gt;de dois mil e um,&lt;br /&gt;sábado,&lt;br /&gt;nessa hora presente,&lt;br /&gt;exatamente agora,&lt;br /&gt;eu sei que ninguém está pensando em mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6120344459358883097?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6120344459358883097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6120344459358883097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/11/constatao.html' title='Constatação'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1326869432616201207</id><published>2007-11-27T19:41:00.000-02:00</published><updated>2007-11-27T20:10:13.911-02:00</updated><title type='text'>Reserve um tempo para ficar bem cansado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;, perceber que mais um dia está começando, mais uma vez você vai levantar sem se preocupar com ninguém. Não há mais ninguém para ser acordado. Os lençóis desarrumados não pedem nada, não vão demandar café da manhã na cama com uma flor na bandeja. Você pode ligar a tevê do quarto e assistir desenho animado. Pode sorrir sozinho. Pode não pensar em mais nada. Reserve um tempo para não escutar o que eu tenho para dizer, sei muito bem que ninguém precisa dos meus xingamentos. Reserve o seu tempo, reserve a sua solidão, reserve o ar nos seus pulmões. Reserve noites mais felizes e a volta para casa mais bêbado pois eu não estarei no banco do carona, se você enfiar o carro num poste é só com a sua morte que vai ter que se preocupar. E também as tardes de sábado: o telefone não vai tocar acusando minha amizade na tela &lt;em&gt;ligação não-atendida 5550123&lt;/em&gt;. Reserve os fins-de-semana para churrascos, diversas mulheres ou placa dentária. Reserve sua vida para a diversão que eu não sou capaz de fornecer. Reserve os lençóis que você nunca mais arrumou para a noite de domingo, um tempo perfeito para ficar bem cansado da sua nova e excitante vida. E bem cansado, pegando no sono em estado alfa, se minha imagem passar pela sua mente, reserve-se o direito de sorrir aliviado em saber que no dia seguinte, você vai levantar e perceber que não há mais ninguém para ser acordado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1326869432616201207?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1326869432616201207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1326869432616201207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/11/reserve-um-tempo-para-ficar-bem-cansado.html' title='Reserve um tempo para ficar bem cansado'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3600554318469413143</id><published>2007-11-20T01:29:00.000-02:00</published><updated>2007-11-21T03:30:12.531-02:00</updated><title type='text'>Algumas inverdades por omissão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tentei começar tudo com mentiras. Tentava convencer todo mundo de que a angústia chata beliscando meu ventrículo direito já tinha sumido. Se alguém se interessa: eu estou bem. Bem mesmo. Dando uma folga pros meus complexos ordinários e então, eu poderia muito bem dizer que sim, toda a merda já foi embora, resolvi todos os recalques, estou em paz com as velhas decepções. Nesse exato momento, isso não seria mentira. Ando mesmo me focando em coisas maiores, mais bonitas, mais valorosas. Hoje chorei lendo um livro depois da meia-noite; ontem, preparei os finalmentes das coisas que já estavam acabando; minhas relações andam todas muito às claras nas luzes apagadas; minhas vinganças estão encaminhadas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu poderia te olhar nos olhos, dar um sorriso sincero e dizer &lt;em&gt;minha vida tá ok&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentei desfazer a chata rotina comprando cosméticos, blush e sombras coloridas, procurei largar o cigarro, ser uma boa menina. Eu tentei chegar no horário e não falar palavrão. Até que fui bem sucedida. Até que nem estava sentindo falta dos velhos vícios.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que caiu aquela chuva no domingo à noite e eu, aprisionada pelas cobertas no sofá da sala. A televisão conversava comigo e eu não queria ouvir a voz de ninguém. Quando a primeira gota ressoou pela minha janela, eu soube de tudo que estava perdendo. O cômico tédio daqueles que não tem mais nada o que fazer, os que desperdiçam seu tempo com conversas surdas, os que vomitam para não enlouquecer. Os que sonham com a destruição completa da Terra numa onomatopéia de HQ. A chuva e eu me lembrei das sonolentas luzes amarelas dançando nos rios das sarjetas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu ando tranqüila, sabe? Poderia mesmo te dizer que me sinto bem, dar um sorriso sincero, &lt;em&gt;tudo tá ok&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas o que eu poderia escolher não contar é que só estou assim porque me retirei da minha própria vida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3600554318469413143?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3600554318469413143'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3600554318469413143'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/11/algumas-inverdades-por-omisso.html' title='Algumas inverdades por omissão'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5063216077730712048</id><published>2007-11-14T11:25:00.000-02:00</published><updated>2007-11-14T11:48:56.777-02:00</updated><title type='text'>Desperdício</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tudo o que vejo ao meu redor são os olhos vazios daqueles que amo. A cada dia todos se transformam no contrário do que sempre quiseram ser. E eu não posso fazer nada. Não posso agarrar seus pescoços numa gravata bem dada e gritar em seus ouvidos. Ah, se eu tivesse poder assim. Se eu tivesse força suficiente para dizer para aquele cara que por mais que ele durma com todas as mulheres do mundo, ele simplesmente não está fazendo a sua parte. Se eu pudesse dizer que os novos heróis não são nem metade dos antigos, talvez todos enxergassem que se esses heróis provincianos parecem heróicos é apenas por falta de opção melhor, mas também eles estão atolados na lama da Província. Eu poderia fazer ver que o que a vida familiar trouxe à desvairada e rebelde garota não é calma, é resignação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não posso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo o que está ao meu alcance é continuar encarando os olhos de pupilas mínimas na escuridão, debatendo-me em altos gritos de dor, para que o som da minha própria voz me mantenha desperta, para que eu me sirva de alerta, não deixar que meu talento mínimo se perca na garoa fina que desbota a íris dos que se atrevem a abrir os olhos. Só posso cuidar do meu pescoço: ninguém me ouviria embora todos soubessem que falo a verdade. Tanto talento desperdiçado, e frente à surdez dos meus interlocutores, parece-me mais sábio ficar muda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5063216077730712048?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5063216077730712048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5063216077730712048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/11/desperdcio.html' title='Desperdício'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4395121153846156369</id><published>2007-11-11T01:04:00.004-02:00</published><updated>2008-03-28T12:16:43.278-03:00</updated><title type='text'>Estava chovendo na sexta-feira e eu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Leio minhas anotações no cabeçalho da folha molhada do caderno&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;DEVO $0,55 PRA PRISCILA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;enquanto isso, o garoto à minha frente não pára de falar, mexendo suas mãos em trejeitos homossexuais. Começo a prestar atenção e parece que ele está a fim de ficar comigo; ele e os seus trejeitos gays, a fim de uma garota. Não consigo desviar o olhar daquelas mãos, elas dizem homossexual, elas gritam homossexual mas o que ele diz, ele quer ficar comigo, eu não consigo entender. Suas mãos me confundiram em contraste absurdo com suas palavras. Ele relembra aquele sujeito morto, o suicida que virou um mártir urbano que já começo a esquecer, se parar para pensar qual era mesmo seu nome? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;pede mais uma cerveja, e uma caixa de fósforo - &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;a mulher mais classuda da Cidade entra pela porta do bar, demora a me reconhecer. Aceno com minha mão esquerda alta no ar, coisa que nunca faço, mas é simplesmente a mulher mais classuda da Cidade e eu fico tão feliz em conhecê-la - ela não me reconhece, mas que importância tem isso? fico satisfeita apenas de estar no mesmo recinto que ela, poder observá-la de longe enquanto o cara que dá em cima de mim, mas ele parece gay!, mexe suas mãos e eu me lembro daquele amigo homossexual. Saudades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;acendo mais um cigarro &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;estou precisando falar alto demais e silencio toda vez que o gênero-indefinido fala sobre futebol com aquele outro cara que me faz ficar solenemente à vontade, sem a necessidade de... de alguma coisa, qualquer coisa. Acendemos cigarros os três. Se eu quiser falar tenho que gritar e eu grito. Muito cheio o lugar&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu sem óculos, não preciso ver direito mesmo e &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;oh! é aquele Cara, saímos três vezes e ele nunca olhou para mim. Eu lembro a verdade, a indefinição do gênero me dispersou mas agora eu lembrei ahá! eu sou um lixo na rotina ordinária de estar com alguém que não se dá ao trabalho de olhar para mim, não foi esse Cara a primeira vez, eu sou uma especialista em Formas Cruéis de Rejeição, e agora ele está ali com seu melhor amigo. Sei que é seu melhor amigo, saímos só três vezes e ele nem olhou para mim mas eu entro no seu perfil do orkut seis vezes por semana então eu sei com quem ele anda. Ele está, hum, ah, olhando na minha direção como se estivesse me vendo e bingo! ele acena com a cabeça e pisca, para depois passar o resto da meia hora que permanece no meu campo de visão ignorando a minha presença.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu sou um lixo -&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;bebo mais cerveja e já não consigo falar, o gên.-indef. continua gesticulando e O Que Me Faz Sentir Confortável sai da nossa mesa, realmente o gên.-indef. começando a dar no saco. Somos interrompidos por uma conhecida. Eu a adoro. Eu adoro que ela sente na mesa e eu não precise mais prestar atenção, gên.-indef. converse com ela. Dali a pouco ele sai e vai fumar bosta de vaca com alguns amigos que encontrou enquanto converso sobre meus artistas plásticos preferidos e provavelmente a conversa que mais presta na noite. Gên.-indef. volta. Alguém pede mais cerveja. Acendemos cigarros ahhhh hm. É. Olho em direção da mulher mais classuda da Cidade. Ela conversa e sorri, eu me sinto tão honrada em conhecê-la. Eu não agüento mais conversar e não agüento mais ouvir, recinto cheio e muito barulho, eu recolho meu caderno&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;leio&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;DEVO $0,55 PRA PRISCILA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ando uma quadra. Olho no relógio e faltam quarenta minutos para pegar o madrugueiro. Volto para perto do bar, acendo um cigarro. A cerveja empapuçada e o gosto terrivelmente amargo na língua vão me impedir de beber mais. Olho em volta, para os freqüentadores de bar do fim-de-semana, garotas barbies, nenhuma garota lovelock a não ser eu mesma. Penso meu deus! eu devo cinqüenta e cinco centavos pra priscila, eu não sou bonita o suficiente para que o cara que sai comigo faça questão de me olhar mais do que uma vez na noite, e até mesmo quem entendo que merece - veja a mulher mais classuda beijando aquele meio-homem enquanto o resto dessas pessoas tão brilhantes e sorridentes na sua previsibilidade. Eu não faço parte disso, eu não faço parte do dia ou dos fins-de-semana, eu não ligo de pegar chuva, garotas lindas, lindas, quem não as olharia, estou velha e devo $0,55 pra priscila &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;alguém me explica por que a Cidade está tão vazia &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4395121153846156369?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4395121153846156369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4395121153846156369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/11/estava-chovendo-na-sexta-feira-e-eu.html' title='Estava chovendo na sexta-feira e eu'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4571099319514492601</id><published>2007-10-29T00:34:00.000-02:00</published><updated>2007-10-29T02:48:30.380-02:00</updated><title type='text'>Conhecendo Lee</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Conheci Lee num dia chuvoso da Cidade. Nada foi planejado. Estava sentada no balcão, como faço regularmente, quando vi o vulto que parecia ser de meu amigo passando na calçada. Não o reconheci com sua camisa nova, mas decidi conferir. Levantei-me do banco e estiquei o pescoço para fora do bar. Logo notei que ele estava acompanhado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Quase te liguei, mas imaginei que você estaria por aqui. Esse é o Lee. Lee, Barbara. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quase não acreditei quando ouvi o nome. Abri meu melhor sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Até que enfim nos conhecemos! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Demos um beijinho de cumprimento e então, começamos a conversar. Obviamente, a conversa estava sendo muito mais entre Whiteheat e ele. Os assuntos variaram entre as últimas das vidas dos dois e, como sempre com amigos que se conhecem há tempo demais, lembranças da infância, geralmente vergonhosas. Limitei-me a dar risada dos fatos mais pitorescos e falar um pouco sobre os assuntos que, em princípio, nós três tínhamos em comum - a conversa amena, adulta, sem aquela inflexão relaxada que caracteriza aquilo que se chama de intimidade. Quando Whiteheat e Lee faziam alguma piada que somente eles conheciam, eu me limitava a ficar em silêncio ou a sorrir parvamente, procurando respeitar a amizade que - como eu desconfiava - eles não tinham tido muita oportunidade de exercitar nos últimos tempos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No entanto, eu já sabia alguma coisa sobre Lee. Sabia que ele era o único com quem Whiteheat compartilhava seu tipo singular de tristeza e loucura, sabia que era talvez a única pessoa com quem Whiteheat se identificava. Apesar de eu não entender plenamente essa singularidade, sabia que se era esse o tipo de relação que havia, então eu poderia confiar em Lee, ou pelo menos gostar dele logo de saída. Percebi bem rápido que estava certa, mais exatamente quando White foi ao banheiro e ficamos a sós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lee não disse nada. Fiquei esperando que ele começasse algum assunto comigo, mas ele ficou em silêncio, girando o copo de cerveja no balcão formando um círculo de água, sem olhar para mim. Há tempos que ficar em silêncio com alguém não me incomoda, mas com Lee era mais do que isso: eu me sentia verdadeiramente à vontade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Me conte alguma coisa da sua vida - cutuquei imbecilmente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele me olhou com os olhos vermelhos em redor da íris azul.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O que você quer saber? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sorri abertamente. Era a mesma resposta que eu costumo dar quando me fazem esse mesmo pedido. Comentei sobre o vermelho de seu olho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Já me falaram isso hoje. É uma alergia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Alergia a quê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É... ahn... alergia à vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Comecei a dar risada, apesar de saber que ele não estava brincando. Comecei, então, a perguntar coisas específicas. Eu já sabia alguma coisa sobre a vida dele, devido à grande afeição de Whiteheat por ele. Considerando que havíamos nos conhecido há vinte minutos, eu deveria continuar com a conversa adultos-civilizados e fazer de conta que não sabia de sua existência anterior, mas isso iria contra as regras do meu esporte de deixar recém-conhecidos constrangidos com assuntos pessoais demais para que eu me interessasse. Porém, ele não entrou no meu jogo. Respondeu as perguntas sem parecer nem um pouco impressionado com o fato de eu saber tanto. Parecia bem calmo e como Whiteheat havia encontrado conhecidos na volta do banheiro, tive a oportunidade de apreciar sua impassibilidade diante de mim e de minha inconveniência até que nosso amigo finalmente conseguisse chegar até nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Lee, se vamos pegar o último ônibus, temos que sair agora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto pagávamos a conta, observei Lee em silêncio e soube que Whiteheat estava certo. Seu olhar distraidamente atento à cena ordinária que se passava enquanto eu recebia o troco me inspirou uma admiração profunda, como há muito não sentia por ninguém. Ele não voltou a olhar para mim, e isso apenas reforçou a impressão de que eu poderia falar tudo com ele. Eu soube com todas as forças das minhas tripas que Lee me entenderia. Lee era o tipo de cara que eu mataria para conhecer e manter ao meu lado - e é o que eu faria, naqueles velhos tempos em que os dois estudavam juntos na escola, naquele tempo em que eu ainda acreditava que caras como ele poderiam dar um sentido à minha vida, naquele tempo arcaico em que ainda era possível acreditar em alguma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Andamos em silêncio até o ponto. O ônibus deles já estava quase saindo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Lee, foi muito bom te conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era verdade. Andei alguns metros para esperar o ônibus que ia me levar para casa, pensando na coincidência fascinante de conhecer alguém tão raro numa noite que não prometia nada. Pensei em matar alguma coisa para manter Lee ao meu lado, em meio ao frio que ventava em todas as direções como sempre acontece depois da chuva. Se fossem outros tempos... torci para que eles chegassem bem em casa. Se fossem outros tempos, eu me mataria para mantê-lo ao meu lado, mas agora eu sei bem demais que não vai parar de ventar assim como sempre acontece depois da chuva. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4571099319514492601?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4571099319514492601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4571099319514492601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/10/conhecendo-lee.html' title='Conhecendo Lee'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8651812298007432733</id><published>2007-10-17T23:21:00.000-02:00</published><updated>2007-10-17T23:58:01.152-02:00</updated><title type='text'>A companhia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu tenho sempre alguém comigo, não o conheço mas posso vê-lo em todos os lugares pelos quais ando, seguindo-me com a calma de quem sabe que não está perseguindo nada, e sim acompanhando - uma companhia, enfim. Quando ando pelas ruas, indo para qualquer lugar ou nenhum, é apenas um garoto de olhos verdes andando com as mãos nos bolsos da confortável calça jeans. Viro para trás, ele me encara com a cabeça meio inclinada para o lado, como quem observa sem desejar. Se paro, imediatamente ele me imita. Está sempre a uma distância segura. Às vezes estou em algum lugar, e por entre as pessoas com quem converso seu olhar distraidamente atento me chama a atenção e faço um breve silêncio, denotando seu reconhecimento. Às vezes estou apenas comigo mesma, mas ele nunca se aproxima o suficiente, nunca fala nada. Não o vejo com mais ninguém e é como se ele vivesse sua vida a me acompanhar pelas avenidas e becos da Cidade. Tenho, de qualquer forma, sempre a impressão de que ele sabe exatamente como me sinto e o que estou pensando; isso se evidencia nos momentos noturnos de tentar algumas intenções além das primeiras, quando estou sorridente demais naquele esforço de convencimento sexual e ele está atrás de meu desejo e quando o enxergo, ele inclina a cabeça e ergue a sobrancelha esquerda. Não posso evitar de sorrir sorrateiramente em sua direção. Cara esperto. Há umas duas noites ele parecia ter sumido, e eu aproveitei tal momento de solidão tão extrema para conviver com pessoas que não teriam a mínima idéia do que estava se passando na minha mente. Divertido pacas. Lá pelas altas horas da noite, acabamos (eu e o grupo de recém-conhecidos com quem estava) encontrando essa garota, vestida um pouco como eu, e começamos a conversar. Ela se interessava pelas mesmas coisas que eu e também estava sozinha. Acabamos indo para um dos eventos sociais que estavam acontecendo na Cidade. Perguntei o que ela fazia, ao que ela olhou para o chão, como se envergonhada, e respondeu com voz resignada "nada", assim como eu sempre respondo a essa mesma pergunta que, por sinal, odeio. Ergui minha sobrancelha esquerda. Continuei a falar besteiras para ela, tentando não tornar aquela conversa tão triste quanto ela provavelmente se sentia. Os recém-conhecidos com quem chegamos ao evento foram embora, se despedindo de nós. Ela não parecia estar nem perto de ir embora, assim como eu. Não poderia fazer nada por ela e já estava sem saco para tentar ser legal e evitar qualquer dos previsíveis desastres psicológicos cotidianos. Sentei em uma mesa distante até resolver ir embora. Passei por ela no caminho para a porta. Ela me olhou com o mesmo olhar resignado que eu havia provocado algumas dezenas de minutos antes, a cabeça ligeiramente inclinada, as mãos nos bolsos da calça jeans. Não nos despedimos. Sabíamos muito bem que nos veríamos de novo antes que eu alcançasse o ponto de ônibus para finalmente ir para casa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8651812298007432733?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8651812298007432733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8651812298007432733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/10/companhia.html' title='A companhia'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4060059038887566336</id><published>2007-10-08T22:52:00.000-03:00</published><updated>2007-10-15T06:44:48.291-02:00</updated><title type='text'>Telemarketing</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;para o meu melhor amigo, que perdi &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Meio-dia e estou almoçando, absorta no planejamento dos compromissos que me esperam na tarde, sem nem ao menos sentir o gosto da comida que desliza pelo meu esôfago. O telefone toca, saio correndo da mesa para atender - já são os compromissos chamando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Fala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por favor, a senhora Barbara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém que me conheça. Fico desapontada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É ela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Boa tarde, senhora. - a entonação de gravação de próxima parada do biarticulado já me prepara para o que vem por aí. - Aqui é a Carla, da Escai tevê por assinatura. Nós estamos fazendo a divulgação do novo plano de - me irrito e interrompo - Boa tarde, Carla. É o seguinte. Eu acho uma falta de respeito você me ligar na hora em que eu estou almoçando para me fazer comprar alguma coisa. Então nem adianta falar nada, porque só por isso eu já estou desinteressada no que for que você queira me oferecer. No meu lugar, você compraria alguma coisa? Se você estivesse almoçando e fosse interrompida por um vendedor invadindo a sua casa e tomando seu tempo, você ia querer comprar alguma coisa? Acho que não, né. Acho que você concordaria comigo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carla ficou muda do outro lado do telefone. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Pois é, Barbara. - ela se despiu da simpatia que é treinada a usar. - Você está aí almoçando tranqüila, depois vai cuidar da sua vida, trabalhar ou o diabo a quatro que você faz. Você vai desligar o telefone agora, terminar de almoçar e seguir em frente. Enquanto isso, eu vou continuar aqui nessa droga de central tetefônica por mais duas horas, atrapalhando o almoço de mais um monte de gente, ouvindo xingamento enquanto tudo o que eu queria fazer é tomar um café e fumar um cigarro. Mas não dá. Desculpe por atrapalhar seu almoço, mas, na boa, não pense que eu gosto do que estou fazendo. Não pense que estou fazendo o que quero. Tenha um bom dia, já que o meu já tá uma bosta e pelo jeito não vai melhorar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E desligou. Foi minha vez de ficar muda, perplexa, segurando o fone na mão. Carla havia me feito perceber algo que há dias eu não lembrava: eu não era a única pessoa no mundo. Nenhuma novidade; ainda assim, pareceu-me incrível. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;geralmente eu não faço isso, ok? geralmente eu tenho bastante consciência de que cada rosto preocupado tem uma história para contar. geralmente eu lembro que das possibilidades incontáveis a minha vida é apenas uma. geralmente eu respeito os transeuntes e não quero me impor a ninguém. geralmente, eu sei muita coisa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tenho evitado jogar tempo fora. Sabe, né? Ligações intermináveis com amigos carentes. Tevê. Compras. Ler revista de fofoca. Tenho muita coisa para fazer, muita coisa para pensar. Nenhuma delas de importância extrema, nada do que faço faz tanta diferença para o mundo ou para meu colega, debruçado ao meu lado sobre a pilha de papéis que vou ter de revisar. Mesmo as coisas mais importantes que faço não têm nada demais, aliás acho que perco a maior parte do meu tempo me ocupando com essas outras coisas que fazem ainda menos diferença, sexo no fim de semana, o sabor do sorvete que vou comprar no mercado, o presente para comprar para o chá de bebê de mais uma amiga, o ônibus que vai me fazer chegar mais rápido, seja aonde for.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;minha vida é um desperdício de tempo tão grande que chega a ser engraçado, mesmo extirpando as partes mais superficiais ainda sobra a babaquice que continuará a ocupar meus dias e noites. eu olho para trás e esse monte de inutilidades é tudo que consigo detectar na minha memória. não sou nada. não sou droga nenhuma. chega a ser engraçado, se eu estivesse sozinha começaria a gargalhar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fico me perguntando como foi que caí nessa. O que diabos aconteceu para eu realmente pensar que tinha o direito de reclamar com a pobre da Carla no telefone? Que falta de sensibilidade a minha. Que falta de me enxergar. Mas eu realmente não costumo ser assim. Por exemplo, uns dois sábados atrás. Aquele cara habilidoso que precisava de alguém que olhasse para ele com olhos de pássaro e não de pantera. E eu precisava de apenas um olhar, qualquer que fosse, mas eu não exigi. Eu dei meu melhor olhar de beija-flor, e ele nem olhou para mim, mas quem olha não é verdade?, eu fui ao restaurante afrescalhado de que ele gosta, ouvi com atenção as histórias que ele precisava contar enquanto me apoiava nas costas da cadeira, inclinada em sua direção. E ele contou as histórias que quis e não me fez nenhuma pergunta. Minha vida não é mesmo interessante, então não dá para cobrar interesse de ninguém.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;eu só pude dar um sorriso envergonhado torcendo para que ninguém visse. é cômico, eu ter essa impressão de que as histórias são tão fascinantes e de que uma vida nunca é igual a outra. mas a minha e o meu planeta plano, minha história um filme chato em preto e branco. sem as grandes estrelas bichas da idade de ouro de hollywood. aquele que não serve para filme preferido, aquele que você assiste na madrugada sonolenta e nem lembra o nome. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei tão fascinada com o olhar perdido no nada, dias pensando nisso, noites regurgitando beijos e o Maldito Pesadelo de que talvez essa fosse a minha chance de ter uma história fascinante também. Não dava para não ficar feliz. Não dava para não ficar esfuziante quando era sua voz no telefone. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;talvez essa fosse minha chance&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;ele no meu subconsciente por três noites consecutivas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"acordei com o teu cheiro no meu travesseiro hoje"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;não tinha como não ficar feliz&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;uma ligação não atendida&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei quando, mas em algum momento a humanidade se quebrou e virou divertido discutir mídias eletrônicas e marketing viral. Não interessava: depois de tantos dias ouvindo em silêncio, mais de mês, inclinada sobre tantos homens e mulheres com suas histórias fascinantes, eu também precisava falar. Eu discutiria mídias eletrônicas, marketing viral, design de produto e propaganda e o que viesse, tudo para ter a oportunidade de falar, eu falei, falei demais até minha voz ficar alta estridente insuportável, eu falei e falei com quem quer que estivesse ao meu lado conhecendo ou não --&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando diabos vou aprender que se quiser falar, eu tenho que pagar uma terapia? &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;eu não retornei, minha culpa, exclusivamente minha culpa. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto eu falava a mil por hora como uma égua desembestada o novo Protagonista esperava, a cinco passos de mim. Esperava a chance tão comum do meu silêncio e da minha solidão noturna, ele não tinha meu telefone e não parecia querer ou precisar e isso não tinha a mínima importância. Eu o amava, verdadeiramente. Eu o amava como nunca amei ninguém. Eu o amava com meu baixo ventre e agora ele ia embora com uma galinha de primavera enquanto eu não conseguia e não queria calar a boca. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;é engraçado, cômico, se alguém tivesse noção gargalharíamos juntos, mas ninguém nunca parou para escutar nada, embora eu estivesse falando sem parar ninguém se inclinaria na minha direção para escutar e perceber. mesmo assim, lá estava eu, sendo a protagonista de uma comédia porca e de mau gosto do século XXI - um fracasso completo, de público e crítica. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos vão embora e eu fico só, todas as chances desperdiçadas em olhar no espelho e aceitar a desculpa, "eu estava bêbada", minha razão aceitando a mentira com condescendência. Eu precisava falar. Precisava pensar que sou mais do que uma figurante no filme em que participo. Pensei e agi como se tivesse arrebanhado um prêmio da academia, e agora, voltando a ficar só leio o fundo da minha cabeça e revejo cenas esparsas dos filmes que acreditei serem bons, aqueles primeiros atores, aquela química incrível que rolava entre a gente como uma gangue de cinco marginais perdidos. Uma ponta de nostalgia. O tempo de inocência acabou, e se eu tivesse que dizer apenas uma verdade para aquele primeiro ator que me rendeu um prêmio informal de melhor beijo do ano, só teria uma coisa a dizer&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;desculpe ter ligado tantas vezes&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu diria&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;foi a paixão e a solidão que teve de ser&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu diria não se preocupe&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;nós não teríamos sobrevivido às manhãs&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu diria as noites foram tristes e frustrantes mas ninguém sobrevive às manhãs&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;eu diria&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;eu não diria nada, inclinada sobre ele enquanto ele contava suas histórias sem se interessar pela miséria das minhas manhãs &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carla, espero que a meia-noite te traga mais do que a petulância do meio-dia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4060059038887566336?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4060059038887566336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4060059038887566336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/10/telemarketing.html' title='Telemarketing'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-4382494297707822317</id><published>2007-10-01T18:38:00.000-03:00</published><updated>2007-10-05T21:33:14.879-03:00</updated><title type='text'>Sorte bipolar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não deixa de ser engraçado como em alguns dias os eventos pulam depois de semanas de trânsito no pause. A vida vomita a maravilha de acasos &amp;amp; coincidências depois de todo aquele tédio que me impulsiona para... bem, não sei. A Cidade entrou na fase maníaca: entre os almoços de Nissin Lamen e a histeria das garotas nas manicures, alguma vibração sísmica perceptível apenas pelos ratos denuncia que os prédios estão quase vindo abaixo e o clima se altera, instintivamente as saias rastejam para fora dos armários e os homens de habilidade afiam seus olhares. Eu percebo tudo à distância; eu raramente me envolvo. Mas a Cidade não deixa barato, ninguém sai impune: depois de semanas de angústia, coração acelerado e black nerves &lt;em&gt;por nada&lt;/em&gt;, vibrações de todos os gêneros começam a acontecer: as caixas de som com a música alta demais, a tão desejada compensação pelos péssimos dias, tantas cores nos copos e nomes nos filtros dos cigarros. Ninguém sai impune: ninguém deixa de fazer uma dúzia de impensáveis e inexoráveis cagadas: ninguém deixa de ser, pelo menos, um pouco feliz. No caso da imagem do espelho, o nervosismo é inversamente proporcional ao nível maníaco da Cidade - quanto mais lascívia nos olhares, menos preocupada fico. Quanto menos preocupada com tudo, mais minha sorte me presenteia: uma nova chance de olhar dentro de alguma das Misteriosas Cavernas dos Desejos escondida dentro de olhos que não poderia contar qual cor; risadas cortantes em vozes que escuto com a garganta; tanta força em tantos quadris. Mas passa. Rápido. Terremotos na Província não duram mais que alguns dias, ou horas, ou dezessete minutos. Então o tédio bate na porta do quarto do motel barato e afugenta o que resta da minha fraca histeria, os acasos se tornam tão previsíveis que eu poderia escrever as inutilidades que se noticiam no jornal da Comarca com três dias de antecedência. Estou de volta à minha inspiração intranqüila. Depois de adentrar covis onde me é permitido sorrir, tenho de retornar à resignação habitual das noites silentes de telefones mudos, lembrando o ritmo sísmico e suas conseqüências animais como se eu os tivesse sonhado. A Cidade, em fase depressiva, e minha sorte dando uma volta por aí. Por algum motivo que desconheço, sempre parece que ela nunca mais vai voltar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-4382494297707822317?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4382494297707822317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/4382494297707822317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/10/sorte-bipolar.html' title='Sorte bipolar'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5197632666458415672</id><published>2007-09-29T18:29:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T19:21:41.351-03:00</updated><title type='text'>Sobre o supérfluo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Perdi meu charme, será possível, uma grande fase de azar que se prolonga pelos intervalos entre os nanossegundos. A Cidade perdeu seu brilho amarelo, não chove mais, o telefone nunca tocou e a familiar vontade de destruição se instaura. Apago o que não seja estritamente necessário; enquanto decido o que manter me pergunto sobre meus critérios para definir o supérfluo. Supérfluo: tudo o que não brilha sob a luz amarela das noites da Cidade e então, eu posso apagar a Cidade mesma pois ela não me interessa mais, sem sua chuva em meus cabelos compridos. Supérfluo é o que não conhece classe e eu poderia muito bem fuzilar o imbecil com cabelos mais bem cuidados que os meus, inventando jogos cretinos para se jogar no bar. Supérfluo é todo aquele que não consegue encerrar histórias sem preservar sua dignidade então, por que você não corta os pulsos, termina a sua brilhante carreira de clichês artísticos e pára de exumar o corpo de um amor que nunca foi? Supérflua é toda cabeça que não me dá tesão, o que faz todos se perguntarem por que diabos ainda não me dei um fim. Conto: a única forma desejável de suicídio seria pular do prédio mais alto da fosca Downtown num primeiro e último vôo de águia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu deveria, afinal eu e minha vida supérflua merecem, mas não consigo passar do décimo andar, não consigo chegar ao terraço. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alas, Barbara Lovelock: seu andar não faz justiça a suas pernas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5197632666458415672?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5197632666458415672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5197632666458415672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/09/sobre-o-suprfluo.html' title='Sobre o supérfluo'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1015960081112155967</id><published>2007-09-26T20:01:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T23:02:12.232-03:00</updated><title type='text'>Para Becky</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;nos espaços mínimos, de novo,&lt;/em&gt; apagando palavras que não fazem mais sentido e talvez esse seja o destino final de todas elas - não me parece tão mal passar a vida escrevendo e antes de morrer queimar todas as frases arduamente pensadas - se é que hoje ainda é possível tanto drama, se é que a Cidade comportaria tal comportamento teatral que não se coaduna com as viagens infinitas em ônibus circulares &amp;amp; o tédio dentro dos bares lotados. De qualquer forma, eu não dormi nesse tempo que estive fora. Pelo menos não dormi tanto. E pensei, e tive dores de cabeça, e passei fome. A vida me arrancou o Maldito Pesadelo a duras penas depois do meu coração se acelerar quando ele chegava perto - &lt;em&gt;black nerve, black nerve &lt;/em&gt;- e agora, nem mesmo os cabelos grisalhos de kit marlowe vão me impedir de suspirar fundo depois de beber deus em garrafas de cerveja e em bisnagas de pomada. Becky querida: eu fiquei fora, voltei mais confiante do que nunca, e me parece mesmo que nunca estive respirando melhor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1015960081112155967?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1015960081112155967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1015960081112155967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/09/para-becky.html' title='Para Becky'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5406104381941090958</id><published>2007-09-16T14:02:00.000-03:00</published><updated>2007-09-24T22:51:31.534-03:00</updated><title type='text'>As arestas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Talvez LeWitt seja meu artista preferido pelos motivos errados. Talvez eu esteja vendo nos cubos vazados muito além do que eles realmente significam. Mas é que quando o mundo parece estar enlouquecendo, acabando, partindo-se em pedaços, e ainda assim com todo o caos e toda a miséria e todo o acaso, ainda assim as noites são chatas, as conversas irrelevantes, as pessoas perfeitamente previsíveis. O mundo está aí, o mundo é rico e fértil mas tudo com o que eu me deparo são as mesmas pessoas com as mesmas conversas nas mesmas noites nos mesmos lugares. De onde surge este tédio? É simplesmente a minha forma de encarar as coisas, como os otimistas sugerem, ou o tédio é um efeito colateral do excesso de realidade que o mundo proporciona? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5406104381941090958?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5406104381941090958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5406104381941090958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/09/as-arestas.html' title='As arestas'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-1900010079742139377</id><published>2007-09-04T21:43:00.000-03:00</published><updated>2007-09-05T03:09:35.168-03:00</updated><title type='text'>A minha vida: balão de plástico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu tentei terminar o recesso. Tentei três ou quatro vezes fazer as letras saírem como por mágica em velocidade considerável na tela do computador. Eu ando sozinha demais e tentei conversar com a barrinha vertical piscando como uma luz de Natal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu acordei e passei a manhã inteira devaneando manhãs de domingo como há muito não fazia. Faz três semanas. Mais se contar o resto e eu ainda lembro dos detalhes que o álcool me permitiu guardar. Eu fico devaneando sobre as chances embora não acredite nelas. Sei que já estraguei tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje me lembrei de que a Vitória da Eloqüência foi morta não pelo Amor Trancado mas sim pelo abandono, minhas coisas sempre morrem com o abandono como crianças recém-nascidas deixadas sozinhas dentro de um carro fechado. Tudo o que ando fazendo é evitar o abandono por cultivar coisas que não dependem de ninguém para funcionar, e deliberadamente estragar tudo que possa me levar à dependência de algum ser humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu quis não ver, coloquei óculos escuros e ignorei tudo o que há nesse lugar. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje não valeu a pena viver. Talvez eu seja o contraponto bonito de misérias que não conheço, mas só de saber que existem eu já me reduzo a nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-1900010079742139377?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1900010079742139377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/1900010079742139377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/09/minha-vida-bexiga-de-plstico.html' title='A minha vida: balão de plástico'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-7335447226955493075</id><published>2007-08-26T03:32:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T19:08:04.050-03:00</updated><title type='text'>[texto mutilado]</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para a&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://verdevelma.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Gica Trierweiler&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquei sabendo que um chefe de alguma coisa leu essas linhas que escrevo e disse que eu sou muito infeliz. A garota do violão discordou. Disse que eu era visceral. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, chefe do sei o que lá, vou te contar a verdade: enquanto eu estava bêbada, William andou uma quadra para me dar carona para casa, o casal Whiteheat consumava seu amor ao som dos carros andares abaixo, Lord Zeocit abraçava sua mulher enquanto desejava o fim da humanidade, o último protagonista dos meus pesadelos cumprimentava esfuziante um amigo, e a garota do violão, verde como uma goiaba fresca, distribuía seus sorrisos inocentemente lindos. Se você olhasse para mim, teria pena da abandonada garota alheia em cinta-liga e maquiagem, meu rosto derretendo em um 25º cigarro da noite e feição preocupada. Você teria pena, mas o negócio é que eu sabia exatamente onde meus adoráveis comparsas estavam e sabia que eles não estavam pensando em suicídio. E eu olhava para a garota que mal conheço, para quem me apresentei ainda hoje mas que já leio há tempos, a que acha que o que eu escrevo é visceral, e eu afirmo: infeliz não é que eu escreva a mediocridade, infeliz não é que as pessoas matem e morram por pouco, não é infeliz que eu queira escrever odes a isso. O que me impressiona e me faz escrever todas essas linhas é que no meio de toda essa miséria, William esteja sem beber e não tenha parado de freqüentar os bares, que o casal Whiteheat estava sorrindo um para o outro, que o Protagonista seja capaz de se alegrar em encontrar um amigo, que a garota do violão tenha colhões suficientes para fuzilar todos os indies cretinos que conversavam futilidades enquanto ela cantava, mas ainda prefira a doçura de me abraçar e dizer que você está errado, que eu não sou infeliz. Velma, eu não sou visceral. Eu inspiro pena. Mas não poderia ter mais orgulho por ser o contraponto de tanta beleza. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O whenthetvstops e aquilo que chamo de vida estão em recesso até eu mapear Shackleton Heart centímetro por centímetro, então não tente me alcançar se não me ama.&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-7335447226955493075?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7335447226955493075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/7335447226955493075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/vamos-morrerrrrrrrrrr.html' title='[texto mutilado]'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5551427908412581453</id><published>2007-08-22T20:53:00.000-03:00</published><updated>2007-08-23T01:36:32.170-03:00</updated><title type='text'>Um dia em agosto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Duas da manhã e estou lavando uma pia cheia de louça, pensando em Poetas Rivais e Malditos Pesadelos. Minha cadela late muito lá fora, quase embaixo da minha janela. De repente, ela pára de latir e eu escuto uma voz de mulher, e consigo entender o que diz com tanta clareza que parece que ela está a dois metros de mim. "Ai, que linda! Come aqui, come!" Escuto a minha cadela mastigando alguma coisa. A voz continua a falar com a cadela, mas agora não parece tão alta. Desligo a torneira e me dirijo à janela da frente, e no momento de hesitação entre acordar meu irmão e afastar as persianas a voz desaparece. Abro a janela. Minha cadela mastiga quieta perto do portão, mas não há vestígio algum de presença humana. Parece-me improvável que alguma conhecida que amansa minha cadela estivesse passando na rua a essa hora. Parece improvável demais. Será possível? Começo a considerar seriamente que tenha ouvido a voz de um fantasma, daqueles de verdade, a mulher de branco. Meço as possibilidades. Parece plausível. &lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dez para as seis da tarde e estou num shopping não de desconto tomando um delicioso café enquanto converso com um casal de amigos que parecem bonitos e felizes e conectados. Estamos esperando até que o filme que iremos ver comece. Após o tempo necessário, entramos na sala de cinema e tenho de confessar que quem me indicou o filme estava certo, realmente me faz lembrar de mim. O filme acaba perto das oito horas e ganho uma carona até Downtown, muito mais fácil para pegar o ônibus para casa. "Não quer que eu te leve em casa?" "Não precisa não. Está cedo ainda, num dia em que sairmos mais tarde você me dá carona." "Tem certeza? É bem perto para mim." "Claro. Obrigada, gente."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Saio do ônibus pela porta de trás e uma mulher sai pela da frente. Começo a descer minha rua. A mulher, em seus quarenta e poucos anos, me chama. Não a conheço. "Ah, desculpe, achei que fosse uma amiga do trabalho, eu ia falar para descer comigo, que eu não gosto de andar até em casa sozinha." Decido acompanhá-la por mais um trecho. "Onde você mora?" "Ali naquela casa", respondo apontando para trás pois já tínhamos passado minha porta. "Não fica longe para você?" "Não, vou só até ali." A mulher começa a contar sobre hoje, o dia em que se desencantou com o cara com quem queria estar. "Ele começou a contar vantagem, mas eu vi que não tinha nada a ver com ele o que ele estava dizendo. Me desencantei." E foi contando, por aqueles trezentos metros, como tinha sido, que o cara passou em frente ao seu trabalho, o que suscitou comentários maldosos de uma colega. Chego ao ponto em que seguimos sozinhas. "Que bom que você me acompanhou, assim eu contei essa história. Eu me desencantei, sabe? E ele até tinha falado em casamento! Mas vai pra casa senão fica muito longe. Obrigada, viu! Vai com Deus." Volto os trezentos metros até meu portão. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Como a vida pode ser tremendamente esquisita e esquisitamente adorável!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5551427908412581453?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5551427908412581453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5551427908412581453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/um-dia-em-agosto.html' title='Um dia em agosto'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-3533306269941930453</id><published>2007-08-20T23:37:00.000-03:00</published><updated>2007-08-21T01:39:38.668-03:00</updated><title type='text'>Petróleo bruto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nessa parte da Cidade, o mundo apenas dá rasteiras, provavelmente porque não existe ninguém no alto - ninguém para ser jogado do terraço da multinacional, ninguém perdido numa floresta para ser comido por canibais. Não, não. Por aqui, você está andando tranqüilamente pelas ruas movimentadas e numa fração de tempo mínimo, você está no chão. Por aqui, as pessoas são derrubadas pelo meio-fio. E, como naquele conto do Fake Vampire, raramente alguém pára pra ajudar. Raramente alguém vê. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na minha opinião medíocre, isso é uma grande vantagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tomarei como exemplo todo o meu sangue espalhado pelo asfalto. Faço os mesmos caminhos há anos e sou uma pessoa de hábitos firmes. Eu gosto de rotina, sou dependente dela. Graças a uma atenção esmerada por detalhes ínfimos e uma dificuldade tremenda de me adaptar a situações novas, freqüento poucos lugares que acredito conhecer bem. Nada como saber o que te espera. Nada como poder sair de casa leve, sabendo se devo levar a peixeira ou o florete, o cano curto ou o fuzil. Toda semana, freqüento em dias determinados lugares específicos e ando até eles pelos mesmos caminhos. Posso calcular com precisão quantos minutos me levam de um lugar a outro. Sei que às quartas-feiras levo quatro minutos para devolver os livros na Biblioteca e, andando no meu ritmo normal (constante, claro) chego ao estúdio em oito minutos e quarenta segundos, com variações mínimas que desde sempre variam apenas conforme o trânsito dos automóveis. Pedestres são previsíveis e facilmente ultrapassáveis, não os conto como variável determinante de alterações temporais. Sei que aos domingos, acordo sempre após o meio-dia e meu tempo varia entre três e quatro horas de trabalho ininterrupto (domingo me costuma ser um dia altamente produtivo). Sei também que saindo de casa às cinco e dez, posso apreciar minha Heineken semanal enquanto vejo a Cidade ficar azul no crepúsculo, da privilegiada moldura da porta do bar. Sei que nas segundas, terças e quartas a adaga é proteção suficiente, enquanto às sextas e sábados eu precisaria de uma bazuca (ainda não a tenho, por isso me escondo nesses dias) e aos domingos, um isqueiro e os punhos fechados bastam para afugentar qualquer marginal mainstream que venha a me encher o saco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso é o mais próximo que posso chegar da felicidade, o que me satisfaz sobremaneira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem. Conheço meu corpo, meu relógio, conheço os tarados &amp; os frustrados e sei exatamente o que fazer pois sei exatamente o que me espera. Mas, acima de tudo, conheço suficientemente as ruas para saber que, não importa quantas armas eu venha a ter, se eu precisar atravessar a rua estarei em perigo não de atropelamento, mas da distração que a segurança da rotina me proporciona. É quando me sinto mais confiante que as calçadas irregulares se movem em vibrações imperceptíveis aos sentidos humanos e eu me vejo com a cara no chão em estrondo metálico das armas. Ninguém vai parar para ajudar; ninguém nem mesmo vê. Mas eu vejo com meu olho esquerdo as minúsculas depressões das pedras pretas se inundando de sangue, na fração do tempo mínimo em que, atordoada, eu tento entender o que aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Oras, aconteceu o único golpe possível, o rotineiro golpe imprevísivel que me lembra da Maior Verdade do Universo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;don't take the sidewalks for granted.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-3533306269941930453?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3533306269941930453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/3533306269941930453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/petrleo-bruto.html' title='Petróleo bruto'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2608268346714397955</id><published>2007-08-15T02:22:00.000-03:00</published><updated>2007-08-15T02:35:01.896-03:00</updated><title type='text'>O incômodo de lembrar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre conheci verdadeiramente as coisas depois de seu fim. É só com a calma, a falta de preocupação e de responsabilidade com o futuro que se pode parar para avaliar minuciosamente os detalhes que não poderiam passar percebidos.  É então que se começa a ver que aquela noite não foi tão divertida, aquela banda não era tão boa, aquele amor não era tão intenso. Até aí, me viro bem. O problema é ter coragem de olhar para trás e admitir que aquele cara não era tão foda, a amiga não era tão legal, o namorado não tinha tanto talento. Ser nostálgico é fácil. Agora, ter memória não é para qualquer um, definitivamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2608268346714397955?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2608268346714397955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2608268346714397955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/o-incmodo-de-lembrar.html' title='O incômodo de lembrar'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8816200221945491687</id><published>2007-08-08T00:23:00.000-03:00</published><updated>2007-09-29T19:10:38.898-03:00</updated><title type='text'>Enquanto eu não puder jogar limpo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu estou cansada. Reaprender a respirar não é fácil. Principalmente depois de perceber que, pela primeira vez, estou tentando respirar de verdade, limpar meu sangue. Estive no Possível Inferno e já não sei lidar tão bem com o vento, mas estou cansada demais para resistir. Passivamente, continuo andando pelas ruas com calças finas demais para evitar a pele roxa no fim do dia. Não que seja tão ruim - o vento é o menor dos meus problemas. É, digamos assim, um post-it pregado no meu computador logo de manhã, um aviso do chefe de que ainda tem muito a se fazer. E cansa. Viver cansa e eu não sou daquele tipo que se sente feliz em chegar em casa e se jogar no sofá, como se as dores nas costas fossem um testemunho de que fiz alguma coisa, de que minha vida está indo a algum lugar ou servindo a algum propósito. Há muito tempo entendi que o cansaço não faz com que os fantasmas de cada canto dessa casa desapareçam -e eles me enchem o saco. Eles é que são o pior, convivendo comigo dia após dia, durante o sono, ao assistir tevê no sofá, tentando ler um livro qualquer. Mesmo assim, meus fantasmas são meus melhores amigos, saca? Daqueles que tem a coragem de te jogar na cara que você não está indo pro lado certo, é o que eles me dizem todo dia. Mas eu demoro para escutar. Às vezes, consigo sair pela tangente com a justificativa de que o vento e o frio me extenuaram. E eles são pacientes e esperam os melhores dias, aqueles em que está tudo dando certo e eu estou satisfeita, para sussurrar no meu ouvido "olha, a coisa não é bem assim. Não se engane." Eu posso confiar neles, afinal, o que ganham se eu me der mal? Nada, não é mesmo? Eles estão mortos e andaram sussurrando algumas coisas interessantes, são espertos pra caralho. Só mesmo eles para me convencer de que não posso continuar mais com essa vida por muito tempo, que a corda está prestes a arrebentar. Que talvez - e apenas talvez - valha a pena um esforço para tornar tudo mais simples. Economizar uma grana para comprar um abrigo que me proteja. E eu até penso que talvez - e apenas talvez - eu pudesse chegar de peito aberto. Quem sabe desse certo pedir desculpas, dizer eu sinto muito por algum dia ter te machucado, me desculpe por um dia ter tido essa intenção. Talvez, e apenas talvez então eu não tivesse mais essa necessidade cretina de ferir quem eu gosto, porque saberia que não tenho mais medo de ser ferida. Nem sei como seria não ter que ficar na defensiva. Então talvez e apenas talvez seja isso que esteja faltando, e o que os fantasmas estão tentando me dizer e eu não ando escutando é que enquanto eu não puder jogar limpo com eles, comigo mesma e com todo o mundo, não adianta o ar que o vento me traz, não vale o frio e o calor, não adiantam os avisos do chefe ou sorrisos dos poetas rivais. Enquanto eu não puder jogar limpo, não vou conseguir respirar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8816200221945491687?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8816200221945491687'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8816200221945491687'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/enquanto-eu-no-puder-jogar-limpo.html' title='Enquanto eu não puder jogar limpo'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5144646224595403398</id><published>2007-08-02T23:59:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T01:12:34.443-03:00</updated><title type='text'>Da janela do táxi</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mais uma estrela da manhã no céu: tantas delas. Moro em uma que faz parte da constelação das estrelas que não brilham tanto assim. Mas eu mataria e morreria por tudo isso, mataria e morreria por tudo de novo, por isso tenho que dar o fora daqui e garantir que meu anjo não vá morrer sufocado pela poeira da minha ambição epitelial. Mas é assim: aqui se aceita quem estiver disposto a qualquer coisa ou nada. Uma estrela para se vagar pelas ruas vazias de domingos cinzentos, entrando em qualquer porta aberta. Sendo expulso das igrejas ou olhando jesus derreter nas paredes de viacrucis. Uma estrela à venda em qualquer letreiro luminoso em East, West e Downtown. Uma estrela da América onde todos sentem a falta da elegância aristocrata que os jovens ostentam sem tê-la, um lugar de pessoas sem relevo, todo o dormir e comer e vomitar e dormir ao infinito; sem grandes atrações a não ser para os vaqueiros do interior procurando o glamour decadente das festas pretensamente legais ou dos saloons onde ninguém mata. E essa gente toda, minha estrela da manhã aceitando todo tipo de homem, sem distinção de talentos ou inteligências, todos indo pelas ruas a algum lugar e aqui, todos os lugares são lugar nenhum. Mas ainda assim, procurando, indo, vindo, voltando, indo, indo, indo, todos se encontrando sem planos prévios, esses homens previsíveis bebendo todo o sangue da minha - &lt;em&gt;a minha &lt;/em&gt;- estrela da manhã. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devo dizer, a Cidade é minha mulher preferida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5144646224595403398?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5144646224595403398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5144646224595403398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/da-janela-do-txi.html' title='Da janela do táxi'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-849735336921326485</id><published>2007-08-01T01:05:00.000-03:00</published><updated>2008-12-11T06:18:19.425-02:00</updated><title type='text'>Dando uma chance à vida</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/RsKV7z9L90I/AAAAAAAAADQ/WKWM2BJskgs/s1600-h/lp_longo_ascension.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098802582928488258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/RsKV7z9L90I/AAAAAAAAADQ/WKWM2BJskgs/s320/lp_longo_ascension.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.barbarakrakowgallery.com/exhibition/event_details.php?id=3298"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;http://www.barbarakrakowgallery.com/exhibition/event_details.php?id=3298&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Robert Longo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;The Ascension by Glenn Branca, 1981&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Record Cover and Record12 inchesframed&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;qual é o problema com essa mulher? alguém deve ter se perguntado de novo. eu não sei exatamente qual é o problema, mas talvez ajudaria se alguém lembrasse meu nome. ajudaria se eu lembrasse meu nome. ajudaria se eu deixasse de ser eu um pouco, talvez, quem sabe, dar uma chance à vida, dê uma chance à vida, ela pode ser boa com você. é, sim, mas a que preço? seja honesta comigo que eu compro a chance. a vida não é honesta, a vida é o supermercado aqui do bairro sempre tentando me enganar. e eu não devia me importar, tento ser imune, espero um dia sair ilesa de toda essa confusão. não dá. quando acho que estou chegando lá, recebo uma direita no rim e acabo na lona, tonta e sem saber direito o que me aconteceu. ando fraca. ando comendo pouco, dormindo pouco. não quero precisar comer muito para me satisfazer, posso um dia não ter opção quanto a isso. me recuso a dormir na hora sensata. preciso do silêncio gelado e cheio de espíritos para poder me lembrar de quem é essa garota sentada no balcão, sua maior felicidade na garrafa verde à sua frente. bruna, não é? não. mas é alguma coisa com b, tenho certeza. ela parece esperar alguma coisa e hoje, espantosamente, não está poupando sorrisos. parece um pouco pálida. acende um cigarro. bianca? não, acho que não. mas é parecido. olhando impaciente para os lados, para o relógio, para o cara que tenta ter sua atenção por algum tempo, não precisa muito, cinco minutos ou mesmo menos, talvez um sorriso. todo mundo quer atenção. do que me lembro, ela quer sumir. beatriz? não, nem fodendo. b, b... blanche? é um nome esquisitinho mas nem tanto. brenda! blenda? merda. olhando impaciente me pergunto se b. não quer alguma atenção, também ela, é possível, a carne é crime, ela também poderia querer. ela dá um pouco de atenção mas não deixa de olhar impaciente para os lados, o que diabos essa garota quer? ELA QUER O GOLPE. eu quero o golpe. eu tenho de pedir o golpe. eu tenho de impedir o golpe. eu recebo o golpe. sinto a mão na minha nuca. odeio quando estranhos encostam na minha nuca. por favor, encoste na minha nuca. por favor, segure minha cabeça com tanta delicadeza pelo resto da noite. odeio quando estranhos encostam e fujo sem olhar para trás. por que não vem atrás de mim e lembra meu nome? sem comer como ando, minha memória fica fraca. por favor, segure minha cabeça e lembre o nome. não tenho comido direito. não quero comer, me acompanhe num porre enquanto o barbecue poet se apaga em mim. me acompanhe enquanto eu me acompanho num porre e segure minha cabeça, ela vai cair. por favor, maldito pesadelo: pegue as luvas, vista-as, agora aqui (aponto para minha barriga, respiro fundo). vai. com força. vai duma vez, porra.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(a direita.)&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então é isso: uma cabeça de cem quilos, um centímetro cúbico de coração, o olhar impaciente se encontrando na luz amarela dos postes da província. Era essa a promissora chance? Era isso o que a vida tinha para me dar? Dinheiro desperdiçado por apenas mais um dia de Barbara Lovelock cumprimentando os paralelepípedos do chão, sorrindo para a garrafa verde, voltando para casa na chuva, como sempre, mas agora ainda um rim. Maldito Pesadelo, o golpe ainda dói.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-849735336921326485?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/849735336921326485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/849735336921326485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/08/dando-uma-chance-vida.html' title='Dando uma chance à vida'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_mIiKf6cVg1s/RsKV7z9L90I/AAAAAAAAADQ/WKWM2BJskgs/s72-c/lp_longo_ascension.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5646304582718578518</id><published>2007-07-19T23:58:00.000-03:00</published><updated>2007-08-01T02:23:50.378-03:00</updated><title type='text'>Sobre uma garota</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Filme da madrugada do Canal Brasil, 66 da NET. Um grupo de "amazonas" que vive numas ruínas perto da linha do trem. Um piazão que se vivesse hoje eu encontraria em um show mod na Cidade pára pra mijar nas ruínas e encontra uma amazona, que tenta seqüestrá-lo. Ele pergunta "ah, então você é uma dessas hippies, punks, não é?"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou fumando no parapeito da janela. A música tem sido irregular. Não sei direito o que quero escutar. Ando preferindo o violão à guitarra. Nos últimos dias, a estiagem deu um tempo e a roseira que eu andava admirando toda noite ficou com os caules tortos. A pobre flor está meio acabada com a pressão da água e perdeu muito da arrumação das pétalas. Já não presto atenção nela. Olho para o céu e vejo estrelas. Faz muito tempo que não via estrelas por aqui, e não é por causa da chuva. Antes disso, na seca, já não havia nenhuma. Por que será que elas voltaram? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O piazão diz que só foi ali para mijar, e ela não o deixa ir embora. Ela precisa, segundo o que conta, estar sempre chupando alguma coisa. Acaba por satisfazer sua necessidade aplicando no menino um boquete enquanto ele se apóia na pilastra.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deve ser porque a chuva limpou a poluição do ar, deixando o céu limpo. Fico olhando para a pilha de livros que tenho que ler, já comecei. Estou satisfeita por estar num ritmo legal de leituras nessa semana. Apesar de uma angústia chata que anda me atormentando, eu percebo que estou bem. Eu estou bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Um outro grupo de amazonas planeja pegar uns caras na rua, levá-los para as ruínas e trepar com eles, logo em seguida roubando os sujeitos e dando o fora. Uma delas se opõe, porque não é prostituta. Essa está vestida com um colete sem nada por baixo. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ligo pra Patrícia. Faz um bom tempo que não nos falamos, e contrariando minha ambição western, estou com saudade dela e sentindo falta de falar com alguém. Ela responde minhas perguntas antes de eu perguntar. Conta que está ocupada com um trabalho que arranjou. Fico feliz. Falamos mal de pessoas. Pergunto se ela viu alguém no período em que não nos falamos. Ela não viu ninguém, todos ficaram dias trancados em casa. Mesmo assim, temos assunto. TV, amigos, desconhecidos, TV. A Edie se matou ontem e deixou uma carta pro Carlos. Não sabemos o que aconteceu com Sara.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Dois executivos estão na cidade resolvendo questões de negócios. Já terminaram. Um deles sugere que façam uma farra antes de voltar para casa. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembro de encontrar a Pat e ela ter dito que a cada dia ela estava mais convencida de que eu sou a Sara. Foi o melhor elogio que recebi em muito tempo. Entro na Internet e fico procurando as fofocas das estrelas de Hollywood. Tem um americano aí com um apartamento em Greenwich Village e ele é muito talentoso. É tão talentoso que já fez horas e horas de músicas ruins. Mas eu gosto quando ele canta sobre sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O piazão está agora comendo uma dona da bunda grande e cheia de celulite. Na próxima cena, ele está deitado em cima de uma barra de ferro no alto da pilastra e a dona da bunda grande tem que ficar nas pontas dos pés para chupá-lo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O americano cantou uma música na Jamaica sobre Nova York. E outras também. Falando em New York, achei uma foto de uma garota de lá que é igual a mim. Quantas barbaras lovelocks existem no mundo? E quantas vão terminar suas vidas morando sozinhas em mansões com um Rottweiler chamado Getúlio e um chihuahua chamado Max?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;As amazonas seduzem os caras e eles estão nas ruínas. Elas começam a tirar a roupa e finalmente todos estão trepando. A chupadora joga o pirulito que estava ocupando sua boca e se junta ao truque. A música que está tocando parece familiar... parece Eleanor Rigby. A&lt;/em&gt;&lt;em&gt; música é Eleanor Rigby. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acendo outro cigarro e dois aviões passam no meio das estrelas. Já são quatro aviões que vejo no dia. Penso em escrever sobre esse céu peculiar de hoje. Desisto, alguém poderia achar que diz respeito ao último desastre aéreo, esses dias na Metrópole. Eu não quero falar sobre isso. Eu não quero me meter. Vi na TV um cara soltando um grito desesperado quando ouviu o nome de alguém, da lista de churrascos resultantes do fato. Eu não tenho nada com isso. Eu só quero deixar os mortos mortos e os sofredores sofrendo em paz. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Se alguém se interessar, o nome do filme é Caçadas Eróticas. Tenho certeza de que era Eleanor Rigby embalando a trepada. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5646304582718578518?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5646304582718578518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5646304582718578518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/07/ainda-eleanor.html' title='Sobre uma garota'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-8437164469037270805</id><published>2007-07-16T22:20:00.000-03:00</published><updated>2007-07-17T20:51:58.933-03:00</updated><title type='text'>Mate-se, Poeta Rival</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;eu dei quatro dias: de sete a onze, quatro dias para o arrependimento do mundo, para jesus transvestite fazer sua operação de mudança de sexo e finalmente nos salvar. não é preciso dizer que nem em quatro milênios a Cidade abriria as janelas e deixaria o mofo morrer, essa desgraça de rinite que apenas os dândis não têm. mas eu poderia me acostumar, numa impossibilidade maior denunciando que todos os talentos daqui já morreram e nenhum vem à frente. eu sempre me acostumo, indignada mas me acostumo. mas como ninguém me comunicou nada, eu dei quatro dias. de sete a onze e tudo o que aconteceu foi kit marlowe promovendo mais uma de suas festas de arromba em que ele definha a olhos vistos, publicamente ainda que tente disfarçar derramando alvejante sobre seus passos. chego à conclusão inevitável e a recuso: nem jesus tranvestite poderia redimir kit marlowe. gosto de kit. lembro-me de nosso encontro na biblioteca e do meu acanhamento - "mas quanta honra! quanta honra!" barbara lovelock, a idiota. nada pode redimir kit marlowe, nem mesmo meu olhar, nem mesmo minha vocação platônica. e nos encontramos na biblioteca, eu queria morrer. queria esticar meu pescoço de avestruz inteiro dentro da terra. ah, kit era o único de quem eu esperava mais do que o porre de cerveja. e dei quatro dias. dei à Cidade quatro dias, de sete a onze, e nem mesmo um terrorista, não há terror nessa cidade. há apenas o mofo. e agora, as últimas notícias, as vibrantes manchetes da minha querida Província. "kit marlowe bebe cinqüenta e sete garrafas de skol no Bar de Cima, defende sua honra como um rato e termina o feriado dos dias sete a onze sem escrever uma linha", ah, se jesus transvestite estivesse por aqui, teria cometido suicídio. esperanças desperdiçadas na Biblioteca, meu eterno edifício do amor cortês. vergonhas desperdiçadas em quatro dias de profundezas do mar de uma cabeça sem olhos. kit marlowe me desperdiçou, e eu não vejo vida. eu não vejo vida na Cidade, e a vida que minhas mãos podem sentir, essa se esvai a cada dia sem as linhas do Poeta Rival, sem edições extras do jornal que digam do paradeiro do Bardo, a vida se consumindo no mofo dos livros da Biblioteca, nas minhas paixões cada vez mais distantes, ah, eu não posso esperar muito mais por jesus transvestite.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-8437164469037270805?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8437164469037270805'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/8437164469037270805'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/07/mate-se-poeta-rival.html' title='Mate-se, Poeta Rival'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-5372211143391655640</id><published>2007-07-11T00:12:00.001-03:00</published><updated>2007-07-11T01:35:33.853-03:00</updated><title type='text'>Nevasca</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Acordo de manhã, tomo o café que preparei ontem e deixei congelar a noite inteira na escrivaninha. Às vezes, o dia amanhece tão imensamente perfeito que prefiro ficar o dia inteiro na cama, não quero estragar o dia. Eu não quero estragar tudo. Sinto-me agradecida por não precisar levantar da cama para tomar o café, ainda que esteja com um gosto horrível. Vale a pena. Hoje, tudo vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fico a manhã inteira sem comer e é uma segunda-feira, e do lado de dentro das janelas não consigo ver a calma agitada que são os dias da Cidade. Não olho para fora nem quando um dos meus sons preferidos começa a soar da rua, as sirenes primeiro da polícia, depois dos bombeiros, depois da ambulância. Torço para que ninguém tenha morrido dessa vez no incêndio na lanchonete. Essa lanchonete pega fogo pelo menos uma vez por mês e no último um garçom novo se apavorou com as chamas e desmaiou lá dentro, e os bombeiros passaram por ele ao apagar o fogo e nem perceberam que ele estava lá no chão. Da cama, sinto o cheiro de gordura queimada. É sempre a churrasqueira que vai pro saco. Se fosse um desses dias de rotina, a miséria de sempre, eu desceria e observaria a movimentação dos bombeiros. Mas hoje não; não quero estragar tudo e seria bom que pelo menos dessa vez, eu não obstruísse o trabalho dos pobres fardados que já estão enjoados de apagar o fogo por aqui. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olho pela janela do apartamento e o céu está daquele azul esbranquiçado dos dias ensolarados. A fumaça rumo ao céu é quase imperceptível e seria facilmente confundida com nuvens rápidas demais. Estou pensando nisso quando o telefone toca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- A Srta. Lovilóqui está?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- É ela. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Estou ligando do consultório do Dr. Sloper, para confirmar a consulta hoje às duas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Confirmado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero que ter que sair da cama hoje não me faça estragar tudo. Onze e quinze, agora. Levanto e troco de roupa. Queria tomar banho, mas a falta de chuvas me deixa constrangida. Meu dever cívico já me está completando três dias sem banho. Troco de roupa, apenas, jogo o pijama na pilha imensa de roupas para lavar. Escovo os dentes com a água mineral que comprei no mercado e desço, para aproveitar o incêndio. A dona da lanchonete, que mais parece uma cafetina, sempre tira o que pode de dentro da lanchonete, o que significa que uma vez por mês a rua fica interditada com mesas, cadeiras, panelas, frigideiras, um monte de panos, duas televisões e um radinho, enquanto os carros buzinam e são forçados a manobras absurdas para sair da enrascada em que ela os colocou. Pego a conversa mensal entre o policial e a distinta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você não pode colocar tudo na rua! Além disso, o fogo sempre fica na cozinha, nunca chega ao salão! Pra quê diabos tirar as coisas de dentro do recinto? - enquanto isso, os funcionários continuam tirando tudo e botando no meio da rua. Ela começa a gritar com uma voz aguda demais, discutindo com o tira, para se fazer ouvir no meio das buzinas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os bombeiros já estão apagando o fogo, então eu sei que cheguei na hora certa. Em menos de cinco minutos, já tiraram uns pães e umas caixas de bebidas. Pego um pão e uma Fanta e fico comendo debaixo do sol. Ninguém percebe. Termino de comer em tempo de devolver o casco. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começo a andar em direção ao consultório. Fica em Square Valley e demoro uma hora e meia para chegar lá. Tenho ainda uma hora de espera, aproveito para ler todas as revistas de moda que não tenho coragem de comprar nas bancas. Revista de mulher é um troço engraçado. 50% é sobre moda, 30% sexo, 15% cuidados com o corpo, e só 10% são sobre carreira e família. É meio deprimente. Mas a Marie Claire e a Cláudia não vão estragar tudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A auxiliar finalmente me chama e fico feliz em reencontrar o Doutor Sloper. Esse cara me conhece há anos, e certamente me conhece mais do que todos os meus ex-namorados juntos. Ele é terrivelmente grosseiro, com as auxiliares e até comigo às vezes, mas sempre se compadece de mim quando abre minha gengiva e começo a chorar - muito mais gentil do que meus ex-namorados jamais foram. Felizmente hoje minha gengiva não precisa ser aberta. Apenas quarenta minutos e já nos despedimos, cientes de que não nos veremos em seis meses, mas que eu vou voltar, e ele ainda vai estar lá, vestido de branco, desfalcando minha conta bancária. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certamente, o Doutor Sloper é o cara mais honesto que conheço. Ele pode falar grosso, arrancar um pedaço da minha gengiva, cobrar um absurdo pelo sofrimento todo, mas ele se compadece. Além do mais, eu tenho que gostar de alguém que faz a manutenção do meu sorriso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Volto andando para casa. Vou devagar demais, aproveitando as rápidas arborizadas de Square Valley (uma mistura deveras interessante) e quando chego, está quase anoitecendo. Mal entro em casa, o telefone toca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Barbara! É a Ashley! Tá a fim de tomar uma cerveja?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não quero sair de casa. Não quero estragar tudo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Claro. Aonde você quer ir?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Podemos ir ao Onion, o que você acha?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ótimo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Marcamos dali a uma hora. Resolvo tomar um banho, a água sai muito suja. Ao me vestir, estranho o cheiro bom de xampu no meu cabelo. Ao chegar ao Onion, percebo que todos estão muito limpos. Todos tomaram banho, todos gastaram água e certamente todos fizeram isso todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foda-se a seca. Foda-se a chuva e foda-se a estiagem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E penso que talvez eu seja a única pessoa que perceba que, apesar da limpeza e dos perfumes, todos estão secando, assim como o ar. Talvez eu seja a única que olha para o céu e sabe que não há nenhuma nuvem que indique a esperança de chuva para amanhã ainda que não se possa enxergar uma única estrela. Nos muitos silêncios que minhas conversas com Ashley sempre têm, escuto a conversa de uma linda e sedosa mulher cercada de homens na mesa ao lado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu o-de-io dentista, gente! Fui na semana passada fazer clareamento, mas só de ver o dentista, já tenho vontade de mo-rrer!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas nem eu, nem ninguém, estragaria tudo hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Cidade está virando um deserto, somente as cobras sobreviverão e eu continuo sentada, preparada para a falta de banho nos próximos dias, enquanto espero a chuva, o frio e, num último lapso de esperança, que a nevasca que caiu ontem em Buenos Aires chegue até aqui. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-5372211143391655640?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5372211143391655640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/5372211143391655640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/07/nevasca_11.html' title='Nevasca'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-402005447533265548</id><published>2007-07-08T13:53:00.000-03:00</published><updated>2007-12-20T20:20:31.662-02:00</updated><title type='text'>Turning 61</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Para Sylvester Stallone &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns amigos nunca poderiam me deixar na mão, pois nunca me deram seus telefones. Caras que eu fico feliz de encontrar no bar mesmo sem saber seus nomes. Amigos de verdade, que não negariam um cigarro se eu precisasse. Amigos que não ligam se eu não fumo maconha, tomo ácido ou cheiro - e não têm nenhum pudor de fazer isso quando estou por perto, não têm medo de perder o controle. Como o cara talentoso que não fala comigo, e embora não olhe, sabe que estou lá e não deixaria de me pagar um café na padaria de manhã, ou dar o dinheiro do ônibus, depois de uma noite para se indispor com a Cidade inteira, todos os garçons, seguranças e donos de bares. Toda essa gente que não tem medo de se mostrar, de entregar as tripas para os viralatas, de parar o trânsito para observar o sylvia mexicana occidentalis townsend cantando em East Downtown, esses caras, dando tudo que têm em linhas cheias, em linhas de baixo, em linhas retas. Esses caras que são humanos demais para serem belos, humanos demais para serem gentis, humanos demais para deixarem de se foder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É por esses Caras, por esses cretinos, que ainda estou aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-402005447533265548?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/402005447533265548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/402005447533265548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/07/turning-sixty-one.html' title='Turning 61'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-2428627921459897632</id><published>2007-07-05T14:01:00.000-03:00</published><updated>2007-07-06T01:13:06.292-03:00</updated><title type='text'>Tempo seco em Highwood Hills</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Anos sem ir a Highwood Hills e decido ir bem no dia em que não tenho um puto no bolso. Saio da Biblioteca e ando para Oeste. Não sei muito bem como chegar ao Temple, mas confio em meu senso de direção e na minha memória. Faz muito tempo que não vou a esses lados, e em toda a minha vida não devo ter ido lá mais de cinco vezes, mas o lance é que alguém como eu não esquece dias e lugares em que viu duas Ferraris paradas no posto de gasolina, depois de um Porsche quase atropelar uma garota. Sigo a trilha das Ferraris, mas não dentro do Porsche. Sigo andando. Passo pela Rua da Imperatriz incógnita, sempre procurando as câmeras sem nunca encontrá-las. Quem deve estar me vigiando? E para quê, se nem as crianças que quase me atropelam olham para mim, se nem os mendigos me pedem dinheiro ou um cigarro? Vou até o fim da Imperatriz (ou será seu começo?). A rua termina (ou começa) na praça onde, junho inteiro, a feira das prostitutas e cartomantes torna-se a feira de St. John. O chafariz no meio da praça não serve nesse mês como piscina para as crianças ou jacuzzi para os travestis, e casais felizes comendo a comida nas barracas não notam a minha presença. Acho que não existo, já que aqui as únicas câmeras são as dos celulares dos adolescentes matando aula, e essas câmeras não se interessam por nada em mim. Percebo o único olhar gratuito que receberia no dia no fim da praça, já longe das luzes de St. John: uma loira de sobrancelhas pretas, minissaia, maquiagem carregada nos olhos. A mulher mais linda e eu a invejo. E ela nem é uma mulher. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sigo pela 14th e é notório como o número de pessoas andando na rua diminui drasticamente de Downtown para Highwood. Quanto mais perto de Highwood, mais as únicas companhias nas ruas são os carros ignorantes e os porteiros fumando na porta dos edifícios. Nenhum deles olha para os lados. Sempre em frente e para o nada. Nessa parte da Cidade, eu não existo, mas também não devo nada para ninguém. Começo a me perguntar se estou no caminho certo para o Temple. Sei com certeza que fica em Highwood, mas posso estar indo para o lado errado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Moça!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A loira se vira para o lado, desviando sua atenção da vitrine. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Você sabe me dizer se continuando pela 14th eu acabo no Temple? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sim, só ir em frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É só ir frente, e ela sorri com seus dentes perfeitos. Seguro as lágrimas. Não poderia, dentre todas as coisas esperadas, esperar simpatia em Highwood Hills. A 14th segue, sempre em frente, e eu ando mais algumas quadras, indo no mesmo sentido dos carros. Atravesso as ruas, quase sou atropelada. É como se, desse lado da Cidade, nem fosse possível a existência de pedestres. Talvez por isso as calçadas sejam tão regulares: não ocorre desgaste pelo uso. Aliás, tudo parece novo. Aqui não há desgaste, não há corrosão, não há ferrugem. Como se os prédios, as ruas e as pessoas tivessem sido construídos ontem. Penso nas ruas assépticas quando um carro entra bem na minha frente, virando à esquerda no meio da calçada. "Esquisito". Olho para a esquerda. Estou bem na entrada do estacionamento do Temple. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é tão longe quanto eu pensava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entro no shopping e as luzes me ofuscam. Demoro um pouco a acostumar meu olhar com todo aquele brilho - as lâmpadas, as vitrines, as jóias, tanto metal; mas demoro mais a acostumar meu olfato a tanto perfume. Tudo é impecavelmente limpo e regular. Por muito pouco, não me sinto envergonhada por estar usando uma calcinha rasgada. E de algodão. Posso jurar por Deus que eu sou a única mulher com calcinha de algodão ali dentro. Vou ao banheiro, preciso de uma folga.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lavo o rosto e fico me olhando no espelho grande. Estou um pouco suada. Talvez o Temple fosse mais longe do que pensava. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Moça!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A zeladora está saindo do almoxarifado. Olha para mim e eu continuo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Por acaso parece que eu fui atropelada por um trem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, mas parece que você está gripada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dou um sorriso resignado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Obrigada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não estou com gripe. Fico me olhando mais um pouco no espelho, esperando que algum milagre aconteça e eu me torne a mulher mais linda do mundo. Nada acontece. Já tinha esquecido da razão pela qual andei até ali, quando o celular vibra no bolso da minha jaqueta e eu olho a hora. Sete e meia. Saio do banheiro, sinto-me um lixo, coloco óculos escuros mentais e chego à livraria. Ele já está lendo seus textos, cercado pelos amigos e pelos fãs. Ele canta sobre tudo o que odeio, amores na Cidade, a solidão na Cidade, as ruas da Cidade, a Cidade. Ele canta sobre milagres na rua. Ele canta sobre andar a pé para esperá-los. Mas eu conheço seus trejeitos e sei que ele mente. Aposto até como ele chegou ao Temple de carro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bem, cada um escolhe as mentiras que quiser. Eu escolho a minha: saio pela outra porta do Temple, dou de cara com o coração de Hills, a Highwood Avenue, por onde sigo até subir as quadras que dão na 14th onde ela encontra a praça da feira de St. John e seus travestis, adolescentes, casais e barracas de pierogi. A julgar pelo brilho, Highwood Hills pode até ser o último degrau para o Céu. Mas de Downtown para trás, na parte da Cidade em que vivo, St. John não performa milagres, os escritores não amam, e tudo o que a rua me oferece é o anonimato da minha presença de fantasma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu me sinto bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-2428627921459897632?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2428627921459897632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/2428627921459897632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/07/tempo-seco-em-highwood-hills.html' title='Tempo seco em Highwood Hills'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38439312.post-6958244309417188490</id><published>2007-06-30T01:53:00.001-03:00</published><updated>2008-02-24T02:23:34.136-03:00</updated><title type='text'>A verdade sobre a tensão pré-menstrual</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um nevoeiro cobre a Cidade e eu estou sozinha, como fiquei o dia inteiro. Não me importou hoje se estava chovendo ou fazendo sol, não olhei para fora mesmo, não senti falta. Ficar na frente da tevê, dando risadas por motivos que agora já estão completamente esquecidos, era tudo o que eu podia fazer. Não queria levantar do sofá. Não queria me mexer e passei fome apenas para não perder o intervalo. Quando minha mente passava perto da lombada eletrônica e eu tinha que pensar, lembrava o quanto eu tinha para fazer. Vinte e sete por hora. Não se levanta do sofá quando se sabe que nem com todo o esforço do mundo se vai chegar a mais de cinqüenta. Uma situação tão ridícula que não havia nem o risco de levar multa - e perto da lombada eletrônica era o momento de lembrar as multas entupindo o porta-luvas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não paguei nenhuma das minhas multas hoje. Tensão pré-menstrual, claro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Funciona assim: durante uma semana no mês, eu fico insuportável. Começa com uma irritabilidade, acionada por qualquer palavra ríspida ou atravessada ou a exigência de fazer algo estúpido como ir ao mercado. As palavras se tornam agulhas: ouvi-las é me furar no estômago. A reação não costuma ser grande. Reconheço a brutalidade, ainda que mínima, sinto a agulha, aperto o maxilar e agüento firme. Com o passar dos dias, posso responder de forma mal-criada; é também freqüente que eu simplesmente vire as costas e vá fazer outra coisa, deixando meu interlocutor a falar sozinho. Também fico emotiva ao extremo, o que acontece de duas formas: 1. eu choro por qualquer coisa: comercial de mercado, novela das seis, as árvores balançando ao vento, alguém sorrindo no ônibus. Qualquer coisa é encarada ou como uma manifestação da mediocridade da vida humana ou um fato de beleza incomparável e única. 2. Relembro todos os fatos tristes que aconteceram no passado e os que permanecem: todos os chutes na bunda e as circunstâncias em que ocorreram, os amigos que estão distantes, as vezes em que machuquei alguém, a festa na quarta série em que deixei de dançar com o menino mais bonito da sala. Todas as multas que levei vão ser esmiuçadas em todo o sofrimento mais uma vez. Ou mais de uma vez. E eu vou chorar, claro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então hoje, para evitar qualquer pensamento, eu assisti tevê. Depois de quatro horas deitada no sofá e dez minutos na mesma posição (com o braço esticado para fora, apertando o botão para mudar de canal mesmo já tendo verificado que não havia um programa aceitável) que percebi que a situação era uma rendição, que TPM é uma ótima desculpa para não fazer nada, ser uma imbecil com quem gosta de mim, e mais do que isso: é uma ótima desculpa para sofrer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sinto falta do sofrimento adolescente no qual também simplesmente existir doía na carne. Uma dor que me consumia de dentro para fora, que fazia ver a existência como difícil porque ter um corpo e ter sangue correndo nas veias demandava toda a energia que eu possuía. Era um sofrimento carnal, visceral, que se traduzia na melancolia que me levou a fazer tudo o que fiz. Mas agora, nesse período de pós-adolescência, tenho de lidar durante três semanas no mês com a falta dessa melancolia que era minha gasolina. Tenho também de lidar com o fato de que por maior que seja, a minha melancolia não se compara com a crueldade a que somos expostos todo dia, assim que botamos o nariz para fora de casa. No fim das contas, a melancolia é mesmo uma opção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo não é uma opção, e sobre sua tristeza não há nada que eu possa fazer. Nada além de continuar sendo esmagada e estripada por toda a pobreza, que me antecedeu e vai durar por muito tempo depois que eu, minha melancolia e meus hormônios se forem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fico assim, então, e a tevê é minha testemunha: eu não vou me entregar à minha vida hormonal, não vou superestimar minha existência e daqui por diante, prometo chorar apenas pelas flores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38439312-6958244309417188490?l=whenthetvstops.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6958244309417188490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38439312/posts/default/6958244309417188490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://whenthetvstops.blogspot.com/2007/06/verdade-sobre-tenso-pr-menstrual.html' title='A verdade sobre a tensão pré-menstrual'/><author><name>Barbara Lovelock</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16941138860571408195</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
